jeronimo_collares

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Sobre mim, em ti

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operários II

envelheço as rugas
porque não tenho pressa

quando morre a labuta
da noite, caem as estrelas em vão?

o que escreve
um operário após um
dia de chão?

e sentado, a beira da minha testa,
canso os braços do pão

recosto sob as horas
à espreita do Cão

releio as sobras
de uma vida em vão

mas envelheço as rugas
porque não tenho pressa

jeronimo
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Poemas

4

indefere

habito uma casa que não é minha
do hábito, um corpo que não é meu
do cansaço, a fadiga distancia os braços
de um amor que não foi teu

não há beira de morada
nem um mar que céu apruma
reza, a cor é púrpura
da noite que não adia

me fiz do encalço e
do desprezo
o silêncio não é recluso
porque da morte não há partida

e se nalgum dia retornar
àquela casa
sem mora ou recaída
não diga adeus a despedida

jeronimo
201

banco

hoje estou mínimo
tão mínimo de mim

e figuram os laços
de um qualquer retrato

mas estou mínimo
mínimo de mim

esboço algumas linhas
num papel feito de água e nanquim

e cada gota que se esvai
leva pouco, um pouco de mim

mas ouço passos e moças
carros e poças

seguro as mãos,
os talhos, as louças

porque estou mínimo,
tão mínimo de mim

jeronimo
217

operária

quem é essa
que me amarga os olhos
que da carne fogem os ossos
dos passos tropeça a hora,
que da boca saliva o encalço
de mãos atadas à história?

quem é essa
que nos dias se perde da sombra
das noites, finda mulher e ronda
e ainda seca da cama, amanhece
por ternura a seu cantar?

quem é essa
por quais gemem os muros
correntes, pedras e murros
desbotando os homens
da cólera do pesar?

quem é essa por qual
chora o verdugo, os clarões
os Papas e os miúdos
das roupas e abusos
e ainda insiste em passar?

quem é essa
que desabotoa da terra
as cercas e as vestes da 'Besta'
que a posse finda
por tanto matar?

quem é essa?

jeronimo
217

operários II

envelheço as rugas
porque não tenho pressa

quando morre a labuta
da noite, caem as estrelas em vão?

o que escreve
um operário após um
dia de chão?

e sentado, a beira da minha testa,
canso os braços do pão

recosto sob as horas
à espreita do Cão

releio as sobras
de uma vida em vão

mas envelheço as rugas
porque não tenho pressa

jeronimo
248

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