Permita-se
Eu lamento muito
Não que tenhas errado
Mas porque não se tenha permitido
Sentir o calor do sol
A brisa no rosto
O perfume das rosas
O toque na pele
Não, não quisestes ao menos ouvir
O canto dos pássaros
Que tanto insitiam em cantar para ti
Tu tapastes os ouvidos
Cerrastes os olhos
Calastes a boca
Ignorastes
Entristeci, não porque te fechastes
Espero que te arrependas
E que não te tardes
Pois antes que te apercebas
As nuvens encobrem o sol
A chuva impede a brisa
As pétalas caem ao chão
Os calos insensíbilizam o toque
Os pássaros migram pro sul
Espero que não te tardes
Não me incomodes mais
Não me procures mais
Já não quero olhar teus olhos
Nem ouvir tuas palavras
O som da tua voz irrita-me
Não me culpes por nada
Não pedi o teu amor
Tu mesma te iludistes
Também não te usei
Foi uma troca
Mas agora passou
Siga tua vida como sempre fizestes
Não te preocupes com meu caminho
Apenas a mim pertence
Não me incomodes mais com o teu amor
Entregue-o a outro alguém
Pensando bem, não o faças tão rápido
Espera um pouco, se quiseres, é claro
Deixa apenas eu olhar-te
Antes que te vás
Por favor, não chores
Pra não apagar o brilho dos teus olhos
Boas lembranças guardarei de ti
Não vires-me as costas
Não te vás ainda
Espere por mim
Teu caminho me pertence, lembras?
E o meu pertence a ti
Fiques, eu imploro
Não abandones-me aqui, volte atrás
Por que ficastes muda?
Já não me amas mais?
Já me esquecestes
Tarde demais
Astro-Rei
Todos os astros desejam me amar
As estrelas anseiam por minha pele
Mas nenhum desperta em mim
O desejo de amá-los também
Exceto um
O sol
O sol irradia alegria
Toca minha pele
Penetra no meu peito
Me rouba inteira
Me mantém refém
Me faz prisioneira
O astro-rei é exuberante
Desnuda tudo
Que guardo no peito
Me seduz inteira
Me faz escrava
Do seu calor
Quando estou aquecida
Me faz esquecida
Esconde-se em densas nuvens
Distancia, esfria
Congela
Deixa me fria a pele
Sede
Espero,
Indecisos pensamentos
Cercam-me
Como sombras
Ignoro,
Suaves lembranças
Vem-me
Como sono
Afasto,
Doces desejos
Aguçam-me
Como fome
Procuro,
Amargo sabor
Corrói-me
Como veneno
Oh Senhor da razão,
Dize-me, qual copo
Saciar-me
A sede?
Única
Dizem- me que sou normal
Entretanto, fujo insistentemente à normalidade
A simples ideia de ser comum
Apavora-me
Como posso ser normal? Ou comum?
Se a própria natureza
Desenhou em minhas mãos
Traços únicos que jamais serão vistos em outras mãos?
Como posso ser igual?
Se o próprio brilho dos meus olhos
Não se encontram
Em nenhuns outros olhos?
O mundo que eu vejo
Certamente não é
E não será
O que outro vê ou verá
Cada dia, cada minuto, cada segundo
Apenas eu os poderei narrar
Cada memória, cada lembrança, cada sentido
Apenas em minha mente poderão regressar
Poeta da Alma
Entre mares profundos
Mentes conectam-se
Conhecimento atrai
Personalidades distintas
Grande pequeno mundo
Com suas fronteiras invisíveis
Rompidas por vontades uníssonas
Doce imaginação
Linguagem da alma
Desperta o desejo
De desvelar imaginação
Comprimida nos olhos
Um rosto, um olhar, um sorriso
Um momento, um lugar
Aonde? Digo avidamente
Não sei
O que importa?
A voz da alma é só uma
Aqui, ali, agora, depois
Tanto faz
Ganhar ou Perder
é um jogo, sim é um jogo
Que embora eu use todas as cartas
Certeza não tenho
De que irei ganhar
As cartas estão na mesa
Sentamos frente à frente
Dois astutos jogadores
Com estratégias opostas
Um blefe luminoso
Mostra me quem é
O melhor jogador
De perdedor a ganhador
Mas será que quem perde
Realmente perde?
Será que quem ganha
Realmente ganha?
Ganha-se por perder
O que não tem valor
Perde-se por ganhar
O que por suposto se ganhou
Profundidade
Ouço constantemente palavras vazias
de sentido, sentimento e profundidade
Gente como muitos objetivos e nenhuma direção
Labutam por labutar
Amam por amar
Fazem por fazer
E e o pior de tudo
Vivem por viver
Querem boa labuta
Mas esforço nenhum empenhar
Querem um grande amor
Mas nenhum amor querem dar
Querem tudo na vida
Mas nada compartilhar
Buscam todos os amores
E a nenhum se permitem amar
A mim agrada a solidão profunda
À companhia superficial
Agrada-me o nada
À labuta sem suor
Agrada-me amar sozinha
A amores sem razão
Agrada-me viver cada segundo
A passar pela vida sem sentido profundo