Lista de Poemas
Mais um dia
Mais um dia
A noite obscurece o horizonte
Talvez não vejamos mais o céu,
Mas é verdade que ele ainda lá está
Mais um dia
Os deuses horrendos de nossa existência brincam
Com a desgraça tardia
E tentam com seu julgo impiedoso
Mostrar-nos o é que não o é
Mais um dia
Será que realmente poderia o ser?
O ser contempla sua mazela e
Abaixa a cabeça
Mais um dia
Enfia o dedo na chaga
Na esperança de que algo sinta
E possa livrar-se do torpor
Mais um dia
O que é a dor?
Não mais o sei
-Nada sinto nessa ofuscadora escuridão de incertezas
A noite obscurece o horizonte
Talvez não vejamos mais o céu,
Mas é verdade que ele ainda lá está
Mais um dia
Os deuses horrendos de nossa existência brincam
Com a desgraça tardia
E tentam com seu julgo impiedoso
Mostrar-nos o é que não o é
Mais um dia
Será que realmente poderia o ser?
O ser contempla sua mazela e
Abaixa a cabeça
Mais um dia
Enfia o dedo na chaga
Na esperança de que algo sinta
E possa livrar-se do torpor
Mais um dia
O que é a dor?
Não mais o sei
-Nada sinto nessa ofuscadora escuridão de incertezas
350
Mutilar-se
Mutilo-me
E das feridas escorre o sangue roto de um morto
[Que ainda vive
Vive?
A vida é uma mentira contada para as crianças
E as mesmas crianças
Ja na fase adulta percebem a mentira
E, como eu, mutilam-se
Mutilam-se para se adequarem ao que as açoita
O açoite abre chagas em suas costas
E das feridas escorre o mesmo sangue roto
Sangue esse que, atingindo a terra,
Desperta os demônios que açoitam meu espírito
E do sangue que respiga tornam-se os versos
Que entram no vazio de quem não sente
E dos versos de sangue preencho-me de poesia
E das feridas escorre o sangue roto de um morto
[Que ainda vive
Vive?
A vida é uma mentira contada para as crianças
E as mesmas crianças
Ja na fase adulta percebem a mentira
E, como eu, mutilam-se
Mutilam-se para se adequarem ao que as açoita
O açoite abre chagas em suas costas
E das feridas escorre o mesmo sangue roto
Sangue esse que, atingindo a terra,
Desperta os demônios que açoitam meu espírito
E do sangue que respiga tornam-se os versos
Que entram no vazio de quem não sente
E dos versos de sangue preencho-me de poesia
272
Trago a voz
Não vos trago flores
Muito menos os trôpegos amores
Dos quais os meus falam sobre
Não vos trago a alegria e felicidade
Sobre a qual erigiram redômas de ouro
Não vos trago a bondade inexistente
Nas almas humanas
Não vos trago a beleza ideal
Da bela dama que guia a liberdade
Não vos trago alvas tinturas
Que recobriam os desenhos de iluminuras podres
Não vos trago o semblante divino
De um alto ser piedoso
-Aqui sou meu alto ser, maldito e indecoroso
Trago a vós o desespero
A dor e a agonia
Trago a vós a verdade sobre o mundo
As coisas nojentas da humanidade
Trago a vós maldições
Que não vos contam nas canções de amor
Trago a vós a representação do mal
Do desejo carnal que nos consome
Trago a vós a voz dos oprimidos
Dos servos putrefatos da miséria humana
Trago a vós a sensação de horror
Que simboliza vossa vida
Trago a vós a realidade
Não a estupidez da ignorância
Trago a vós sobretudo a verdade
O fado horrível da humanidade
Trago a vós o sentimento de desespero
A luz fétida do conhecimento
Trago a voz a noção da ignorância
A percepção de nossa inconstância febril
Trago a vós os fatos
A elegia contemporânea
Trago a vós a noção mundana
Sem a idealização do sentimentalismo natural
Trago Voz aos povos
-Esquecidos pela arte e pela verdade dos mais novos
Muito menos os trôpegos amores
Dos quais os meus falam sobre
Não vos trago a alegria e felicidade
Sobre a qual erigiram redômas de ouro
Não vos trago a bondade inexistente
Nas almas humanas
Não vos trago a beleza ideal
Da bela dama que guia a liberdade
Não vos trago alvas tinturas
Que recobriam os desenhos de iluminuras podres
Não vos trago o semblante divino
De um alto ser piedoso
