Ilustração
Um corpo que cai
E a terra não traga:
Poucas palavras amargas
Saíram da boca dela...
Vida vida... vida bela;
Que vida é essa
Meu Deus?
Meu corpo cai
A terra traga
Vida vida... triste vida;
Poucas palavras amargas
Já não me atingem mais
Foi-se o tempo de paz
Vida vida... que vida é essa?
Palavras da vida não voltam atrás
A priori
Arte só se for para mim,
para na arte ser findado.
E uns poemas fracassados também
me disseram que, no fim, foram para lá
Lá atrás daquele morro
nunca bate Sol, todo dia, toda noite
faz sombra naquele lado do morro.
O Sol não chega lá onde eu moro.
Viver para a arte não traz a significância:
Quando volto para casa, atrás daquele morro,
a cachorrada passa latindo para mim
como se eu fosse outro alguém.
Cachorros demais, são muitos cachorros-
que não vale o lixo que comem!
Aquela cachorra não diz uma palavra;
Não consigo chegar em casa-
o Sol não ilumina meu caminho.
Que arte egoísta:
Nem para mim, nem para ninguém,
quem quiser, que faça por onde
e cale a boca da cachorrada,
porque eu cansei de usar palavras!
Garrafas de veneno
Sozinho apenas, de novo, eu...
Quem sabe não fico sozinho.
Mais uma noite; só, quem sabe?
Bebendo de novo, às vezes, agora
Estou sozinho em casa, de novo,
Só, eu sopro a poeira da mesa
Para colocar a taça de vinho
Que eu vou beber sozinho.
De novo, nessa casa não tem
Ninguém para beber comigo!
Se eu grito ninguém ouve!
Se eu choro ninguém pergunta
Por quê; eu estou sozinho!
Bebendo mais uma garrafa...
De vinho seco que nem
Mais um daqueles perdidos
Que não têm ninguém
E nem onde cair morto
Já que estão sozinhos... no
Mundo ninguém te quer
Ver bem, ele te quer sozinho
Bebendo várias garrafas
De veneno: Desfaça o gosto
Do vinho, aqui estou eu
Em casa com ninguém, talvez
Eu fique de novo bebendo, mais,
Uma garrafa de vinho, sozinho.
Senhor do ser
O ser não é sabedoria infinita
O castigo da alma não é saber
Se sou ou se não sou o ser
Senhor de pouca hora, pouca vida
Não sou aquele que está ali
Sendo sempre cego ao acaso
Ser ambíguo, tédio e ódio não atraso
Ser aquilo que não fui, ser aí
No lastro daquilo que é, ser, não fui
Já não sei mais como acaba
As tantas vezes que não fui como desejava
Naquilo que toca a vida, o ser eu fui
Sendo a arte, do ser amado, fui o adeus
Fui a sombra dos verso que foram meus