Heldmar Menezes

Heldmar Menezes

n. 1965 BR BR

n. 1965-12-20, Goiânia

Perfil
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Galo: ver: de Juan Miró:

       "A Quinta" "A Mesa com Luva"
       "A Mesa (Natureza Morta com Coelho)"
       De João Cabral: "Tecendo a Manhã"

Butterfly: how beautiful it is
Her little body girl
Só a chamava de Borboletinha

       Ela dava beijos de borboleta       
       Seus seios pequenos túmidos
       Durinhos que acariciava e mordia

Guardam uma tatuagem de borboleta
Ela enganchava na cintura
Esfregando o clitóris na pica dura

       A bunda aberta exposta às carícias
       Here and there. "As vezes um lápis"
       Freud: "é apenas um lápis"

Entre lapsos e pulsão de teclar
Hiperlynks de algorítimo quântico
Exortam o tempo a pulsar

       Mas tudo bem :-)
       No problem na mente
       Na mente: stop: top top lari lari lara

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Tênue teia de fios de sol:

       Aurora dos dedos de rosa
Ver também: a lua

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Poemas

10

Os Centauros - Parte 1

Filhos do Sol e da Nuvem de Chuva
Cabeça torso e braços de homem
Sobre corpo de cavalo

Figuram na arte antiga em geral
Na grande escultura nas estatuetas
Cerâmicas e pinturas

Baixos relevos no friso do Partenon
Encenam a batalha com os Lápidas
Em Pompéia Nesso e Dejanira

Aparecem várias vezes
Os encontramos ainda
Nos cortejos de Dioniso

Entre Faunos
Ninfas e Mênades
Sátiros Eros e Pã

Citados em diversos mitos
Sendo um dos mais famosos
A Batalha Contra os Centauros

Narrada por Ovídio em Metamorfoses
Viviam nas cavernas das florestas
Dos montes Pélion e Ossa

Embora associados a episódios
De barbárie e numerosos delitos
Representam também

O comportamento civilizado
Contido por exemplo
Na hospitalidade do pacífico Folo

Ou na sapiência de Quíron
Respeitado educador de heróis
Doutor em Iátrica Agonística Mântica

E tantas outras ciências
Sendo a sua função mais nobre e indispensável
Fazer passar aos jovens e heróis

Por ritos iniciáticos
Outorgando-os o direito
Para participar

Da vida da pólis
E a espiritualidade necessária
Para que pudessem enfrentar

Qualquer desafio e gesta
Recebeu de Héracles
Sem o querer

Quando do Massacre de Foloe
Uma flecha envenenada
Provocando-lhe um ferimento incurável

(A caminho para capturar o javali de Erimanto
Héracles parou para passar a noite
Na floresta de Foloe

E foi encontrado por Folo
Que o alertou do perigo
De pernoitar ali

Devido à fúria e selvageria
Dos outros Centauros
Oferecendo a sua hospitalidade

Insistiu para que o herói
Passasse a noite na sua caverna
Onde preparou um delicioso banquete

No decorrer do simpósio
Héracles perguntou
Se não haveria ali

Um pouco de vinho
E Folo respondeu que sim
Um odre cheio disse e que o vinho

Dos Centauros era o melhor de todos
Mas não poderia abri-lo
Pois certamente o cheiro

Atrairia os demais da sua espécie
Héracles ignorou o perigo
E insistiu para que bebessem

Assim Folo abriu o odre
E ambos beberam
Mas o aroma inebriante

Do maravilhoso néctar
Chegou até aos outros Centauros
Que partiram extasiados

Ao seu encontro
Tendo Folo e Héracles
A vontade da fome e da sede saciado

E principiado a descançar na caverna
Ouviram o tropel que se aproximava
Héracles então preparou

Suas mortais flechas
Embebidas no sangue da Hidra de Lerna
E o combate desigual iniciou

Mesmo munidos de tochas
Troncos e rochedos os Centauros
Sofreram incrível derrota

E bateram em retirada
Perseguidos por Héracles
Que os expulsou

Daquela região
Fazendo com que se dispersassem
Em várias direções

Alguns Centauros
Foram se abrigar em Tessália
Onde vivia Quíron

E ali a luta prosseguiu)

Foi um grande médico
Que sabia compreender
Muito bem aos seus pacientes

Pois era um médico ferido
Teve como discipulos Ájax e Aquiles
Héracles Hipólito Jasão Nestor

Odisseu Palamedes Teseu e tantos outros
Recolhido na célebre gruta
O pacífico e justo Quíron

Sofrendo de dores terríveis e incessantes
Desejou morrer mas era imortal
Então Héracles fez um acordo com Zeus

Trocando a imortalidade de Quíron
Pela vida de Prometeu
(Que roubara dos deuses o fogo

E o dera aos homens
E por isso fora condenado
A padecer eternamente

Amarrado a um rochedo
Enquanto uma águia devorava o seu fígado
Que voltava a crescer durante a noite)

Prometeu cedeu-lhe seu direito à morte
E Quíron pode descançar em paz subindo
Ao céu sob a forma da constelação do Sagitário


Nota do autor: a Parte 2 do poema, intitulada "A Batalha Contra os Centauros e o Rápto de Alcíone", encontra-se em fase de revisão e tão logo seja finalizada, a publicarei neste espaço.