-Aqui sou meu alto ser, maldito e indecoroso
Trago a vós o desespero
A dor e a agonia
Trago a vós a verdade sobre o mundo
As coisas nojentas da humanidade
Trago a vós maldições
Que não vos contam nas canções de amor
Trago a vós a representação do mal
Do desejo carnal que nos consome
Trago a vós a voz dos oprimidos
Dos servos putrefatos da miséria humana
Trago a vós a sensação de horror
Que simboliza vossa vida
Trago a vós a realidade
Não a estupidez da ignorância
Trago a vós sobretudo a verdade
O fado horrível da humanidade
Trago a vós o sentimento de desespero
A luz fétida do conhecimento
Trago a voz a noção da ignorância
A percepção de nossa inconstância febril
Trago a vós os fatos
A elegia contemporânea
Trago a vós a noção mundana
Sem a idealização do sentimentalismo natural
Trago Voz aos povos
-Esquecidos pela arte e pela verdade dos mais novos
268
Vago
Se divago em meio ao campo vago
Vago, mas ainda sim lotado
E por ele vago
Carregando cestos de palavras vagas
Derramando rios de poesias vagas
Murmurando trechos daquilo que nunca vão ouvir
Trechos vagos, claro
E da inércia na qual me fruo
Sinto que esse é tempo de poemas rasos
É o tempo da poesia vaga
E do vago me corre a vaga
A vaga da desesperança
E vendo as coisas que um dia disse
Percebo que do fruir ainda sou criança
Novo ainda na dança vaga
E que de novo, mesmo com tanta andança
Careço de toda forma
A forma que tenho é disforme e se deforma
Deforma, reforma, deforma
Volta sempre à prima forma
E no seguir da norma
Norma que não entendo,
É, pois, vago pensar
Me jogo então
Nas vagas do meio
Do campo vago em que vago
Do circuito fechado que me pus a cruzar
Digo não te preocupes
Que nada há com que se preocupar
Se te digo que me mato
Morri nas palavras
Se te digo que me espanco
Minhas úlceras são verbos
Se te digo que me xingo
Meus xingamentos são subjetivos
Se te digo que não me importo
Importei-me há muito
Se te digo que me corroo
Já nem existo mais
E se existo
Minha existência é vaga
Tal como minha poesia
Vago, mas ainda sim lotado
E por ele vago
Carregando cestos de palavras vagas
Derramando rios de poesias vagas
Murmurando trechos daquilo que nunca vão ouvir
Trechos vagos, claro
E da inércia na qual me fruo
Sinto que esse é tempo de poemas rasos
É o tempo da poesia vaga
E do vago me corre a vaga
A vaga da desesperança
E vendo as coisas que um dia disse
Percebo que do fruir ainda sou criança
Novo ainda na dança vaga
E que de novo, mesmo com tanta andança
Careço de toda forma
A forma que tenho é disforme e se deforma
Deforma, reforma, deforma
Volta sempre à prima forma
E no seguir da norma
Norma que não entendo,
É, pois, vago pensar
Me jogo então
Nas vagas do meio
Do campo vago em que vago
Do circuito fechado que me pus a cruzar
Digo não te preocupes
Que nada há com que se preocupar
Se te digo que me mato
Morri nas palavras
Se te digo que me espanco
Minhas úlceras são verbos
Se te digo que me xingo
Meus xingamentos são subjetivos
Se te digo que não me importo
Importei-me há muito
Se te digo que me corroo
Já nem existo mais
E se existo
Minha existência é vaga
Tal como minha poesia
134
Gatilhos
Ratos?
Esgotos?
Bitucas de cigarros?
Nas ruas
Entupidos
Queimam nuas
Pinturas?
Latas?
Usuras?
Mal vistas
Gerais
Bem quistas
Drogas?
Devaneios?
Togas?
Censuras
Libertadores
Escusas
Rabiscos?
Papéis?
Petiscos?
Caros
Bem ricos
Raros
Cadeiras?
Estátuas?
Candeias?
Intocáveis
Mentirosas
Inutilizáveis
Pobres?
Vendas?
Nobres?
Invisíveis
Faliram
Risíveis
Saúde?
Lazer?
Alaúde?
Escassa
Não temos
Sem graça
Prazeres?
Sentidos?
Haveres?
Negados
Nebulados
Obrigados
Capital?
Egoísmo?
Estatal?
De alguns
De todos
Dos nenhuns
A Noite?
Os dias?
O açoite?
Terrores
Voando
Nossas dores
E futuros?
E amores?
E furos?
Aos ricos
Aos brancos
Aos pretos
Esgotos?
Bitucas de cigarros?
Nas ruas
Entupidos
Queimam nuas
Pinturas?
