Nascido nos Países Baixos e de ascendência portuguesa, sou músico e licenciado em História, dedicando-me grandemente à criação artística, nomeadamente musical e poética. As viagens e tours com a banda Albaluna proporcionaram uma nova visão sobre a arte, altamente influenciada pelos motivos tradicionais e étnicos de todos vários sítios do Mundo.
Lista de Poemas
Chiaroscuro
Mote:
Sem ter o mesmo azul do mar
Semblante obscuro
No fim um novo acordar
Num chiaroscuro
Glosa:
Rastos de mágoas pendentes
Procissões de meias-gentes
Havendo todo um céu por revelar
Sem ter o mesmo azul do mar
Todos os inícios aperfeiçoados
Breve visão dos dias claros
Sempre nova na voz em que murmuro, com este
Semblante obscuro.
Matam-se sonhos com o olhar
No fim um novo acordar.
Ilumina-se aqui
Tenebrista de branco e treva
Preencheu-se um abismo em mim
Onde um novo e vasto monte impera.
Na vertigem de ser
Sem medo de me perder
Num sonho absurdo…
Entra sem voltar atrás!
Entra! Encontra-te onde estás!
Sem ter o mesmo azul do mar
Semblante obscuro
No fim um novo acordar
Num chiaroscuro
Glosa:
Rastos de mágoas pendentes
Procissões de meias-gentes
Havendo todo um céu por revelar
Sem ter o mesmo azul do mar
Todos os inícios aperfeiçoados
Breve visão dos dias claros
Sempre nova na voz em que murmuro, com este
Semblante obscuro.
Matam-se sonhos com o olhar
No fim um novo acordar.
Ilumina-se aqui
Tenebrista de branco e treva
Preencheu-se um abismo em mim
Onde um novo e vasto monte impera.
Na vertigem de ser
Sem medo de me perder
Num sonho absurdo…
Entra sem voltar atrás!
Entra! Encontra-te onde estás!
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Os Noctívagos
Há-de haver quem pretenda
Sofrer do mesmo mal
E cantar à luz das velas
Rasgar as mesmas ruelas
Roubar o silêncio aos desejos
Sob a luz boémia dos candeeiros
E há-de haver ainda quem se ofenda
Com a força de uma onda que rebenta
Pela cara que mostras à rua
Pela pele que deixas nua
Sob as vestes do receio
Sob a luz boémia desse anseio
A liberdade é a sombra que trazes
Tu que és tu com a boca que calas
Tu que não és tu na Arena das Falas
Nos braços que se estendem sobre ti
Nos diálogos sem sentido
Na luz de um triste arrependido
Admiram-te as pedras que perturbas
Olhos de rua logo atentam
Nas poses que em ti assentam
Quando és miúda, dama e moça
Num vestido que repousa
No ar que rasgas com a postura
Sob a luz boémia dos candeeiros de rua
Sofrer do mesmo mal
E cantar à luz das velas
Rasgar as mesmas ruelas
Roubar o silêncio aos desejos
Sob a luz boémia dos candeeiros
E há-de haver ainda quem se ofenda
Com a força de uma onda que rebenta
Pela cara que mostras à rua
Pela pele que deixas nua
Sob as vestes do receio
Sob a luz boémia desse anseio
A liberdade é a sombra que trazes
Tu que és tu com a boca que calas
Tu que não és tu na Arena das Falas
Nos braços que se estendem sobre ti
Nos diálogos sem sentido
Na luz de um triste arrependido
Admiram-te as pedras que perturbas
Olhos de rua logo atentam
Nas poses que em ti assentam
Quando és miúda, dama e moça
Num vestido que repousa
No ar que rasgas com a postura
Sob a luz boémia dos candeeiros de rua
112
Reminiscência do Futuro
O meu sonho é um retrato
No qual eu não estou
Um plano maior do que tudo
Uma dor maior que o luto
Um êxtase maior do que os meus
Um último reduto.
Em muito igual
A todos os outros sonhos
Do mais comum dos plebeus
No entanto, estes são meus
Um infinito sem tamanho
Qual vinho – qual arte – qual deus?
O meu sonho é um retrato
Onde tudo é simples
Do que ainda não se revelou
Do que vejo e ainda não sou
O meu sonho é o outro lado
Ali ao brotar um, muito mais se desflorou.
Fórmula de livre substância
E tudo o que de mais existe
É a não-palavra em forma pura
O apogeu da própria natura
Num museu de e para sempre
Me prendo por livre assinatura.
Pacto de minha angústia
Compadrio de luz e negrura
Que meu pai assim escolheu
Que a minha mãe em mim escorreu
Num abraço, de génese incorrupta
Ser foz de rio cuja fonte serei eu
Pensei-te pequeno e infinito
Guardei-te nela, estatueta terna
Nos olhares que se desfazem
Num regaço se comprazem
Em Primaveras do que em nós se fez
De um ser que é rei à nossa imagem.
No qual eu não estou
Um plano maior do que tudo
Uma dor maior que o luto
Um êxtase maior do que os meus
Um último reduto.
Em muito igual
A todos os outros sonhos
Do mais comum dos plebeus
No entanto, estes são meus
Um infinito sem tamanho
Qual vinho – qual arte – qual deus?
O meu sonho é um retrato
Onde tudo é simples
Do que ainda não se revelou
Do que vejo e ainda não sou
O meu sonho é o outro lado
Ali ao brotar um, muito mais se desflorou.
Fórmula de livre substância
E tudo o que de mais existe
É a não-palavra em forma pura
O apogeu da própria natura
Num museu de e para sempre
Me prendo por livre assinatura.
Pacto de minha angústia
Compadrio de luz e negrura
Que meu pai assim escolheu
Que a minha mãe em mim escorreu
Num abraço, de génese incorrupta
Ser foz de rio cuja fonte serei eu
Pensei-te pequeno e infinito
Guardei-te nela, estatueta terna
Nos olhares que se desfazem
Num regaço se comprazem
Em Primaveras do que em nós se fez
De um ser que é rei à nossa imagem.
144
Alão
Escorre escarlate pela goteira
Não sendo esse o seu valor
Pinta em loriga de peleja
A pesada cor da dor.
E não sendo esse o seu valor
Vai escudeiro na goteira
Sucumbe qual bicho em montaria
Alão traz morte na peteira.
Pinta em loriga de peleja
Maior essa, a falha humana
Cavaleiro prova a terra
Na qual ele mesmo se dana.
A pesada cor da dor
Viseira ofusca e retém
Fica homem derreado
Filho de um pai e mãe.
Escorre escarlate pela goteira
Sucumbe qual bicho em montaria
Viúva, mãe de órfãos, se desdenha
Peleja toma tão nobre cria
Não é fidalgo mas filho de alguém
Esse que é pai é também filho de mãe.
Não sendo esse o seu valor
Pinta em loriga de peleja
A pesada cor da dor.
E não sendo esse o seu valor
Vai escudeiro na goteira
Sucumbe qual bicho em montaria
Alão traz morte na peteira.
Pinta em loriga de peleja
Maior essa, a falha humana
Cavaleiro prova a terra
Na qual ele mesmo se dana.
A pesada cor da dor
Viseira ofusca e retém
Fica homem derreado
Filho de um pai e mãe.
Escorre escarlate pela goteira
Sucumbe qual bicho em montaria
Viúva, mãe de órfãos, se desdenha
Peleja toma tão nobre cria
Não é fidalgo mas filho de alguém
Esse que é pai é também filho de mãe.
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