A HORA É AGORA
Por vezes paramos e perguntamos
E isso que sonhei pra minha vida?
Não nos reconhecemos
A história parece inventada
O oposto do que pensamos que ia ser
às vezes calamos
Mas questionamos se somos feliz
Na vida, no trabalho, no amor
Queremos mais
Muito mais
Não há o que esperar
Não dá pra esperar
A vida está passando
A hora é agora
A hora de ser feliz!
Já não sou quem fui
Me ponho a perguntar
Quem roubou minha força?
De tudo que já fui
Sinto grande saudade
O não que se transformava em sim
De quando não havia distância
Não havia empecilho
Na busca de minhas estrelas
Mal ponho o pé pra fora
Mal esboço um amerelo sorriso
Onde está meu sorriso?
Que se ria da criança pentelha
Que se deleitava com os amigos
Que sentia o alívio da paz
O amargor da vida adulta
Momento que outrora era sonho
Na crua realidade mostra
Que bom mesmo é ser criança
Inocente criança
Que pensa que o mundo é azul
Que o impossível não existe
Que todas as pessoas são boas
Que todos os sorrisos são sinceros
Que as estrelas não são tão longe
E que o amanhã
O amanha, será melhor
TAPA NA CARA
Às vezes se faz necessário
Uma sacolejada
Para sentirmos o que não está bem
Como um tapa na cara
Quando estamos a vontade
Nos pega de surpresa
E nos fazem perplexo
Cai-nos grande tristeza
Sensação de fracasso
De perca para nós mesmos
Comumente isso acontece
Quando o tempo passa
E nem percebemos
Nossos pensamentos tornam se palavras
Nossas palavras tornam-se ações
Nossas ações, hábitos
Nossos hábitos moldam nosso caráter
Nosso caráter a nossa vida
Ainda bem que existem os bofetões da vida
Porque sem eles seríamos levados
Pela maré de mesquinharia
Que moldam as mentes incautas
O antídoto pra essa dor machuca
Convém introspecção, meditação
E acima de tudo o mais difícil
Sinceridade para com nós mesmos
E ainda mais hercúleo, forças
Forças para mudar
O que não está indo bem
UM AMOR QUE NUNCA MORRE!
Há quem diga que
Amizade é um amor que nunca morre
Pode ser, em alguns casos
Tenho amigos de infância
Que sempre se fazem presente
Em minha humilde memória
Amigos de escola
Amigos de vizinhança
Amigos de férias
E até amigos que
Em poucas horas inexplicavelmente
Tornaram-se como nosso irmão
Mas todos passaram e talvez nem mesmo
Lembrem-se de fizemos história
Ou talvez se lembrem sim
Feliz aquele que pode
Sem nenhum receio
Pronunciar a palavra amigo
E ter a certeza de que tal sentimento
Nunca morrerá
Pois o que muitas vezes vejo
São interesses e conveniências
Hoje ao olhar pro lado
Vejo que amizade é uma jóia
Em último exemplar
Com muitas réplicas
(quase) perfeitas
Mas que amizade mesmo
Só as que guardamos na memória
Trégua
Não deixarei que roubes
Minha tão sonhada tranquilidade
Por que já matei em meu peito
A dor da tua saudade
Voltastes não sei porquê
Abri uma trégua contigo
Mas por ti não mais
Deixarei-me convencer
A pricípio dominou-me
Grande euforia
Foi o orgulho ferido
Sedento de solução
De ti nada mais me importa
Não te aproximes de mim
Querendo abrir de novo essa porta
Não penses que sou radical
Secaram me as lágrimas
Como a seca castiga os rios
O tempo fará com que passe
E que possamos seguir
Pro amor que um dia
Certamente há de vir
RECONCILIAÇÃO
O tempo prova tudo
O que é falso
O que é verdadeiro
O que vai
O que fica
Ainda não sei se é falso
Ou verdadeiro
Se irá para sempre
Ou se ficará de vez
O tempo passou
Levou-te de mim
E o trouxestes de volta
Rendeu-se aos meus pés
Aceitei-te de volta
Um novo ciclo de tempo
Recomeça agora
Não sei se aqui ficaremos
O se pra sempre iremos embora.
Caracóis
Chega de mansinho
Olha me nos olhos
Pede meu carinho
Rosto feito a pincel
Queres me levar
Pra voar no teu céu?
Faz-me fica muda
Tira-me o folêgo
Se a mim toda estuda
Olhos tão profundos
Brilham feito sóis
Deixa-me a sonhar
Faz-me até pensar
Que voltarei a amar
Leve-me às nuvens
Tire-me do chão
Pois meu maior desejo
É entregar-lhe meu coração
Novo jeito
Dizem que depois da tormenta
Vem a bonança
Se é verdade, não sei
Mas após tanta dor
Tenho um novo jeito de ver
Sofrimento refina
Dores calejam
Não é de todo ruim
Pelo menos protege
Ensina, fortalece
A ostra produz a pérola
Tão linda que enfeita as mulheres
Não apenas depois
De sofrer e gemer
Assim sou eu nessa vida
E o que a dor
Me fez aprender
Ainda estou aqui!
Ainda estou aqui
Mesmo que não me vejas
Por quanto tempo?
Ainda não sei
Mas não me espere!
Sou como uma escultura
Não me mexo
Não falo
Não procuro
Mas ainda estou aqui
Apenas meus olhos te acompanham
Indiferente sigo meu caminho
Se nada tens a dizer
Também nada tenho a declarar
Uma nuvem no céu
O vento sopra
E se desfaz
O passar do tempo
Os anos passaram depressa
Quase não percebi
Ainda ontem era uma pequena
Cuja boneca era uma flor
Falava sozinha
Pensava alto
Na palma da mão
Uma joaninha
Passaram tão rápido
Esses anos tão longos
Vinte e cinco
De um século, um quarto
Uma pequena história
Escrita no tempo
Uma coisa se mantém
Desde outrora
E persiste até agora
O mesmo olhar
Os mesmos olhos
Doces e pacíficos
Quentes e intensos
Antíteses frequentes
E assim se manterão
Até que se fechem
Ou que em sono retornem