Lista de Poemas

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Galo: ver: de Juan Miró:

       "A Quinta" "A Mesa com Luva"
       "A Mesa (Natureza Morta com Coelho)"
       De João Cabral: "Tecendo a Manhã"

Butterfly: how beautiful it is
Her little body girl
Só a chamava de Borboletinha

       Ela dava beijos de borboleta       
       Seus seios pequenos túmidos
       Durinhos que acariciava e mordia

Guardam uma tatuagem de borboleta
Ela enganchava na cintura
Esfregando o clitóris na pica dura

       A bunda aberta exposta às carícias
       Here and there. "As vezes um lápis"
       Freud: "é apenas um lápis"

Entre lapsos e pulsão de teclar
Hiperlynks de algorítimo quântico
Exortam o tempo a pulsar

       Mas tudo bem :-)
       No problem na mente
       Na mente: stop: top top lari lari lara

Acessa caleidoscópios
Navega refrigérios
Tênue teia de fios de sol:

       Aurora dos dedos de rosa
Ver também: a lua

325

O Amor Segundo Alberto Goldin com Girassóis

O amor é uma gangorra
Que só é feliz
Quando alterna suas posições

Sol que aquece a pele
E provoca arrepios
Caleidoscópio de girassóis

Que ao voltarem para nós as suas pétalas
Nos inspiram a sentir e simpatizar
Com os afetos e interesses de outrem

Amar e ser amado
É estar no alto e descer
Para permitir que ambos sintam

Que existem para o outro
As pétalas amarelas simbolizam
Respeito aos limites das outras pessoas

E a intenção de não presumir os desejos
E opiniões alheias
Tentando interferir em suas decisões

Amar é um ato generoso
Uma forma de dar beleza
E sentido ao outro

E quando é recíproco
Toda doação de beleza
E sentido retornam em dobro

315

Cachoeira do Sereno 2

Uma revoada de garças
Assusta o Gigante Adormecido

O ribeirão Monte
Desanda nas Torres

Araras e tucanos
Colorem bem-te-vis

Apolo no carro do sol
Esmaece no horizonte

Jaci desponta no céu oceano
Mãe d'Água alumia buritis

E a cachoeira do Sereno
Corre mansamente

(da série Sinfonia do Cerrado, no livro Perto Dois)

352

Cachoeira do Sereno 1

O sol se põe do outro lado
Da cachoeira do Sereno
No curso do ribeirão Monte

No dossel da vereda
Amena de buritis
Uma arara e um tucano

Cruzam o céu oceano
Lado a lado. Um novo ocaso
A música das esferas

Mãe d'Água bem-ti-vis
Apolo no carro do sol. Sol
Sol sol que do outro lado

Da cachoeira do Sereno
Se põe. E logo ali
O córrego d'Anta

Deságua no pequi

(da série Sinfonia do Cerrado, no livro Perto Dois)

331

Colagens de O Amor nos Tempos do Cólera

Nem tivera a curiosidade
Nos últimos anos

De ir até à enseada de Manzanillo
Onde amerissavam os hidroaviões

Depois que as lanchas de guarda
Enxotavam as canoas de pescadores

E os botes de recreio
Cada vez mais numerosos

Olhou pelas janelas o círculo completo
Do quadrante da rosa náutica

É a vida mais que a morte
A que não tem limites pensou

Seu domínio invencível
Seu amor impávido

308

Idílio no Chapadão do Céu

Com você ao meu lado
Mulher gentil para amar
Não vejo o tempo passar

No restaurante da Dona Fia
Rapariga delicada para comer
Não vejo o tempo correr

De tarde passeamos pelas ruas
De mãos dadas seguindo a lua
Sequer vejo anoitecer

Bebemos êxtases e sidra
Mulher adormecida

Abro a janela
Para que entre a brisa
E eu veja o sol nascer


(em, Sinfonia do Cerrado)
295

Ao Mesmo Tempo

Ananás perolados 
Louçam a cantoneira
Verde óleo de madeira

E dourão a folhinha
Fixa na parede da cozinha

Da casa da minha avó
A bailarina argentina
O toureiro espanhol

Os dias precipitando da parede
Se esparramando no chão

Uns após os outros idênticos
Varridos por minha avó
Entre farelos de pão

344

O Tíaso de Dioniso

Animais selvagens
Puxam o carro de Baco*

Quando passa a sua caravana
A era brota

E cachos de uva florescem
Ao toque do seu tirso no chão

As mulheres saem de casa
Vão para as montanhas

Celebrar o deus do vinho
Mênades dançam em frenesi

Uma dança frenética hipinotizante
Lançam a cabeça para trás

Gritando como animais selvagens
Possuídas pelo deus Brômio

No compasso da música ritmica
Se entregam à experiência divina

Junto à Sileno e às Ninfas
Faunos Sátiros e Centauros

Eros e Pã

* ALLAN. (2 de julho de 2021). Dionisíaco - Amor e Liberdade. Fonte: blogspot.com: www.dionisiaco-... Leia mais em https://scriv.com.br/menestrel/-1892899534

339

Canção do Vento e do Mar

O vento rege a música do mar
Vento vento vento 
Vai dizer pra ela

Que o meu amor não acabou
Que o fogo que queima e arde
Em segredo não apagou

Antes ao contrário
Este vento beira-mar
Apenas o avivou

372

Respirar

Poesia em homenagem ao retorno dos Astronautas da Nasa Suni Williams e Butch Wilmore, que chegaram à Terra, a bordo de uma cápsula SpaceX, às 18h57, do dia 18 de março de 2025, após 9 meses no espaço. 

O poema é divido em 3 seções, independentes entre si, mas que tem em comum o tema da respiração. 

Cada seção se passa em tempo e local diferentes: numa cabana, em meio ao Cerrado virgem descampado; na Estação Espacial Internacional - ISS, após os 2 astronautas ficarem sabendo, pela segunda vez, de novo adiamento do retorno; e na última seção há o encontro de um casal de amantes em um quarto de motel.

Respirar

Ar ar ar puro ar
Das matas de galeria
Ao longo do ribeirão

Junto à cabana
Aonde vimos ter
Porque respirar

Trieiros me percorrem
De cerrado virgem descampado
Campos limpos chapadões

Veredas me inundam
De palmeiras buritis cujo leque
Uma revoada de garças ilustra

Sublime ar

Ar ar puro ar
Da estação espacial
A onde vimos ter

Porque respirar
Longe dos homens
Longe de voltar

O universo me inunda de estrelas
E as nebulosas me fazem chorar

O mais difícil era encontrarem-se a sós
Quando podiam então dedicar
Todo o tempo ao amor

O ar ficava mais úmido
Certos perfumes a girar
Ai respirar perto da boca

Respirar beijando na atmosfera de luar
Que irradia do quadro
Na parede do quarto

Respirar respirar

(da série Sinfonia do Cerrado, no livro Perto Dois)

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