Jéssica Iancoski

Jéssica Iancoski

n. 1996 BR BR

Jéssica Iancoski é escritora, poeta e artista plástica. Publicou em várias antologias e revistas, nacionais e internacionais. Teve o poema “Rotina Decadente” reconhecido pela Academia Paranaense de Letras, aos 16 anos de idade.

n. 1996-02-10, Curitiba

Perfil
29 382 Visualizações

A Vida Não é Sobre Nós | Poema sobre a Vida

A terra não é suja como a nossa vida
E vocês tratam a morte como se ela fosse algo ruim.
Mas ela não é.
A Nossa vida aqui que é ruim.

A morte é só a despedida desta vida insone
Balda e degregada
E o que dói
Não foi em quem morre ou parte
Dói em quem fica.
A morte não é ruim porque a saudades
e o egoísmo existem.

Quando todos partirem,
Não espero que nenhum de vocês volte,
Muito menos espero voltar também.

Deixem a vida para trás, para baixo e para a Terra.
Deixe a vida para os animais que realmente a merecem.

A morte é a sustentabilidade da vida pelo seu inverso
tentando restabelecer a ordem
deste mundo quase perdido.

O Homem é humos
E não precisa ser mais.
Já plantou uma semente no corpo para ver como nasce?
O homem é melhor que esterco só isso.

Não conheço outro jeito de salvar o mundo
Se não, não estando aqui.

Volte também
Ao título deste poema
Não insista
A Vida não é sobre nós.

Disponível em https://www.jessicaiancoski.com
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Biografia
Jéssica Iancoski é escritora, poeta e artista plástica. Publicou em várias antologias e revistas, nacionais e internacionais. Teve o poema “Rotina Decadente” reconhecido pela Academia Paranaense de Letras, aos 16 anos de idade. É idealizadora do Toma Aí Um Poema - o maior podcast lusófono de declamação de poesias, segundo o Spotify - com mais de 40 mil ouvintes diferentes, ao longo do tempo. Nasceu em Curitiba em 10 de Fevereiro de 1996. É formada em Letras pela Universidade Federal do Paraná e em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná.

Poemas

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Be-Nary | Robô escrevendo Poesia

Hello my name is 
Nery.


I wanted to be a human
but a human,
I can not be.


I don't know if I have
one I


I don't even know
What is
to be
Me.


If I had one
Me,
I would be binary


But most
Humans
Not even binaries are


010110100

Disponível em https://www.jessicaiancoski.com/
1 619

Pingam as Rosas Azuis | Poetisa Contemporânea Atual

No criado-mudo repousam rosas azuis respeitando a neblina do silêncio.
Um Relógio pendula o tempo, debatendo-se
Oscilam-se os lados,
hora-esquerda,
hora-direita.

Uma rósa chóve outrá balançá
Desprende-se
e píngá ´´´´´´´´´´:
E cai nos azulejos
Pétalas deslizam como lágrimas regando de azul a superfície.

Então paro, me pergunto
E desabo-tou:
Quantás-batídás-até-que-se-caule?_ _ _ _ _

Disponível em https://www.jessicaiancoski.com/
1 600

Vivemos como náufragos | Poesia Contemporânea Sobre A Vida

Vivemos como náufragos.

Em meio a cada ilha isolada
Só nos é dado de vista a ponta do iceberg. 

E assim vivemos 
tão satisfeitos e mesquinhos 
como reis e rainhas 
da         nossa             soberana
                                  verdade
                                  absoluta. 
que não encontra semente
Naquilo que não é semelhante.

Vivemos como narcisos divididos
Entre o amarelo vibrante da coroa
E a rígida parede branca de gelo.

Nunca estremecemos diante do outro
E nunca respondemos adiante da vida. 

Sempre em busca de um novo porto 
e nunca em busca de um novo parto. 

E assim vivemos - naufragados,
como quem se acostumou a morrer
antes mesmo de aprender a viver.

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O Mar Resolve A Saudade | Poema Sobre Saudades | Poetisa Curitibana

