Iago R Carvalho

Iago R Carvalho

n. 2001 BR BR

n. 2001-10-18, Itumbiara

Perfil
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O truvão cabe no meus trem

Fico imaginando a dor do gramático ao ouvir meus trem
Meus truvão, minhas coisa e meus toró

Dói nos ouvidos maternos as gírias do filho
 Que tudo tá ok pra gente

Dói no ouvido do paulista e do carioca
Quando o nordestino fala das terra e dos cabra do sertão

-Fala certo, mineiro!- Grita-me o gramático
-Fala certo, filho!- Berra a mãe ao jovem
-Fala certo, nordestino!- Berram paulistas e cariocas

Fico no meu canto, aceito gíria, nordeste e mineiro
porque os meu truvão cabe no meus trem
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Poemas

24

Eu canto tu cantas os cantos

Eu canto
Tu cantas
Ele não canta
Nós cantamos
Vós talvez cantais
Eles definitivamente não cantam
Os cantos dessa sala
Hexaedro regular 
Paredes um pouco desgastadas
Vértices diminutos
Alvas paredes, beirando o monótono
Simbolismo
Janelas?
Não há janelas
Ambiente opressor
Eu canto e tu cantas
Sob o peso do concreto 
Ele não canta
Foi o engenheiro
Eles não cantam
Foram os pedreiros
Cantemos a alvenaria
250

A memória não persiste

Corro a distância de 200 segundos
Mas já passa das 15:30
Deveria voltar e trocar a camisa
Mas o sapato do vizinho está rasgado
Visto uma gravata rosa
Afinal hoje tem jogo do corinthians
Voa por sobre minha cabeça
Uma ave de papel em forma de cavalo
Grampeei minha mão na parede
Porque me mandou o cachorro gordo
Uma barra migratória me acerta a cabeça
Meu pé dói
Dinamismo da imobilidade móvel
Descanso da mobilidade imóvel
A grama está em um tom amarelo
Que condiz com os dentes de Maria
Não lembro quem é Maria
Será que já vi Maria?
Maria…
Maria…
Joaquim da Silva Pereira Neto
Correu o vira-lata!
Passou o trem!
O salgueiro me disse um segredo
Mas já esqueci
Volta a ser segredo
Chego ao trabalho com 7 minutos 
E 5 segundos de atraso
Meu chefe grita
Mas estou triste
Meu café esfriou
Dormi na viela ao lado do escritório
Escostei-me no mendigo
Que se encostava na lixeira
Perguntei seu nome
Era algo que começava com T
E terminava com V
Mas não faz diferença
Ninguém se importa
Eu mesmo não me importo
Acordo com dor no pescoço
Ouço o cantar das garrafas
Caramba! Já são 12 horas
Corro para o escritório,
Mas sento-me na mesa errada
Mais uma vez meu chefe briga
Me incomodo: o café não veio
Corro para casa e venço a corrida
Contra mim mesmo
Faço piadas com o cachorro
Agora está magro e mudou de cor
Ou sempre foi assim?
Deixei a porta aberta ontem
Levaram a ampulheta
Droga! Chegarei sempre atrasado
O Cavalo canoro solta um silvo agudo
A torneira pinga. Não a fechei
Os sons dos pingos entram na cabeça
Parecem tiros de fuzil
Um acerta
Morri
254

Vendo-me por carinho

Sou prostituta dos afetos humanos
Vendo-me por carinho
Dou-me em troca de carícias
Abro mão de mim, entrego-me a outrém
Conquistam-me o abraço e o beijo
Mas não mais os vejo
Como posso viver se não mais os vejo?
Se não sinto mais o abraço
Se não mordisco mais o beijo
Qual será meu erro crasso?
Que me afasta do beijo
Que me não aproxima do abraço?
Sou prostituta dos afetos humanos
Seguidor dos ensinamentos profanos
De ceder-me por carinho
Não me envergonha o que faço
Mas não mais o farei
Visto que não o posso
O porquê? Não sei
Dize tu, pois, meu erro crasso
Que me afastou do beijo
Que me priva do abraço
290

Autorretrato da alma

Olho para dentro:
O que vejo?
Algo vejo?
Se algo vejo, realmente o vejo?
Se realmente o vejo, entendo?
Se entendo, o que entendo?
Sinceramente,
Não faço ideia.
278

Poema capitalista

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Poema capitalista

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Epifania indigesta

Entrarás com teus irmãos pela via faringiana
Seguirás os mesmos caminhos por sobre a
                                                                   [epiglote humana
Descerás o esôfago assim como os demais
Em cavidade comum sofrerão as ações dos
                                                                   [ácidos estomacais
No intestino tomarão o mesmo trato biliar
Mas ficarás, e sentirás saudades
Daqueles que cruzaram as finas vilosidades

Verás teus irmãos seguirem a via mielóide
Mas descerás junto às trolhas que cruzam o sigmoide
Em descida aguda encontrarás sua última barreira
E, como num ataque epifânico,
Notarás que tu não passas de sujeira.

284

Epifania indigesta

Entrarás com teus irmãos pela via faringiana
Seguirás os mesmos caminhos por sobre a
                                                                   [epiglote humana
Descerás o esôfago assim como os demais
Em cavidade comum sofrerão as ações dos
                                                                   [ácidos estomacais
No intestino tomarão o mesmo trato biliar
Mas ficarás, e sentirás saudades
Daqueles que cruzaram as finas vilosidades

Verás teus irmãos seguirem a via mielóide
Mas descerás junto às trolhas que cruzam o sigmoide
Em descida aguda encontrarás sua última barreira
E, como num ataque epifânico,
Notarás que tu não passas de sujeira.

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Para fazer um presidente

1 copo de estupidez
1 colher de leite dos tetos do poder
2 golpes de azeite sacro
3 cubos de insensatez
5 xícaras de língua presa
8  taças de burrice

Misture tudo e deixe maturar por trinta anos, sovando de tempos em tempos com doses de palavras maldosas

Rende 4 porções
300

Poema de José

Ninguém queria ser José
Ninguém almejava ser José
Nem queria filhos Josés

Ninguém dava de comer a José
Ninguém dava de beber a José
Nem queriam que dessem aos Josés


Ninguém lia José
Ninguém escrevia a José
Nem queriam que lessem Josés


A pergunta que fica é:
Será que José é?
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