Lista de Poemas

NÃO VOU MAIS FAZER PLANOS

Não vou mais fazer planos
Não vou mais esperar
Não vou mais me iludir
Não vou mais sonhar
Vou seguir conforme o momento
Porque eu já fiz planos
Eu já esperei
Eu já me iludi
Eu já sonhei
Os planos falharam
A espera nunca chegou
A ilusão me cegou
E o sonho tornou-se pesadelo
Então vou viver o momento
Vou me conformar com o que vier
Confiarei apenas nos meus olhos
E os sonhos, trocarei por realidade
Quem sabe assim as coisas aconteçam
Os momentos cheguem
Eu seja surpreendida
E seja feliz, não somente nos meus sonhos
Mas na minha realidade!









986

Viajar no meu barquinho

Eu queria ter um barquinho
Pra remar, remar, remar
Quando chegasse ao meu destino
O meu amor poder encontrar

Vou fazer esse barquinho
Com muito zelo e anelo
Pois sonho diariamente
O momento em que irei vê-lo

Pra chegar ao meu destino
Terei uma longa viagem
Mas aumenta minha força
Quando penso em sua imagem

Não quero que meu amor se assuste
Por tamanha ousadia
Por querer tanto revê-lo
Penso nisso noite e dia

Fico imaginando
O que meu bem irá pensar
E se ele não me quiser
Muito triste vou voltar

E se sozinha eu voltar
Uma certeza eu vou ter
Fiz tudo o que pude
Para perto dele viver


Mas se ele aceitar
Uma coisa podes escrever
O farei muito feliz
Enquanto ele viver

Seja sim ou seja não
A certeza irei ter
E a vida continua
Na dúvida não se pode viver






507

O passar do tempo

Os anos passaram depressa
Quase não percebi
Ainda ontem era uma pequena
Cuja boneca era uma flor
Falava sozinha
Pensava alto
Na palma da mão
Uma joaninha
Passaram tão rápido
Esses anos tão longos
Vinte e cinco
De um século, um quarto
Uma pequena história
Escrita no tempo
Uma coisa se mantém
Desde outrora
E persiste até agora
O mesmo olhar
Os mesmos olhos
Doces e pacíficos
Quentes e intensos
Antíteses frequentes
E assim se manterão
Até que se fechem
Ou que em sono retornem

455

Mudanças

A cada dia somos um novo ser
Hoje diferente de ontem
E amanhã diferente de hoje
E não há nada que se possa fazer
Para evitar essa mudança
É inconsciente
Involuntária
Irrevogável
Somos outros porque
Cada dia é um novo dia
Que nos molda
Nos modifica
Nos esculpe
Cada dia com seu sofrimento
Cada dia com desilusão
Cada dia com sua dificuldade
Cada dia sua alegria
Tudo nos marca e nos transforma
As pessoas que estão em nossa vida
Também influenciam no ser que somos
Aceitemos ou não
Seja com uma ação
Uma palavra
Um sorriso
Um silêncio
Somos obrigados a mudar pelas circunstâncias
Mudamos porque o tempo muda
E também porque não podemos ficar estagnados
Mas mudanças doem e ferem
Porque requer sair da zona de conforto
Ir ao encontro do novo
Ou de encontro com ele
Mas o mais importante
É que mudemos
Mudemos pra melhor
481

Metamorfose

Sinto-me qual lagarta
Dentro do seu casulo
Pobre lagarta sem forma
Sem liberdade, sem brilho
Sente muita dor em seu aperto
Não conhece o mundo
Não sabe o que a espera
Uma hora de uma forma
Outra hora de outra
Qualquer tentativa de ajudá-la
Apenas causaria mais sofriemento
Trata-se de um processo natural
Repentinamente sente uma profunda dor
Chega a imaginar que não mais viverá
E no clímax do seu sofrimento
Algo maravilhoso acontece
Uma frecha de luz
Ameniza-lhe a dor
A brecha abre-se mais e mais
Sua dor esvai-se lentamente
Mas ainda sente-se fraca
Não reconhece seu corpo
Percebe asas brilhantes
Ainda tímida esboça voo
E num súbito ato de coragem
Abre suas asas e voa
Voa, voa, voa
573

