Um indivíduo que tomou conhecimento do seu irreversível não pertencimento à sociedade.
Um indivíduo que enxerga o mundo com outros filtros, diferente do das pessoas comuns
Não sei por que ainda insisto em escrever. Não gosto dos meus textos Das minhas poesias, dos meus contos. Fico imaginando quem é que vai gostar de tudo isso Aliás, estou pouco me lixando para "eles".
Esse negócio de escrever é do diabo Todo dia prometo pra mim mesmo Que vou fazer outra coisa Caminhar, passear, jantar fora, essas coisas.
Mas não é por falta de tentativas O problema é que todas as vezes que saio Eu sinto repugnância por tudo Por tudo que está a minha volta Por todos que estão a minha volta
Quando eu me dou conta Estou voltando para o hotel Embriagado, melancólico e enlouquecido. Pronto para escrever
Os acordes silenciosos desse ritmo que me silencia Nas esquinas das ruas vazias da noite As luzes dos neons me iluminam.
Ando como se estivesse perdido em um labirinto Mas vou seguindo meu instinto Refletindo pensamentos vulgares De repente me encontro em diversas mesas. Em diversos bares
Perseguindo seus rastros sacanas Vou caminhando, agora sem pensar. Vou seguindo suas pistas Até não mais te encontrar
315
Ausência e devaneio
Sem objetivo ou motivo A bebida vai acabando O cigarro vai queimando Infinitamente Em um ciclo, vicioso.
Como esse nossos desejo Um pelo outro Eufórico e ansioso
Na sua ausência, o meu desejo. Na sua presença, o meu anseio. Amo-te e te odeio
Na primeira estrofe, nos primeiros versos. É onde me encontro Nesse mundo vazio Cheios de devaneios
332
Mademoiselle
Mademoiselle
Os acordes silenciosos desse ritmo que me silencia Nas esquinas das ruas vazias da noite As luzes dos neons me iluminam.
Ando como se estivesse perdido em um labirinto Mas vou seguindo meu instinto Refletindo pensamentos vulgares De repente me encontro em diversas mesas. Em diversos bares
Perseguindo seus rastros sacanas Vou caminhando, agora sem pensar. Vou seguindo suas pistas Até não mais te encontrar
386
Sorriso em Melodia
Assim como o sopro de Coltrane Palavras e sorrisos sinceros me encantam Não me julguem por comparar um sorriso a Coltrane John desculpe, mas alguns sorrisos são mais belos que suas melodias. Mas digo apenas os sorrisos belos e sinceros
Sorrisos verdadeiros
Os falsos não têm harmonia, nem ritmo, nem melodia. Um sorriso belo me faz perder a cabeça Vou seguindo em direção aos seus lábios
No ritmo da música
No ritmo da música que toca de trilha sonora Trilha que ouço no fundo da minha mente Tudo bem, seus sorrisos e seu lábios. Também estão na minha mente.
Fico sonhando, com esse beijo molhado. Não os quero em pensamento Quero-os assim, também no presente.
408
Ego Virtual
Comidas, cachorros, viagens. Praias, bares, mares. Segunda, quarta, sexta-feira. Apenas querem ser vistos Bebidas, copos na mão, noite. Parques, praças, hotéis. De dia, de tarde, de noite. Café, almoço, jantar.
Quer apenas ver, os que querem ser vistos.
Rindo, chorando, cantando, dançando. No carro, no ônibus, trabalhando. No cinema, no baile, bailando. Os que veem, também querem ser vistos.
Fingem que são não são. São, mas fingem que não são. Tudo falso, tudo mentira. Só querem alimentar o ego Vivem assim Para isso, em torno disso.
Está tudo errado, estranho, esquisito. É o mundo atual, o mundo moderno, vivem disso. Elas apenas estão vendo e querendo ser vistos Eu sou estranho, diferente. Ás vezes, me descuido, participando de tudo isso Por um impulso, fico iludido, com o falso encanto de tudo isso. Mas no fundo, não quero ver, nem ser visto.
Só quero fugir de tudo isso
316
O grito da alma
Um grito ensurdecedor da alma percorre o cômodo vazio Angustias e aflições voam junto com ele Mas ninguém ouve Só eu sei que ele está ali, aqui.
Eu, o ouço.
O coração e a mente parece não mais aguentar Os ouvidos parecem a explodir Com o grito O grito que ninguém ouve, que ninguém vê
Procuro me esconder dele, entre um gole e outro. Ele some, mas aparece em outra forma. Ele vem em forma de tristeza, melancolia, solidão.
O que fazer então, para fugir?
Deixar de existir? Ou escrever? Resolvi escrever
O som das palavras o mantem longe daqui
359
Da mente ao pó
No grito incessante da alma ela sai Percorrendo as linhas no fundo branco Ao apoio de Fante
Despejo palavras fora de ordem Na forma de poesia
Aos olhares das mulheres O louco vai agarrando as inspirações Procurando palavras A mente cansada De quem carrega uma vida dura
Sem pensar, desfiro desenfreadamente palavras Para que a vida não se transforme em tortura
Não há continuidade, nem encerramentos Há apenas os momentos
323
Poema de um perturbado
Não gosto de perfeição Onde tudo são flores e arco íris Onde tudo é felicidade
Se é que felicidade existe Ou se é algo que foi criado [Criado para cegar nossos anseios] Nossas angustias, nossos vazios
Não sei
Gosto de estar no meio dos desajustados Dos perturbados Dos que assumem o não pertencimento a sociedade São verdadeiros Gosto deles
Andarilhos, moradores de rua, bêbados. Eles sempre têm algo para nos dizer, nos ensinar Cheio de palavras sábias, verdadeiras. Os que não procuram em outra pessoa, felicidade. Esses sim são os verdadeiros, os que enxergam a verdade, a realidade.
