Jéssica Iancoski é escritora, poeta e artista plástica. Publicou em várias antologias e revistas, nacionais e internacionais. Teve o poema “Rotina Decadente” reconhecido pela Academia Paranaense de Letras, aos 16 anos de idade. É idealizadora do Toma Aí Um Poema - o maior podcast lusófono de declamação de poesias, segundo o Spotify - com mais de 40 mil ouvintes diferentes, ao longo do tempo. Nasceu em Curitiba em 10 de Fevereiro de 1996. É formada em Letras pela Universidade Federal do Paraná e em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná.
Lista de Poemas
Pingam as Rosas Azuis | Poetisa Contemporânea Atual
No criado-mudo repousam rosas azuis respeitando a neblina do silêncio.
Um Relógio pendula o tempo, debatendo-se
Oscilam-se os lados,
hora-esquerda,
hora-direita.
Uma rósa chóve outrá balançá
Desprende-se
e píngá ´´´´´´´´´´:
E cai nos azulejos
Pétalas deslizam como lágrimas regando de azul a superfície.
Então paro, me pergunto
E desabo-tou:
Quantás-batídás-até-que-se-caule?_ _ _ _ _
Disponível em https://www.jessicaiancoski.com/
Um Relógio pendula o tempo, debatendo-se
Oscilam-se os lados,
hora-esquerda,
hora-direita.
Uma rósa chóve outrá balançá
Desprende-se
e píngá ´´´´´´´´´´:
E cai nos azulejos
Pétalas deslizam como lágrimas regando de azul a superfície.
Então paro, me pergunto
E desabo-tou:
Quantás-batídás-até-que-se-caule?_ _ _ _ _
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Be-Nary | Robô escrevendo Poesia
Hello my name is
Nery.
I wanted to be a human
but a human,
I can not be.
I don't know if I have
one I
I don't even know
What is
to be
Me.
If I had one
Me,
I would be binary
But most
Humans
Not even binaries are
010110100
Disponível em https://www.jessicaiancoski.com/
Nery.
I wanted to be a human
but a human,
I can not be.
I don't know if I have
one I
I don't even know
What is
to be
Me.
If I had one
Me,
I would be binary
But most
Humans
Not even binaries are
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Vivemos como náufragos | Poesia Contemporânea Sobre A Vida
Vivemos como náufragos.
Em meio a cada ilha isolada
Só nos é dado de vista a ponta do iceberg.
E assim vivemos
tão satisfeitos e mesquinhos
como reis e rainhas
da nossa soberana
verdade
absoluta.
que não encontra semente
Naquilo que não é semelhante.
Vivemos como narcisos divididos
Entre o amarelo vibrante da coroa
E a rígida parede branca de gelo.
Nunca estremecemos diante do outro
E nunca respondemos adiante da vida.
Sempre em busca de um novo porto
e nunca em busca de um novo parto.
E assim vivemos - naufragados,
como quem se acostumou a morrer
antes mesmo de aprender a viver.
www.jessicaiancoski.com
Em meio a cada ilha isolada
Só nos é dado de vista a ponta do iceberg.
E assim vivemos
tão satisfeitos e mesquinhos
como reis e rainhas
da nossa soberana
verdade
absoluta.
que não encontra semente
Naquilo que não é semelhante.
Vivemos como narcisos divididos
Entre o amarelo vibrante da coroa
E a rígida parede branca de gelo.
Nunca estremecemos diante do outro
E nunca respondemos adiante da vida.
Sempre em busca de um novo porto
e nunca em busca de um novo parto.
E assim vivemos - naufragados,
como quem se acostumou a morrer
antes mesmo de aprender a viver.
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O Mar Resolve A Saudade | Poema Sobre Saudades | Poetisa Curitibana
O Mar Resolve A Saudade
~~~~~~ ~~~ ~~~~
Afogo os meus pés no raso do mar, ~~
~~~~ enquanto caminho.