(em, Perto Dois e Os Centauros)
115

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Butterfly: how beautiful it is
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Só a chamava de Borboletinha

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       Seus seios pequenos túmidos
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Guardam uma tatuagem de borboleta
Ela enganchava na cintura
Esfregando o clitóris na pica dura

       A bunda aberta exposta às carícias
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337

Colagens de O Amor nos Tempos do Cólera

Nem tivera a curiosidade
Nos últimos anos

De ir até à enseada de Manzanillo
Onde amerissavam os hidroaviões

Depois que as lanchas de guarda
Enxotavam as canoas de pescadores

E os botes de recreio
Cada vez mais numerosos

Olhou pelas janelas o círculo completo
Do quadrante da rosa náutica

É a vida mais que a morte
A que não tem limites pensou

Seu domínio invencível
Seu amor impávido

319

O Amor Segundo Alberto Goldin com Girassóis

O amor é uma gangorra
Que só é feliz
Quando alterna suas posições

Sol que aquece a pele
E provoca arrepios
Caleidoscópio de girassóis

Que ao voltarem para nós as suas pétalas
Nos inspiram a sentir e simpatizar
Com os afetos e interesses de outrem

Amar e ser amado
É estar no alto e descer
Para permitir que ambos sintam

Que existem para o outro
As pétalas amarelas simbolizam
Respeito aos limites das outras pessoas

E a intenção de não presumir os desejos
E opiniões alheias
Tentando interferir em suas decisões

Amar é um ato generoso
Uma forma de dar beleza
E sentido ao outro

E quando é recíproco
Toda doação de beleza
E sentido retornam em dobro

326

Cachoeira do Sereno 1

O sol se põe do outro lado
Da cachoeira do Sereno
No curso do ribeirão Monte

No dossel da vereda
Amena de buritis
Uma arara e um tucano

Cruzam o céu oceano
Lado a lado. Um novo ocaso
A música das esferas

Mãe d'Água bem-ti-vis
Apolo no carro do sol. Sol
Sol sol que do outro lado

Da cachoeira do Sereno
Se põe. E logo ali
O córrego d'Anta

Deságua no pequi

(da série Sinfonia do Cerrado, no livro Perto Dois)

341

Idílio no Chapadão do Céu

Com você ao meu lado
Mulher gentil para amar
Não vejo o tempo passar

No restaurante da Dona Fia
Rapariga delicada para comer
Não vejo o tempo correr

De tarde passeamos pelas ruas
De mãos dadas seguindo a lua
Sequer vejo anoitecer

Bebemos êxtases e sidra
Mulher adormecida

Abro a janela
Para que entre a brisa
E eu veja o sol nascer


(em, Sinfonia do Cerrado)
307

Cachoeira do Sereno 2

Uma revoada de garças
Assusta o Gigante Adormecido

O ribeirão Monte
Desanda nas Torres

Araras e tucanos
Colorem bem-te-vis

Apolo no carro do sol
Esmaece no horizonte

Jaci desponta no céu oceano
Mãe d'Água alumia buritis

E a cachoeira do Sereno
Corre mansamente

(da série Sinfonia do Cerrado, no livro Perto Dois)

363

O Tíaso de Dioniso

Animais selvagens
Puxam o carro de Baco*

Quando passa a sua caravana
A era brota

E cachos de uva florescem
Ao toque do seu tirso no chão

As mulheres saem de casa
Vão para as montanhas

Celebrar o deus do vinho
Mênades dançam em frenesi

Uma dança frenética hipinotizante
Lançam a cabeça para trás

Gritando como animais selvagens
Possuídas pelo deus Brômio

No compasso da música ritmica
Se entregam à experiência divina

Junto à Sileno e às Ninfas
Faunos Sátiros e Centauros

Eros e Pã

* ALLAN. (2 de julho de 2021). Dionisíaco - Amor e Liberdade. Fonte: blogspot.com: www.dionisiaco-... Leia mais em https://scriv.com.br/menestrel/-1892899534

351

Canção do Vento e do Mar

O vento rege a música do mar
Vento vento vento 
Vai dizer pra ela

Que o meu amor não acabou
Que o fogo que queima e arde
Em segredo não apagou

Antes ao contrário
Este vento beira-mar
Apenas o avivou

384

Ao Mesmo Tempo

Ananás perolados 
Louçam a cantoneira
Verde óleo de madeira

E dourão a folhinha
Fixa na parede da cozinha

Da casa da minha avó
A bailarina argentina
O toureiro espanhol

Os dias precipitando da parede
Se esparramando no chão

Uns após os outros idênticos
Varridos por minha avó
Entre farelos de pão

354

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