Eles sabem.
Sabem que nós mesmos, somos nossas melhores companhias.
306
O gozo do verso final
Transpiro paixões e forma de poesias Percorro as linhas do caderno Como se percorresse o seu corpo. Envolvido em maldades, os pensamentos, em você.
À noite
Escrevo todos os prazeres que desejo Escrevo em seu corpo Poesias nuas e cruas E versos ousados.
Despindo o seu corpo com palavras Deixo o desejo mais oculto deixa para verso final. Sem dizer nada.
Você, por favor, não me diga nada. Apenas me sinta.
E nos seus olhos, me devore.
325
Arievilo, o Bartender
Vivia uma ótima fase com as mulheres. Estava em plena forma. Os treinos de boxe eram quase que diários. Meus trajes eram sempre os mesmos. Regata branca, camisa havaiana entreaberta, ou aberta por completo e calça.
No bar, fazia sucesso atrás do balcão, entre um drink e outro que eu servia, ganhava caricias nas mãos na hora de entregar a bebida, olhares sedutores também eram constantes.
Certo dia retribui a investida de uma garota que havia pedido para eu preparar uma caipirinha. Ela não tirava os olhos de mim enquanto preparava seu drink.
- Aqui está o seu drink, Simone, eu disse.
- Como sabe meu nome? Perguntou surpresa.
- Você tem cara de Simone, Simone é um nome lindo, assim como seu sorriso (Mentira! havia olhado o nome dela na comanda).
Simone, que mulher espetacular. Morena, tinha em torno de 1,75. Daria uma bela briga ela com seus 1,75 e eu com meus 1,87. Cabelos cacheados, longos, até a altura da cintura. Um par de peitos que ficava saltando do decote lateral usava uma camiseta branca cortada nas laterais, também usava uma calça preta de vinil. E que lábios, que boca. Fiquei excitado na hora, quando vi aquela boca carnuda no batom vermelho.
- O próximo drink, é por minha conta, qualquer um que escolher, disse.
- Só se você beber comigo, disse ela.
- Não costumo beber em serviço, mas vou abrir uma exceção. Venha buscar seu drink daqui 40 minutos, até lá vou desenrolando para dar uma escapada.
- Ok, ela disse. Vou para a pista, dançar um pouco.
Deu um sorriso, uma piscada e saiu, mexendo seus cabelos cacheados e rebolando aquele bundão que parecia estar me dizendo, até daqui a pouco.
Foram os 40 minutos mais atrapalhados, só pensava nela. Errei drinks, derrubei cerveja. Fui preparar um drink na coqueteleira e não fechei direito, a coqueteleira abriu. A bebida voou toda na cara do cliente, o cara ficou com uma folha de hortelã grudada na testa. Ficou furioso, veio pra cima, os seguranças estavam próximos, apartaram.
Um tempo depois, Simone apareceu, escolheu o drink, uma Vodka, a mais cara do cardápio. Podia ter pegado algo mais simples, né, baby, pensei.
Servi uma dose generosa para ela, peguei um Bourbon para mim e pedi para o outro bartender segurar as pontas. Sem cerimonias, discretamente, levei ela para a varanda. No caminho, ela pediu para que não fossemos juntos, disse que iria me seguindo. Disse que estava com algumas amigas e que elas iriam achar ruim por ter abandonado elas. Tudo bem, sem problemas. Subi para o andar de cima e ela veio atrás. Entrei, ela entrou na sequencia meio desconfiada, olhando para os lados. Achei esquisito, mas tudo bem.
Fechei a porta e começamos a nos beijar, sem cerimonias ela botou aqueles peitões pra fora, tinha um piercing em cada mamilo. Comecei a chupar, parecia que estava chupando uma manga, lambuzando, esfregando na cara toda. Fiquei de joelhos na sua frente, comece a acariciar sua xoxota por fora da calça, baixei a calça dela e fui de boca. Fiquei ali, ajoelhado aos seus pés. Levantei, a virei de costas, terminei de baixar a calcinha dela, botei o boneco pra fora e pimba! Uma, duas, três, quatro. Ela gritava, gemia, pedia pra eu foder mais. Foi quando reparei que dava pra ver a gente da área de fumantes, que havia do lado de fora, no andar debaixo. Do quintal, enxergava a varanda, parcialmente. Tinha uma meia dúzia de espectadores nos assistindo. Tudo be. De repente, a porta da varanda se abre, olho para a porta e vejo o cara da folha de hortelã, parado, parecia estar tomado pelo capeta.
Gritou, SIMONE! Guardei o boneco, fechei a calça. Simone ficou sem reação, tremendo, tentando se explicar enquanto colocava a calça. O gigantão empurrou Simone de lado, tirando a de sua frente e veio em minha direção.
O Cara era um brutamonte, não tinha notado isso quando joguei Rum e hortelã em sua cara, parecia um desses lutadores de MMA. Veio desenfreadamente em minha direção, parecia um gorila enfurecido, porém, um pouco desengonçado.
Imediatamente peguei o meu copo de Whiskey e joguei na cara dele. Começamos a sair na mão. Ele acertou alguns socos em mim, desviei de alguns quando na melhor oportunidade dei um cruzado de esquerda e um direto. Ele tentou se defender, mas consegui encaixar todos. Voltei com outro cruzado de esquerda e finalizei com um upper, acabei finalizando o rapaz. Os seguranças chegaram e botaram o casal para fora. Não sei o que aconteceu depois, entre eles.
E eu? Trinta e três anos de vivência e nem percebi que ela era noiva, a diaba usava aliança.