ivchristianmarrs

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Músico e licenciado em História, dedicando-me grandemente à criação artística, nomeadamente musical e poética. As viagens e tours com a banda Albaluna proporcionaram uma nova visão sobre a arte, altamente influenciada pelos motivos tradicionais e étnicos de todos vários sítios do Mundo.

Perfil
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Eclipses

Tenho as minhas vontades ligadas
Aos mais pagãos ambientes do céu
Se está escuro, sou como o breu.
Se faz sol? Sou outro eu.
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Biografia
Nascido nos Países Baixos e de ascendência portuguesa, sou músico e licenciado em História, dedicando-me grandemente à criação artística, nomeadamente musical e poética. As viagens e tours com a banda Albaluna proporcionaram uma nova visão sobre a arte, altamente influenciada pelos motivos tradicionais e étnicos de todos vários sítios do Mundo.

Poemas

14

A Porta

Afinal, o que importa
É quem tu és por detrás da porta
Onde te arrumas e te afliges
Sem destino te diriges
À mercê de uma mão morta

Afinal, o que mais importa
É quem tu deixas atrás da porta
Entre todos esses teus repentes
Os ódios que fogem entre dentes
Como caudais sem comporta

Afinal, o que realmente importa
É porque choras por detrás da porta
Nessas ânsias e ciúmes
Calos, marcas e negrumes
Toda a alma que em gume se corta

Afinal, o que mais importa
É porque vais de porta em porta
A desejar regra em laje torta
A inventar vida em coisa absorta
Quando, no final, mais ninguém se importa
133

Alão

Escorre escarlate pela goteira
Não sendo esse o seu valor
Pinta em loriga de peleja
A pesada cor da dor.
E não sendo esse o seu valor
Vai escudeiro na goteira
Sucumbe qual bicho em montaria
Alão traz morte na peteira.
Pinta em loriga de peleja
Maior essa, a falha humana
Cavaleiro prova a terra
Na qual ele mesmo se dana.
A pesada cor da dor
Viseira ofusca e retém
Fica homem derreado
Filho de um pai e mãe.
Escorre escarlate pela goteira
Sucumbe qual bicho em montaria
Viúva, mãe de órfãos, se desdenha
Peleja toma tão nobre cria
Não é fidalgo mas filho de alguém
Esse que é pai é também filho de mãe.
147

Pontilhismo ao Pôr-do-Sol

Na inocência em que vos vejo
Sois como campos de flores
Pontilho de todas as cores
O vosso prado de virtudes
Numa tela vaga e rude.

Três silhuetas desiguais em contraluz
Divagando nos campos de flores
Do jeito em que vos retenho
Cabe todo o céu num só desenho.
188

Reminiscência do Futuro

O meu sonho é um retrato
No qual eu não estou
Um plano maior do que tudo
Uma dor maior que o luto
Um êxtase maior do que os meus
Um último reduto.

Em muito igual
A todos os outros sonhos
Do mais comum dos plebeus
No entanto, estes são meus
Um infinito sem tamanho
Qual vinho – qual arte – qual deus?

O meu sonho é um retrato
Onde tudo é simples
Do que ainda não se revelou
Do que vejo e ainda não sou
O meu sonho é o outro lado
Ali ao brotar um, muito mais se desflorou.

Fórmula de livre substância
E tudo o que de mais existe
É a não-palavra em forma pura
O apogeu da própria natura
Num museu de e para sempre
Me prendo por livre assinatura.

Pacto de minha angústia
Compadrio de luz e negrura
Que meu pai assim escolheu
Que a minha mãe em mim escorreu
Num abraço, de génese incorrupta
Ser foz de rio cuja fonte serei eu

Pensei-te pequeno e infinito
Guardei-te nela, estatueta terna
Nos olhares que se desfazem
Num regaço se comprazem
Em Primaveras do que em nós se fez
De um ser que é rei à nossa imagem.
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