ivchristianmarrs

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Músico e licenciado em História, dedicando-me grandemente à criação artística, nomeadamente musical e poética. As viagens e tours com a banda Albaluna proporcionaram uma nova visão sobre a arte, altamente influenciada pelos motivos tradicionais e étnicos de todos vários sítios do Mundo.

Perfil
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Eclipses

Tenho as minhas vontades ligadas
Aos mais pagãos ambientes do céu
Se está escuro, sou como o breu.
Se faz sol? Sou outro eu.
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Biografia
Nascido nos Países Baixos e de ascendência portuguesa, sou músico e licenciado em História, dedicando-me grandemente à criação artística, nomeadamente musical e poética. As viagens e tours com a banda Albaluna proporcionaram uma nova visão sobre a arte, altamente influenciada pelos motivos tradicionais e étnicos de todos vários sítios do Mundo.

Poemas

14

Pontilhismo ao Pôr-do-Sol

Na inocência em que vos vejo
Sois como campos de flores
Pontilho de todas as cores
O vosso prado de virtudes
Numa tela vaga e rude.

Três silhuetas desiguais em contraluz
Divagando nos campos de flores
Do jeito em que vos retenho
Cabe todo o céu num só desenho.
183

Os Noctívagos

Há-de haver quem pretenda
Sofrer do mesmo mal
E cantar à luz das velas
Rasgar as mesmas ruelas
Roubar o silêncio aos desejos
Sob a luz boémia dos candeeiros

E há-de haver ainda quem se ofenda
Com a força de uma onda que rebenta
Pela cara que mostras à rua
Pela pele que deixas nua
Sob as vestes do receio
Sob a luz boémia desse anseio

A liberdade é a sombra que trazes
Tu que és tu com a boca que calas
Tu que não és tu na Arena das Falas
Nos braços que se estendem sobre ti
Nos diálogos sem sentido
Na luz de um triste arrependido

Admiram-te as pedras que perturbas
Olhos de rua logo atentam
Nas poses que em ti assentam
Quando és miúda, dama e moça
Num vestido que repousa
No ar que rasgas com a postura

Sob a luz boémia dos candeeiros de rua
123

Reminiscência do Futuro

O meu sonho é um retrato
No qual eu não estou
Um plano maior do que tudo
Uma dor maior que o luto
Um êxtase maior do que os meus
Um último reduto.

Em muito igual
A todos os outros sonhos
Do mais comum dos plebeus
No entanto, estes são meus
Um infinito sem tamanho
Qual vinho – qual arte – qual deus?

O meu sonho é um retrato
Onde tudo é simples
Do que ainda não se revelou
Do que vejo e ainda não sou
O meu sonho é o outro lado
Ali ao brotar um, muito mais se desflorou.

Fórmula de livre substância
E tudo o que de mais existe
É a não-palavra em forma pura
O apogeu da própria natura
Num museu de e para sempre
Me prendo por livre assinatura.

Pacto de minha angústia
Compadrio de luz e negrura
Que meu pai assim escolheu
Que a minha mãe em mim escorreu
Num abraço, de génese incorrupta
Ser foz de rio cuja fonte serei eu

Pensei-te pequeno e infinito
Guardei-te nela, estatueta terna
Nos olhares que se desfazem
Num regaço se comprazem
Em Primaveras do que em nós se fez
De um ser que é rei à nossa imagem.
156

A Porta

Afinal, o que importa
É quem tu és por detrás da porta
Onde te arrumas e te afliges
Sem destino te diriges
À mercê de uma mão morta

Afinal, o que mais importa
É quem tu deixas atrás da porta
Entre todos esses teus repentes
Os ódios que fogem entre dentes
Como caudais sem comporta

Afinal, o que realmente importa
É porque choras por detrás da porta
Nessas ânsias e ciúmes
Calos, marcas e negrumes
Toda a alma que em gume se corta

Afinal, o que mais importa
É porque vais de porta em porta
A desejar regra em laje torta
A inventar vida em coisa absorta
Quando, no final, mais ninguém se importa
128

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