Piso na areia ~~~~
~~~ estriada e úmida,
sob o céu desbotado. ~~
~~~~ ~~~~~~ ~~~~
~~~~~ ~~~~~ ~~~~~~
~~~~ Praia adentro,~ ~~~~
Percorro a maré tentada a te perder: ~~
~~~As ondas vem ~~~ e quebram, ~~
~~~ Elas se vão e te levam. ~~
~~~~~~ ~~~~
~~~~ ~~~~ ~~~~
O mar dissolve a saudade, ~~
~~~ O mar resolve a saudade.
~~~ ~~~~ ~~~~
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~~~~~~ ~~~ ~~~~
Afogo os meus pés no raso do mar, ~~
~~~~ enquanto caminho.
Piso na areia ~~~~
~~~ estriada e úmida,
sob o céu desbotado. ~~
~~~~ ~~~~~~ ~~~~
~~~~~ ~~~~~ ~~~~~~
~~~~ Praia adentro,~ ~~~~
Percorro a maré tentada a te perder: ~~
~~~As ondas vem ~~~ e quebram, ~~
~~~ Elas se vão e te levam. ~~
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O mar dissolve a saudade, ~~
~~~ O mar resolve a saudade.
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TEM COISA MAIS FUNDAMENTAL | POESIA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA
Minha linda, eu sei o que cê tá planejando
(Me desculpe o linguajar,
É que eu não encontrei
maneira mais delicada de falar):
Que eu fique esperando
Só para lamber o teu cú
Quando você decidir que eu posso.
É sério,
Eu até poderia me dar esse luxo
Se não fosse a transfobia,
O feminicidio e a homofobia
O número de mortos pela pandemia
O desemprego no Brasil.
Não tá fácil!
Também tem as roupas que eu preciso lavar,
O dinheiro do aluguel que tenho que levantar
E a casa que eu fiquei de limpar.
Então me desculpe, guria
Não é que cê não vale...
Se o arroz não tivesse tão caro...
E tudo o que presidente vacila...
Eu te juro, menina
Que daria uma atenção especial
Para toda essa sua pulsão anal,
Mas com esse incêndio no pantanal...
Não me leve a mal,
Só penso que tem coisa mais fundamental.
(Me desculpe o linguajar,
É que eu não encontrei
maneira mais delicada de falar):
Que eu fique esperando
Só para lamber o teu cú
Quando você decidir que eu posso.
É sério,
Eu até poderia me dar esse luxo
Se não fosse a transfobia,
O feminicidio e a homofobia
O número de mortos pela pandemia
O desemprego no Brasil.
Não tá fácil!
Também tem as roupas que eu preciso lavar,
O dinheiro do aluguel que tenho que levantar
E a casa que eu fiquei de limpar.
Então me desculpe, guria
Não é que cê não vale...
Se o arroz não tivesse tão caro...
E tudo o que presidente vacila...
Eu te juro, menina
Que daria uma atenção especial
Para toda essa sua pulsão anal,
Mas com esse incêndio no pantanal...
Não me leve a mal,
Só penso que tem coisa mais fundamental.
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Pelo Próprio Amor | Poema Sobre Amar | Novas Poetisas
| Pelo Próprio Amor |
Ame-se.
Quem quer que você seja.
Ame o seu corpo, as suas doenças,
aquela pintinha fora do lugar
e aquelas linhazinhas da sua barriga.
Ame todos caminhos da sua mente,
os seus pensamentos sórdidos
as lembranças arrependidas.
As trevas secretas,
os desejos insaciáveis
as vontades esquecidas
as experiências indiscretas
E as indecências inexploráveis.
Ame tudo o que puder causar repulsa.
Entretanto, pelo principio básico do amor,
Cuide-se.
Cuide para que você não se vá
antes da hora,
para que você não extrapole
nenhum direito civil ou corporal,
para que você não estrague a vida
para você unicamente ou para alguém.
