ivchristianmarrs

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Músico e licenciado em História, dedicando-me grandemente à criação artística, nomeadamente musical e poética. As viagens e tours com a banda Albaluna proporcionaram uma nova visão sobre a arte, altamente influenciada pelos motivos tradicionais e étnicos de todos vários sítios do Mundo.

Perfil
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Eclipses

Tenho as minhas vontades ligadas
Aos mais pagãos ambientes do céu
Se está escuro, sou como o breu.
Se faz sol? Sou outro eu.
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Biografia
Nascido nos Países Baixos e de ascendência portuguesa, sou músico e licenciado em História, dedicando-me grandemente à criação artística, nomeadamente musical e poética. As viagens e tours com a banda Albaluna proporcionaram uma nova visão sobre a arte, altamente influenciada pelos motivos tradicionais e étnicos de todos vários sítios do Mundo.

Poemas

14

Chiaroscuro

Mote:

Sem ter o mesmo azul do mar
Semblante obscuro
No fim um novo acordar
Num chiaroscuro

Glosa:

Rastos de mágoas pendentes
Procissões de meias-gentes
Havendo todo um céu por revelar
Sem ter o mesmo azul do mar

Todos os inícios aperfeiçoados
Breve visão dos dias claros
Sempre nova na voz em que murmuro, com este
Semblante obscuro.

Matam-se sonhos com o olhar
No fim um novo acordar.

Ilumina-se aqui
Tenebrista de branco e treva
Preencheu-se um abismo em mim
Onde um novo e vasto monte impera.
Na vertigem de ser
Sem medo de me perder
Num sonho absurdo…

Entra sem voltar atrás!
Entra! Encontra-te onde estás!
131

Alão

Escorre escarlate pela goteira
Não sendo esse o seu valor
Pinta em loriga de peleja
A pesada cor da dor.
E não sendo esse o seu valor
Vai escudeiro na goteira
Sucumbe qual bicho em montaria
Alão traz morte na peteira.
Pinta em loriga de peleja
Maior essa, a falha humana
Cavaleiro prova a terra
Na qual ele mesmo se dana.
A pesada cor da dor
Viseira ofusca e retém
Fica homem derreado
Filho de um pai e mãe.
Escorre escarlate pela goteira
Sucumbe qual bicho em montaria
Viúva, mãe de órfãos, se desdenha
Peleja toma tão nobre cria
Não é fidalgo mas filho de alguém
Esse que é pai é também filho de mãe.
146

Pontilhismo ao Pôr-do-Sol

Na inocência em que vos vejo
Sois como campos de flores
Pontilho de todas as cores
O vosso prado de virtudes
Numa tela vaga e rude.

Três silhuetas desiguais em contraluz
Divagando nos campos de flores
Do jeito em que vos retenho
Cabe todo o céu num só desenho.
187

NÓS OSSOS QVE AQVI ESTAMOS PELOS VOSSOS ESPERAMOS

Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos
Entre as sombras da noite geram-se as luzes da madrugada
Tomba, quebra, cai irrelevante
Vai-se esse distante infante
Cheio de visões e ideologias
Que com ventos e calmarias
Deforma o corpo, a mente inflamada
Entrem servos de vossos amos,

Ossos novos convidamos!

Nós ossos que aqui estamos pelos vossos aguardamos
A carne podre que vos pesa de nada serve nesta mortal festa
Tudo o que fomos e marcámos
Só a medo e vozes banhámos
Fomos vácuo para Cronista
E popular conto não nos regista
Serve o tempo que nos resta para contar ao infante qu’ela gesta
Sábia força, pajens e amos,

Aqui dentro nos encontramos!

Nós ossos que aqui estamos pelos vossos ansiamos
Vivam esperando a Comum Sorte
Sapiência que tal ainda não superou
Soprou a arte do que rastejou
Que as mãos ergueu por talento
Imortal ciclo em movimento
O eterno projecto que se alimenta da morte
Somos berço, somos ramos,

E sem idade sorvemos anos!

Nós ossos que aqui estamos pelos vossos reclamamos
Com vagos olhos vos fitamos
Com mãos mortas acenamos
E quando o tempo vos entedia
Com belos esgares o enfrentamos

Pois se vos custa, avancemos
Com nobres poses vos acolheremos
Para ela caminhámos, por ela perecemos
Remediando eternos danos

Nós ossos qve aqvi estamos em silêncio vos convocamos!
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