Não me incomodes mais

Não me procures mais
Já não quero olhar teus olhos
Nem ouvir tuas palavras
O som da tua voz irrita-me
Não me culpes por nada
Não pedi o teu amor
Tu mesma te iludistes
Também não te usei
Foi uma troca
Mas agora passou
Siga tua vida como sempre fizestes
Não te preocupes com meu caminho
Apenas a mim pertence
Não me incomodes mais com o teu amor
Entregue-o a outro alguém
Pensando bem, não o faças tão rápido
Espera um pouco, se quiseres, é claro
Deixa apenas eu olhar-te
Antes que te vás
Por favor, não chores
Pra não apagar o brilho dos teus olhos
Boas lembranças guardarei de ti
Não vires-me as costas
Não te vás ainda
Espere por mim
Teu caminho me pertence, lembras?
E o meu pertence a ti
Fiques, eu imploro
Não abandones-me aqui, volte atrás
Por que ficastes muda?
Já não me amas mais?
Já me esquecestes
Tarde demais
699

Toma o meu silêncio

Minha voz enfraqueceu, apenas tenho este último fio
Para dizer-te estas últimas palavras
Já dissestes todas as palavras, todo meu amor, toda minhavontade
Apenas o nada me destes como resposta
Então perdi a voz, que antes ecoara tão graciosamente
Em amor, em esperança, em ilusão, em desilusão, em pranto,em arrasto
Mas agora nada tenho a dizer, somente que deixarei meu silencio
falar por mim
O mesmo silêncio que me das agora, será o que te darei de hoje em diante
Mas meu silêncio não será calar por calar
Será um silêncio de quem já dera todas as palavras e nada mais tem a dizer
O silêncio que quem já falou muito
Um silêncio de quem após muito lutar, entrega as armas erende-se
Conformando-se com a perda, com a partida, com a ausência
Tu calastes por calar
Eu agora calo de tristeza conformada e depois passada
Calo, porque apenas isso tenho a lhe dizer agora
Para ti, não tenho mais voz


619

NÃO É O POETA

Ao poeta Deus deu o dom
De falar de tudo
Do mar, do céu, do sol, da terra
De tocar corações, falar de amor

Um ser tão sensível ouve
O som calamante dos seres atormentados
E transforma em versos
O que aos olhos é invisível

Se a linda donzela espera o amor
o poeta escreve
Com suas belas palavras
Tudo o que lhe causa dor

Se o cavalheiro perde
Sua amada dama
O poeta transforma em versos
Todo o seu grande drama

O poeta também fala de suas dores
de seus dramas, de seus caminhos
Admiração, ilusão
E também fala de seus amores

Mas o poeta tem faces mil
Pode ser feliz, triste, melancólico
Traduz em palavras
O que nos olhos não se viu

No momento mágico da poesia
O poeta sofre, geme, sente agonia
Pois deseja transparecer palavras
Tão claras quanto a luz do dia




565

LAVAR A ALMA

Mais uma vez o mesmo amargor
A mesma sensação
De estar a um passo do rio
E não poder saciar a sede
Meus olhos secaram
Como chuva que já molhou a terra
Mas não renovou a relva
A seca persiste
Sem chuva, sem renovação
Mais uma vez a mesma instabilidade
A sensação de impotência
Como a do sertanejo
Que não sabe se a terra brotará amanhã
E por mais que ele are, regue, cultive
Precisa que a chuva cumpra seu papel
Sou como o sertanejo
Mesmo os céus dizendo que não
Espera que ela venha amanhã
Lavar a terra
Brotar semente
Crescer o fruto
Matar a sede
Lavar a alma
Brotar o sorriso
Crescer o amor
Matar a sede
649

Permita-se

Eu lamento muito
Não que tenhas errado
Mas porque não se tenha permitido
Sentir o calor do sol
A brisa no rosto
O perfume das rosas
O toque na pele
Não, não quisestes ao menos ouvir
O canto dos pássaros
Que tanto insitiam em cantar para ti
Tu tapastes os ouvidos
Cerrastes os olhos
Calastes a boca
Ignorastes
Entristeci, não porque te fechastes
Espero que te arrependas
E que não te tardes
Pois antes que te apercebas
As nuvens encobrem o sol
A chuva impede a brisa
As pétalas caem ao chão
Os calos insensíbilizam o toque
Os pássaros migram pro sul
Espero que não te tardes

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