Latas?
Usuras?
Mal vistas
Gerais
Bem quistas
Drogas?
Devaneios?
Togas?
Censuras
Libertadores
Escusas
Rabiscos?
Papéis?
Petiscos?
Caros
Bem ricos
Raros
Cadeiras?
Estátuas?
Candeias?
Intocáveis
Mentirosas
Inutilizáveis
Pobres?
Vendas?
Nobres?
Invisíveis
Faliram
Risíveis
Saúde?
Lazer?
Alaúde?
Escassa
Não temos
Sem graça
Prazeres?
Sentidos?
Haveres?
Negados
Nebulados
Obrigados
Capital?
Egoísmo?
Estatal?
De alguns
De todos
Dos nenhuns
A Noite?
Os dias?
O açoite?
Terrores
Voando
Nossas dores
E futuros?
E amores?
E furos?
Aos ricos
Aos brancos
Aos pretos
125
Carne
Sou poema sem sentido
Existo apenas para incomodar
Leigos e críticos sem coração
Que ao invés de sentir poesia
Tentam ler
Ora, se queres explicações
Vá para o inferno!
O poema que se explica
Que se abre
Que não guarda seus segredos
Que não intriga quem o sente
Poema não é
Grandes são as histórias que se redige
Com base na palavra carne
Mas
Se pensar direito
Não seria a palavra carne
Mais poética que essas histórias?
Serei então uma ode à carne
Louvarei as proteínas
As teias intrincadas de aminoácidos
Que conferem sua motilidade
Exaltarei suas várias cores
Exaltarei suas configurações espaciais
Mas no fim nada importa
Porque a carne em si é poesia
A mim, direis, que importa
Que carne é só uma palavra
A isso, digo-vos:
Que me importa?
Sou ode à carne
Sou não texto com sentido
Sou delírio de um idoso senil
E que é um delírio se não algo
Que em toda sua irracionalidade
Traz ao mundo um pouco de lógica?
Sou delírio também
Sou e não o Sou
O que isso me importa?
Nada, sou ode à carne
Existo apenas para incomodar
Leigos e críticos sem coração
Que ao invés de sentir poesia
Tentam ler
Ora, se queres explicações
Vá para o inferno!
O poema que se explica
Que se abre
Que não guarda seus segredos
Que não intriga quem o sente
Poema não é
Grandes são as histórias que se redige
Com base na palavra carne
Mas
Se pensar direito
Não seria a palavra carne
Mais poética que essas histórias?
Serei então uma ode à carne
Louvarei as proteínas
As teias intrincadas de aminoácidos
Que conferem sua motilidade
Exaltarei suas várias cores
Exaltarei suas configurações espaciais
Mas no fim nada importa
Porque a carne em si é poesia
A mim, direis, que importa
Que carne é só uma palavra
A isso, digo-vos:
Que me importa?
Sou ode à carne
Sou não texto com sentido
Sou delírio de um idoso senil
E que é um delírio se não algo
Que em toda sua irracionalidade
Traz ao mundo um pouco de lógica?
Sou delírio também
Sou e não o Sou
O que isso me importa?
Nada, sou ode à carne
139
Literalmentes
Dize-me que sou
Literalmente a pior pessoa que conheces
Dize-me que sou
Literalmente uma anta
Dize-me que sou
Literalmente um animal
Dize-me que sou
Literalmente tudo o que não é literal
114
Mutilar-se
Mutilo-me
E das feridas escorre o sangue roto de um morto
[Que ainda vive
Vive?
A vida é uma mentira contada para as crianças
E as mesmas crianças
Ja na fase adulta percebem a mentira
E, como eu, mutilam-se
Mutilam-se para se adequarem ao que as açoita
O açoite abre chagas em suas costas
E das feridas escorre o mesmo sangue roto
Sangue esse que, atingindo a terra,
Desperta os demônios que açoitam meu espírito
E do sangue que respiga tornam-se os versos
Que entram no vazio de quem não sente
E dos versos de sangue preencho-me de poesia
E das feridas escorre o sangue roto de um morto
[Que ainda vive
Vive?
A vida é uma mentira contada para as crianças
E as mesmas crianças
Ja na fase adulta percebem a mentira
E, como eu, mutilam-se
Mutilam-se para se adequarem ao que as açoita
O açoite abre chagas em suas costas
E das feridas escorre o mesmo sangue roto
Sangue esse que, atingindo a terra,
Desperta os demônios que açoitam meu espírito
E do sangue que respiga tornam-se os versos
Que entram no vazio de quem não sente
E dos versos de sangue preencho-me de poesia
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