Amor é amor
E todo amor é pouco,
mas é preciso parar, se cuidar
e frear a liberdade justamente em nome do amor-próprio
em detrimento do mesmo,
Pelo próprio amor.
www.jessicaiancoski.com
Ame-se.
Quem quer que você seja.
Ame o seu corpo, as suas doenças,
aquela pintinha fora do lugar
e aquelas linhazinhas da sua barriga.
Ame todos caminhos da sua mente,
os seus pensamentos sórdidos
as lembranças arrependidas.
As trevas secretas,
os desejos insaciáveis
as vontades esquecidas
as experiências indiscretas
E as indecências inexploráveis.
Ame tudo o que puder causar repulsa.
Entretanto, pelo principio básico do amor,
Cuide-se.
Cuide para que você não se vá
antes da hora,
para que você não extrapole
nenhum direito civil ou corporal,
para que você não estrague a vida
para você unicamente ou para alguém.
Amor é amor
E todo amor é pouco,
mas é preciso parar, se cuidar
e frear a liberdade justamente em nome do amor-próprio
em detrimento do mesmo,
Pelo próprio amor.
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PILARES | POETAS CONTEMPORÂENOS
antes do sol
uma mãe
e os seus seis filhos
se levantam e
erguem as mãos
para um deus mudo.
sem que saibam
sustentam o peso do mundo
para que um dois ou três
homens sem rostos subam
até a tez
da lua.
enquanto suas
mulheres cantam agúdo
sobre as noites mais escuras
de um eclipse profundo.
e os pobres escutam
com seus rostos evaporando
em multidões enquanto aguardam
esmagados
a própria vez.
uma mãe
e os seus seis filhos
se levantam e
erguem as mãos
para um deus mudo.
sem que saibam
sustentam o peso do mundo
para que um dois ou três
homens sem rostos subam
até a tez
da lua.
enquanto suas
mulheres cantam agúdo
sobre as noites mais escuras
de um eclipse profundo.
e os pobres escutam
com seus rostos evaporando
em multidões enquanto aguardam
esmagados
a própria vez.
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UM ADEUS KAROL | POESIA BRASILEIRA ATUAL | POEMA SOBRE DESPEDIDAS DO MUNDO
UM ADEUS KAROL
Vi Karol não mais
Que sete vezes
Em uma delas
ela me disse para não ter vergonha
dos meus peitos caídos:
- são marcas da vida!
Mas agora ela se cansou das próprias marcas
se mudou proutro lugar
e lá ninguém mais pode levantá-la.
Não desistiu,
mas cansou de tentar a sorte
e pintou o sete.
Karol não sabe a falta
que fará nessa cidade
ou até sabe:
pra todas as sete artes
há antes sete capitais
ante as virtudes
depois os pecados das partes.
Mas tal pecado semelhante
foi da vida
ao querer obrigar tanto sofrimento
a tanta gente, tanto genesis inocente.
Deus me livre Karol
ter sete vidas nesse imundo:
São sete vezes que o fundo finda,
São sete vezes para todas as idas.
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Vi Karol não mais
Que sete vezes
Em uma delas
ela me disse para não ter vergonha
dos meus peitos caídos:
- são marcas da vida!
Mas agora ela se cansou das próprias marcas
se mudou proutro lugar
e lá ninguém mais pode levantá-la.
Não desistiu,
mas cansou de tentar a sorte
e pintou o sete.
Karol não sabe a falta
que fará nessa cidade
ou até sabe:
pra todas as sete artes
há antes sete capitais
ante as virtudes
depois os pecados das partes.
Mas tal pecado semelhante
foi da vida
ao querer obrigar tanto sofrimento
a tanta gente, tanto genesis inocente.
Deus me livre Karol
ter sete vidas nesse imundo:
São sete vezes que o fundo finda,
São sete vezes para todas as idas.
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Comentários (3)
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PARABÉNS JESSICA UM LINDO POEMA
Gostei, aguardando mais.
parabéns pelas poesias e pelo empenho em prol do seu sonho! você tem muito potencial! :)