Lista de Poemas

MAMA NA TETA DA MATA | POESIA CONTEMPORÂNEA

MAMA NA TETA DA MATA

quem desmata
mata não só a mata

mata e ninguém fala
mata e o Estado cala

matam a mata
matam à bala

a boca brasileira cala
a cara brasis nata

a boca branca bebe e
mama na teta da mata

a boca branca mata
e mama na teta da mata

mata e mama
na mama da mata

mama e mata
— é mamata.

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IBIAPINA | POESIA CONTEMPORÂNEA

IBIAPINA

No ibi há Macaba
Emburi Indaiá

Guirá que pia
Não é só sabiá

: tem Jacu Macuco
Maritaca Tangará

vida com mais potira
se não fosse Ibiapina

é uma pena é uma pena
a Ibiapina a Ibiapina
a Ibiapina

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Curitiba em três Haikaiss de Saudades | POESIA CURITIBANA

Curitiba em três Haikaiss de Saudades

a boca maldita
bêbada da sede do
cavalo babão.

descer a XV
sola em paralelepípedos
o sol no céu e frio

saudades das ruínas
da cerveja da são fran
minha Curitiba.
340

SUPLEMENTAÇÃO DE VITAMINAS | POESIA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA

(Para Nicola Otávio)


nos sábados 

e nos domingos 

o frasco fala 

"para homens!"

nas segundas, 

nas terças e nas quartas, 

a cartela convaqueia 

"para mulheres!"

nas quintas e nas sextas 

completo com meia 

cápsula de cada


a vitamina de homem influencia 

nos músculos e na energia

a vitamina de mulher influi 

nas unhas e na pele macia 


para o espanto de todos,

não só dos farmacêuticos,

das farmacêuticas e 

também des farmaceltiques

nenhuma delas me deixa

mais ou menos homem mais 

ou menos mulher mais ou menos 

anarco viado comunista 

trans sapatona convicta.


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ADVÉRBIO | Poesia Brasileira Contemporânea

a palavra é avermelhada

talvez carnívora e pouco reflorestada

vale mais extirpada

da terra do âmago

e do ventre esmirrado dos homens

 

a palavra é servida crua e explorada

ao pé de mesas de paubrasília

maracutaia estripada

estrupício estropiado

 

solimões, urucum,

cachaça de jambu

colorau guaraná

buriti pupunha

pirarucu tucunaré

 

a palavra é tinta genocida

e des-mancha facilmente o advérbio

pororocas levantando sangue de verbo

jorrando brasis sem modo,

com intensidade, lugar e tempo

e demasiada negação des-matada,

macunaíma desvairada.

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Últimas notícias do Brasil e dos Brasis | POESIA BRASILEIRA ATUAL

"a terra vai se rebelar
as florestas precisam ficar em pé”
diz cacique Raoni

carnaval de pandemia
tem praias cheias,
vejam fotografias

: tambaba guarita tabatinga
imbé moreré tupé
curuípe xangri-lá camburí
maracajaú taipu embaú

a doença não existe
afirma turista no litoral sul

é só soja e boi soja e boi
é só soja e boi
funai é ruralista

Aruka, último do povo Juma
morre vítima da pandemia
em Xingu ação de imunização
na base Diauarum
campanha antivacina nas aldeias
preocupa liderança indígena

turismo cai
banhistas batem recorde
trocam blocos por praias lotadas
evitam máscaras e
não massacres

“quando a árvore fica em pé,
faz sombra e fica frio
faz sombra e fica frio”
fica frio

nadar nadar nadar
e morrer na praia na praia
e nada e nada
aglomeração piara
futuro incerto paira sobre vidas
e idas à praia à praia
pegar jacaré genocídio
presidente de biquíni
topless
e morre o índio.
 
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IBIAPINA | POESIA CONTEMPORÂNEA

IBIAPINA

No ibi há Macaba
Emburi Indaiá

Guirá que pia
Não é só sabiá

: tem Jacu Macuco
Maritaca Tangará

vida com mais potira
se não fosse Ibiapina

é uma pena é uma pena
a Ibiapina a Ibiapina
a Ibiapina

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IDEOLOGIA MACARRÃO | POESIA CONTEMPORÂNEA

IDEOLOGIA MACARRÃO

pode até ter
de sêmola
mas
o brasieiro
pai de família
come

renata com ovos
isabela com ovos
adira com ovos
vilma com ovos
barilla com ovos
até dona benta
com ovos

mas fala
sempre que
prefere
espaguete
à penne
grano duro

o importante
mesmo é não
conter gordura
trans

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IDEOLOGIA MACARRÃO | POESIA CONTEMPORÂNEA

IDEOLOGIA MACARRÃO

pode até ter
de sêmola
mas
o brasieiro
pai de família
come

renata com ovos
isabela com ovos
adira com ovos
vilma com ovos
barilla com ovos
até dona benta
com ovos

mas fala
sempre que
prefere
espaguete
à penne
grano duro

o importante
mesmo é não
conter gordura
trans

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SENTENÇA | POETISAS ATUAIS

a fala não carrega

a frase , só há sentença

a oração é a que mais condena

 

as lutas

as ruas

as tramas

as putas

as bixas

as bruxas

as damas

as nuas

as minhas

e as tuas

 

o período é composto

o terno veste

o termo eclesiástico

o que doutrina sim,taticamente

o discurso é norma, padrão masculino

 

Ele não carrega o A, artigo da frase

o que existe é culpa

sentença imperativa do não.

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Comentários (3)

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joaoeuzebio

PARABÉNS JESSICA UM LINDO POEMA

jerico

Gostei, aguardando mais.

petrillipoesia

parabéns pelas poesias e pelo empenho em prol do seu sonho! você tem muito potencial! :)

Jéssica Iancoski é escritora, poeta e artista plástica. Publicou em várias antologias e revistas, nacionais e internacionais. Teve o poema “Rotina Decadente” reconhecido pela Academia Paranaense de Letras, aos 16 anos de idade. É idealizadora do Toma Aí Um Poema - o maior podcast lusófono de declamação de poesias, segundo o Spotify - com mais de 40 mil ouvintes diferentes, ao longo do tempo. Nasceu em Curitiba em 10 de Fevereiro de 1996. É formada em Letras pela Universidade Federal do Paraná e em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná.