gabrielperalta217

gabrielperalta217

n. 1997 BR BR

Ás vezes escrevo um pouco

n. 1997-07-15, Canoas

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Sobre a pouca vida que tive

a pouca vida que se vive
permito que a lua ilumine
tragédia de infinitas cores
algumas linhas já define

a pouca vida que pude viver
nela estive pouco tempo
o passado surge hoje
me roubando o momento

á pouca vida que chamei vida
não sei se posso assim dizer
as poucas pessoas que ficaram
ficaram sem me ensinar a viver

há pouca vida restante
repousa no vazio da mente
parte procuro discernir
parte está no presente

a pouca vida que está por vir
como um dia todos se vive
algum dia estive na vida?
duvido que em algum deles estive

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Poemas

59

Noite

Não me desperte desse sono
Durmo sem hora pra acordar
As horas passam preguiçosas
Meu sonhos seguem eternos
Sem ter hora para parar

Minhas noites são eternas
É sempre noite para quem dorme
Em meu sonhos sou um rei, um deus
Um viajante sem ter onde ir

Ó noite sem lua e sem estrelas
A me velar por horas e horas
Dentre as deusas tu és a mais bela
Suas tranças balançam com o vento
Fique! Não quero que vás embora
 

201

O mais vazio

O problema é o pedaço que você deixou
dentre eles, o mais vazio
e o tanto que ficou, onde está?
nas águas de um silêncio frio

a sinceridade corrói
aos poucos deixa oco
e o vazio das noites
aos poucos me deixou louco

165

Das folhas à raiz

há lembranças, memórias
opiniões perigosas
que melhor ficam
aprisionadas
túmulo das ideias
nunca reveladas

há no solo de terra escura
entre as folhas algumas gravuras
os traços mudam com os ventos
eterno epitáfio desses sentimentos

bem no fundo do baú há uma carta lacrada
palavras que não posso dizer em voz alta
contam da minha alma o que se perdeu
frases tão confusas quanto eu

contorno as palavras para poder dizer
aquilo que não deixo ninguém ver
escondo nos versos sem sentido
a dor que guardarei sempre comigo

as várias facetas da obra são necessárias
o mundo inteiro é pura interpretação
dentro da pele escondo muitas marcas
usada para revestir o próprio artesão

nunca ninguém entendeu
morrerei uma incógnita
dentre todas as geleiras
fui sempre a mais sólida

não se preocupe
nem peça perdão
pois nem mesmo eu 
entendi de antemão

além fui há muito
nada tenho de meu
minha alma é escura
no coração somente breu

meu chão vibra com essas ideias
me fortalece e me mantém vivo
sou assim das folhas à raiz
mesmo que não faça nenhum sentido

208

Poesia do século passado

Sinto algo no vento
Há uma falha perversa
Sinto nessas atitudes
E nesses momentos
personagem que regressa
o sinto por não sentir
leve neblina que desceu 
á altura dos olhos está
está sim, o percebo ferir
regressa pois não morreu

distante me encontro de todos
vês o horizonte? lá estou
ameaçando essas barreiras
sou assim desde moço
memórias que um dia perdi
relembro onde tudo começou
por pensar dessa maneira
afundo em meu poço
mas que ainda estão aqui
jamais sairei desse calabouço
 

259

A prisão que liberta

Vê-me aqui novamente
a desfilar sobre as circustâncias?
a escrita soma á minha vida
certo aroma ás essências

aroma esse que eleva
traz a lua e me deixa mirando as estrelas
durante as máximas de linhas e pontos
difere alguma ou são as mesmas?

cada livro é um abismo
cada capítulo uma danação
em cada frase eu afundo
e em cada letra há uma renovação

não me fio a um objetivo
nem espero algum final
minha anatomia me define
casca de um humano
sobre a carne de um animal

a realidade me cansa
há muitas pessoas por aqui
nessa ilusão eu me prendi
e a chave eu perdi

celas com barras de metal
vejo entre elas
cabeças baixas
corpos moribundos
passos sem direção
olhares de olhos fundos

deixe-me aqui
observando o cotidiano
dentro de mim ainda sou jovem
lá fora envelheço 
décadas a cada ano

232

A impossibilidade

Eu não sei como sobreviver a isso
Os dias se arrastam nessa impossibilidade

A impossibilidade 
De viver
De ser
De sobreviver
Sem viver
Sem ser

197

Diamante

Em qual estrada perdi-me, eu andarilho
a terra passa por mim como se de vento eu fosse
e se não fosse
apenas eu a ir nesse trilho
e nessas vias lotadas de olhares vãos

o diamante é único pois não morre
o amor é duro, pois sofre
a vida é falha, porque não és meu diamante
a brilhar na ida incessante,
na indefinida volta.
talvez a ida seja apenas o retorno
lapidei na calada da noite
onde meus olhos viam teu vulto
a se mover em meio ao ambiente escuro

quisera que não houvesse volta
se minha ida for a teus braços
quisera ser apenas um ponto
perdido em seus espaços

minha vida em uma outra existência
baseada no fruto da obediência
em minha ciência há tantos versos
refrões inteiros mas desconexos

quisera não haver despedida
se minha ida
a deixar entristecida

quisera não haver paz
se na lápide que aqui jaz
morreu um soldado sem lutar
faleceu de tanto te amar

quisera poder te ver
ao longe a certeza de ser
aquela boca a tremer
e dizer
que saudade sinto de você

quisera ser o luar
te iluminar
fazer sua noite brilhar
e da umidade do meu chorar
te beijar as faces
com o orvalho que a manhã traz

quisera poder acordar
virar para o lado e pensar
que lindo anjo a sonhar
até em teus sonhos irei te guardar

284

Louco infeliz

Não é sobre a futilidade
Nem a inutilidade
É sobre sentir a vida
Tal qual o mundo não permite

Não é sobre fugir
Nem sobre esquecer
É sobre ir para poder voltar
É sobre olhar para o mundo
Que há depois do entardecer

Não é se apequenar
Não é se iludir
Em quais estradas ocultas o demônio há de vir?

Não é sobre olhar para baixo
É sobre olhar para cima
Perceber a imensidão sem cor
E o chão firme no qual pisas

Não é sobre viver uma vida falsa
É sobre viver tão intensamente
Que ser verdadeira ou falsa não faça diferença

Pessoas sãs morrem infelizes
Cheias de arrependimentos
Os loucos vivem tranquilos
E morrerão sorrindo

Só eu é que fui amaldiçoado
Sou um louco que morrerá infeliz

224

Sobre a falta

Convivências e namoros
amores e paixões
falta algum apreço ás sensações

essa falta de sentido me despiu
me deixou sem nada
dentre os miseráveis sou talvez
o que menos lutou pelos seus bens

me falta algo
algo que eu tinha
tenho certeza que tinha
e agora sinto a ausência
do que deveria estar aqui
uma lufada a mais de sensações
entre essas perdas me perdi

perdido estou a muito tempo
não sei onde me encontrar
meu navio viaja dia e noite
sem ter lugar para voltar

muito tempo se passou
desde a última vez
em que vivi

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