Hera de Jesus

Hera de Jesus

Hera de Jesus é escritora e poeta moçambicana. Sua escrita transita entre o erotismo, a memória, a força feminina e a identidade, explorando as nuances da linguagem e da sensibilidade.

n. 0000-10-14, Maputo- Moçambique

Perfil
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Queremos, apenas, ser mulheres

Há pranto
há flores murchas
esmagadas 
pelos opressores
num mundo 
cruel para Mulheres.

Calcinhas acorrentadas 
ao pescoço
furtam-nos a essência
se resistimos
estoiram-nos o útero
e lançam-nos na sarjeta do mundo.

Nas montras das ruas
jazem flores
nuas
esmagadas
murchas e ensanguentadas
descorooadas.

Era uma vez...
Mulheres
que apenas
queriam ser Mulheres
num mundo cruel
para mulheres.

in Blasfêmeas Sangue e Poesia (2024)

Ler poema completo
Biografia

Hera de Jesus nasceu no bairro do Chamanculo, em Maputo, a 14 de outubro de 1989. Desde cedo, encontrou na escrita uma forma de expressão e existência, compartilhando seus textos inicialmente a portas fechadas e, a partir de 2012, nas redes sociais. Esse percurso a aproximou de escritores de renome, impulsionando sua produção literária e levando-a a participar de recitais de poesia.

Entre 2013 e 2017, foi distinguida em concursos internacionais de poesia. Seus textos estão publicados em diversas antologias, como Somos Todos Poetas (2015), Soletra Esse Verso (2018), Fique em Casa (2020), No Cais do Amor (2022), Kimpwanza (2023), A Boca no Ouvido de Alguém (2023), Blasfêmeas – Sangue e Poesia (2024) e Translúcido (2024). Também contribui para revistas literárias nacionais e internacionais, incluindo Lidilisha, Soletras, Òmnira, Contioutras, Por Dentro de África, Escamandro, Avenida Sul, Mallamargens, Folhinha Poética, Cultural Traços/Alta Cultura, Germinaliteratura, Incomunidade, Quiasmo e Kilimar.

Sua poesia explora temas sociais, eróticos e sensoriais, abordando a complexidade da experiência humana por meio de imagens marcantes e intensas. Atualmente, é membro da Confraria Brasil/Portugal e colaboradora da revista angolana Òmnira.

Poemas

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Cunilingus

Descerro as pétalas
 da tua fissura.
Em golpes lânguidos,
com a minha língua,
há um rio de prazer
que se desfaz em minha boca.

Vou desmatando o caminho
para a minha passagem.
Sinos disparam,
músculos contraem-se.

Essa volúpia
com que me necessitas,
imploras
para que eu te possua.

Sou soldado perdido
em terras alheias,
sob o calor intenso
que os nossos corpos emanam.

Fazemos
o cântico dos amantes
que se amam.
 

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Personalomanias

Que o abismo
desta vida
jamais se abra.

Engolindo
o que ainda
resta.

Esta besta,
atenta,
adentra
minha mente.

Sonolenta,
minha paz,
meus pensamentos,
subjuga.

Apavora-me,
esta exibição
penosa
da nudez
das minhas confidências.

Quem?
Senão eu,
e mais eu?

Meus enfados,
meus silêncios,
reticências.

Estes,
e outros mais,
heterônimos meus,
vestidos de cinza.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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