O amor secou
O amor secou
e o pano acabou
não quero deixar este ano
sem o meu próprio engano
O amor secou
você me olhou
do you tem cabeça molhada
cama suada, carne de bixo
Eu quero tudo na veia
eu quero tudo na mente
eu quero toda a garrafa
e quero toda a serpente.
Quero tudo na vida
eu quero tudo fazer
quero nada dizer
e quero você a me compreender
Por isso poeta
Ele é poeta porque bebe
E bebe como ninguém
Ele é poeta porque bebe
E porque bebe poeta bem
Com o samba mata a sede
Com o conhaque faz amor
No balanço de uma rede
se deleita com o licor
Dá o drible na agonia
Janelinha no rancor
Cruza prá melancolia
E a solidão é o seu gol.
Gol!
Tua estrada louca
não sei prá onde vai
a tua estrada louca
não sei pra que chorar
se é só questão de pensar
pensar…
o escuro ganha o quarto
eu começo a pensar
relembro de momentos
que não é bom lembrar
lembrar…
Se ando contra o vento
é porque devo andar
pois o meu sentimento
me leva a te encontrar
voltar…
No fim da noite tento
te telefonar
mas eu não aguento
eu quero desligar
chorar...
Não te regro
eu não te regro
e não te obrigo
eu não te maltrato
e não te agrido
eu não sou perfeito
mas não tenho medo
tenho meus segredos
(mas não tenho jeito
seu dos meus defeitos)
quem não tem, não é?
nossa caminhada é de fantasia
é de alegria e de saber amar
Vou de cabeça
Não é cinema que me satisfaz
Qualquer sujeira que criança faz
Eu quero ver aquele olhar maduro e certo do que o vento traz.
O meu problema é o mesmo dos mortais
O seu emblema é morte e é paz
Quase sempre você olha o mundo, viaja e perde o cais.
Esse absurdo, esse mistério em torno
dessas migalhas minhas de seu corpo
sempre me chegam como ironia...
mas hoje não me chegam mais...
Ou é o seu orgulho, ou é o meu mergulho.
Vou de cabeça e quero muito mais.
Muito mais!
Cidade de verão
Estou numa cidade de verão
e quero ver você no mar,
quero ver você surgir:
- Das ondas do mar, e me dar um beijo;
- Do céu estrelado, como estrela cadente.
Estou em novos tempos de pensar
em como é que eu vou te amar
e quem é que vou curtir
Pode ser que seja você outra vez
Pode ser que seja, que eu não ame ninguém
E pode ser que eu não ame você nunca mais como eu amei
Avião
Um avião passou e me falou
Que o chão é cruel.
Eu, meio rindo, disse: que ilusão, só conhece o céu.
Silenciosamente o avião
Sumiu entre os dedos.
Eu, criminosamente, olhei prás mãos
Culpei os meus medos.
Pensamentos longos
Nunca mais esconderão nada do que pode ser meu.
Mas o que vejo agora, não vejo outra vez
Porque o que penso agora, só penso prá vocês.
não dou mais um minuto em cima desta mesa
Práquele seu menino desabrochar.
Tu, tu, tu e tu
vão querer voltar a brincar
Tu, tu, tu e tu
vão querer voltar a brigar.
Sério
Eu fico caminhando quase sempre no seu calço
Eu fico disfarçando que não estou de pés descalços
Eu olho para os lados e só vejo seus problemas
A minha vida é enrolação dos meus sistemas
Eu tremo é muito louco ver você fora do espaço
Eu perco o traço, a voz, eu perco o sonho dos meus passos
Cadê a natureza, estou morando em seu mistério
E eu não me sinto um cara sério
Fogo brasileiro
Meu pai não me chamou
Prá pegar o galho prá acender
o fogo do operário brasileiro,
cara de otário, ao contrário
Um povo estrangeiro não se nega o direito
de aprender o defeito que ele mesmo calejou
E o povo brasileiro parecendo não ter jeito,
não aprende com o passado e não se dá o valor.
Respeito é bom e eu minto quando eu te deixo
Por baixo dos panos eu ainda caio de queixo.
Respeito é bom e eu minto quando eu te deixo.
Por baixo dos panos, eu ainda, há, me queixo.
Pena de mim
Pena, pena, pena, pena, pena de mim
Pena, pena, pena, pena, pena de mim
O vento levou-te pra longe de mim
Senti teu calor, senti o meu frio
O vento levou-te pra longe de mim
Senti o amor, senti o meu fim
Nem tudo é azul
nem tudo é um mar
nem tudo é um blue
um flerte na cara
Nem tudo é azul
nem tudo é um mar
nem tudo é um bofete na cara