Alguém interessado em usar a poesia como uma crônica poética do cotidiano, com realismo e imaginação.
Possuo mais de 30 anos no magistério superior tendo lecionado em Instituições de Ensino no Rio de Janeiro.
Alguém interessado em usar a poesia como uma crônica poética do cotidiano, com realismo e imaginação.
Possuo mais de 30 anos no magistério superior tendo lecionado em Instituições de Ensino no Rio de Janeiro. Sou mestre em Engenharia, pós-graduado em Metodologia do Ensino Superior e graduado em Engenharia Civil e Arquitetura.
Carrinhos de rolimã! Singelamente construídos com tábuas, restos de obra, rolamentos automotivos e sonho executado com afã.
Carrinhos de rolimã! Surfam nas ondas do asfalto em manobras no concreto, velozes no tubo mais alto, na garantia do freio de chinelo.
Carrinhos de rolimã! Em imprevisíveis manobras radicais vivenciam urbanas experiências, rolando velozes, descendo ladeiras, na cidade, pegando ondas maneiras.
Carrinhos de rolimã! Livres, correndo pelo prazer, deslizam com imensa emoção, sem disputa ou competição, apenas o simples sobreviver.
Carrinhos de rolimã! Na brincadeira da infância a incansável felicidade, talvez Juvenil inconsequência, que se perde com a maturidade.
272
Adoção
Encontro de almas em conciliação, ajuste divino de pura sensação. Coração aberto para a ocupação, sem consentimento ou autorização.
Chega devagar, como suave brisa, marcando presença, inundando a vida, conquistando espaços de afagos nos corações mais calejados.
Vivendo grande esperança, abraça a dádiva da vida com temperança, na certeza do generoso envolvimento, percebido nos gentis movimentos.
Vidas entrelaçadas, em doação de sentimentos de grande paixão. Transcendendo dúvida e hesitação na trama tecida em profunda emoção.
278
Jornada
Densa mata intensa, incontáveis seres habitam-na, sensíveis aos desígnios divinos.
Convictos e invictos certos de seus destinos, entre raios e trovões, seguem com suas opções.
Mata que concebe, percebe e persevera, impõe marcha severa aos súditos que gera.
Corrompe, mas, cura na jornada que endura os passos do caminhar, por trilhas, ainda, a trilhar.
Trilhando entre rios, atravessam a mata sem rumo, apenas brios, seguem a caminhada.
Avançando obstinados, superam a travessia e aguardam extenuados, o término de vital primazia.
297
O sabor do ponto final
Provo, porque as palavras fluem. Como doce néctar escorrem, em suculentas gotas de advérbios, mas engasgo-me com impropérios que amargam o meu degustar.
Provo, porque as palavras fluem. Coquetéis de frases inteiras consumo até a derradeira, embriago-me de tal maneira que me perco entre saideiras.
Provo, porque as palavras fluem. Sorvo, até os textos que contesto, pois, palavras são drinques, suaves ou não, que aprecio, os quais não canso de deleitar.
Provo, porque as palavras fluem. Líquidas, pela garganta vertem, algumas resistem outras divertem. No fim, todos provam, afinal, nada como o sabor do ponto final.
286
Irracional
Perco-me em minha loucura, totalmente envolvido com emoções e desatinos, Sem controle, não sei se opino no rumo que quero tomar. Deixo-me levar sem destino, pois, só a loucura é meu caminho onde me perco e me acho, se você quer me guiar, com seu jeito moralista de ser... Não me guie... Se você crê que pode me ajudar, pensando em me cuidar... Não me ajude... Mas, se você deseja me curar... Me esqueça... Se é para você me conhecer... Me entenda... Se você julga que não mereço sua fé... Não ore... Só lhe peço, quando de mim se esquecer... Não me ignore...
Tributo à Clarice Lispector, inspirado no poema Passional
321
Alma parnasiana
Vos direi que sou parnasiano. Ora direis, perdeste o senso! Então, vos direi, no entanto, que deves conter vosso espanto.
Se, à noite, com estrelas converso, não há dúvidas sobre meu verso. Meu estilo preservo, com objetividade, mas não dispenso sensibilidades.
Direis agora: mas isto é Parnasianismo? Então, vos direi: tenho alma parnasiana, mas minha crítica é cotidiana.
Vos direi mais: prezo a construção formal e o preciosismo vernacular tradicional. No entanto, cultuo, de fato, a crítica social.
Tributo à Olavo Bilac, inspirado no poema “Ora (direis) ouvir estrelas!” da coleção de sonetos intitulada” Via Láctea”.
474
No mormaço do entardecer
A chuva banhava, ao entardecer, mais um dia de intenso verão. Parecia querer amortecer o denso calor daquela estação.
A água fria lavava e escorria, levando a poeira do tempo acumulada na cumeeira de qualquer telhado sem beira.
Na casa simples, o telhado de madeira, sem laje, era só goteira... Pingando, molhando, transbordando... Memórias, em ondas, se afogando.
A chuva passa, o mormaço abraça, a tarde calada que sofre encharcada. Tentando enxugar as perdas contadas sobra a esperança, agora, desabrigada.
Esperança quase solitária afaga, enquanto abriga solidária, o desalentado que busca entender: por que no mormaço do entardecer?
362
Gaviões do oportunismo
Sentado no alpendre, deixei vagar meu olhar, absorto pelas nuvens, até perceber tenso voar.
Um jovem gavião fitava, a distância, a sua caça. Aguçado pelos instintos, seu objetivo ele espreitava.
Em voo rasante, certeiro, tornou derradeiro o lamento, d’angola que, sem alento, ciscava fora do galinheiro...
Lição brutal que leva à reflexão: fora do contexto natural, sem preparo ou experiência, expõe-se ao risco a sobrevivência.
A ignorância cria um falso escudo de convicção sobre quase tudo, expondo a verdade aos achismos de gaviões do oportunismo.
277
Uma pausa para o café
Coado em coador de pano, servido em bule da ágata, sorvido sem o correr insano no viver de uma vida pacata.
O ritmo que flui com o cheiro do café torrado e moído, no tempo certo curtido, guarda leve amargor brejeiro.
Memórias excitadas pelo olfato evocam épocas de outrora, atenuando a urgência do agora presente nestes tempos de impacto.
Da correria do café expresso quero a morosidade do café coado. Mas, sem relutar, eu confesso qualquer café aprecio empolgado.
336
Fanatizado
Não combina... Determina. Não discute... Repercute.
Do mundo racional mantém-se alienado.
Não ouve... Fala. Não pergunta... Reponde.
Das relações sociais mantém-se afastado.
Não propõe... Impõe. Não pondera... Atropela.
Do nexo democrático mantém-se apartado.
Não espera... Impera. Não analisa... Minimiza.
Vive sua realidade paralela na tutela de um mito desatinado...