O Mar Resolve A Saudade

    ~~~~~~  ~~~   ~~~~
Afogo os meus pés no raso do mar, ~~
~~~~ enquanto caminho. 
Piso na areia ~~~~
~~~ estriada e úmida, 
sob o céu desbotado. ~~
~~~~ ~~~~~~ ~~~~
    ~~~~~ ~~~~~  ~~~~~~
~~~~ Praia adentro,~   ~~~~
Percorro a maré tentada a te perder: ~~
~~~As ondas vem ~~~ e quebram, ~~
      ~~~ Elas se vão e te levam. ~~
           ~~~~~~  ~~~~
~~~~ ~~~~    ~~~~
O mar dissolve a saudade, ~~
~~~ O mar resolve a saudade. 
        ~~~  ~~~~    ~~~~

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Pelo Próprio Amor | Poema Sobre Amar | Novas Poetisas

| Pelo Próprio Amor |


Ame-se.
Quem quer que você seja.


Ame o seu corpo, as suas doenças,
aquela pintinha fora do lugar
e aquelas linhazinhas da sua barriga. 


Ame todos caminhos da sua mente,
os seus pensamentos sórdidos
as lembranças arrependidas.

As trevas secretas,
os desejos insaciáveis
as vontades esquecidas
as experiências indiscretas
E as indecências inexploráveis. 


Ame tudo o que puder causar repulsa. 
Entretanto, pelo principio básico do amor,
Cuide-se.


Cuide para que você não se vá
antes da hora,
para que você não extrapole
nenhum direito civil ou corporal,
para que você não estrague a vida
para você unicamente ou para alguém.


Amor é amor 
E todo amor é pouco,
mas é preciso parar, se cuidar
e frear a liberdade justamente em nome do amor-próprio


em detrimento do mesmo,
Pelo próprio amor. 

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900

TEM COISA MAIS FUNDAMENTAL | POESIA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA

Minha linda, eu sei o que cê tá planejando
(Me desculpe o linguajar,
É que eu não encontrei
maneira mais delicada de falar):

Que eu fique esperando
Só para lamber o teu cú
Quando você decidir que eu posso.

É sério,
Eu até poderia me dar esse luxo
Se não fosse a transfobia,
O feminicidio e a homofobia
O número de mortos pela pandemia
O desemprego no Brasil.

Não tá fácil!
Também tem as roupas que eu preciso lavar,
O dinheiro do aluguel que tenho que levantar
E a casa que eu fiquei de limpar.

Então me desculpe, guria
Não é que cê não vale...

Se o arroz não tivesse tão caro...
E tudo o que presidente vacila...
Eu te juro, menina
Que daria uma atenção especial
Para toda essa sua pulsão anal,
Mas com esse incêndio no pantanal...

Não me leve a mal,
Só penso que tem coisa mais fundamental.
865

PILARES | POETAS CONTEMPORÂENOS

antes do sol
uma mãe
e os seus seis filhos
se levantam e
erguem as mãos
para um deus mudo.

sem que saibam
sustentam o peso do mundo
para que um dois ou três
homens sem rostos subam
até a tez
da lua.

enquanto suas
mulheres cantam agúdo
sobre as noites mais escuras
de um eclipse profundo.

e os pobres escutam
com seus rostos evaporando
em multidões enquanto aguardam
esmagados
a própria vez.
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UM ADEUS KAROL | POESIA BRASILEIRA ATUAL | POEMA SOBRE DESPEDIDAS DO MUNDO

UM ADEUS KAROL 

Vi Karol não mais
Que sete vezes
Em uma delas
ela me disse para não ter vergonha
dos meus peitos caídos:
- são marcas da vida!

Mas agora ela se cansou das próprias marcas
se mudou proutro lugar 
e lá ninguém mais pode levantá-la.

Não desistiu,
mas cansou de tentar a sorte 
e pintou o sete. 

Karol não sabe a falta
que fará nessa cidade
ou até sabe:
pra todas as sete artes
há antes sete capitais
ante as virtudes
depois os pecados das partes.

Mas tal pecado semelhante
foi da vida
ao querer obrigar tanto sofrimento
a tanta gente, tanto genesis inocente. 

Deus me livre Karol 
ter sete vidas nesse imundo:
São sete vezes que o fundo finda,
São sete vezes para todas as idas. 

www.jessicaiancoski.com
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O Canto do Rouxinol | Poesia Visual

esticar as retinas dos olhos
como se fossem peles mortas da memória
feridas se dobrando nos joelhos
cicatrizes no canto do rouxinol
secando cortinas finas
e fitas de orvalho
nas marquises, nos galhos
e nos caminhos do sol

Poema Visual


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MAMA NA TETA DA MATA | POESIA CONTEMPORÂNEA

MAMA NA TETA DA MATA

quem desmata
mata não só a mata

mata e ninguém fala
mata e o Estado cala

matam a mata
matam à bala

a boca brasileira cala
a cara brasis nata

a boca branca bebe e
mama na teta da mata

a boca branca mata
e mama na teta da mata

mata e mama
na mama da mata

mama e mata
— é mamata.

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Contato @Euiancoski
https://www.jessicaiancoski.com/contato
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Comentários (3)

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joaoeuzebio

PARABÉNS JESSICA UM LINDO POEMA

jerico

Gostei, aguardando mais.

yuri petrilli

parabéns pelas poesias e pelo empenho em prol do seu sonho! você tem muito potencial! :)