Jonatan Carlos Reis

Jonatan Carlos Reis

n. 1984 BR BR

Um indivíduo que tomou conhecimento do seu irreversível não pertencimento à sociedade. Um indivíduo que enxerga o mundo com outros filtros, diferente do das pessoas comuns

n. 1984-05-13, São Paulo

Perfil
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Não gosto dos meus textos

Não sei por que ainda insisto em escrever.
Não gosto dos meus textos
Das minhas poesias, dos meus contos.
Fico imaginando quem é que vai gostar de tudo isso
Aliás, estou pouco me lixando para "eles".

Esse negócio de escrever é do diabo
Todo dia prometo pra mim mesmo
Que vou fazer outra coisa
Caminhar, passear, jantar fora, essas coisas.

Mas não é por falta de tentativas
O problema é que todas as vezes que saio
Eu sinto repugnância por tudo
Por tudo que está a minha volta
Por todos que estão a minha volta

Quando eu me dou conta
Estou voltando para o hotel
Embriagado, melancólico e enlouquecido.
Pronto para escrever
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Poemas

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Cabernet

Leio o texto, um gole
Procuro palavras, outro gole
Não encontro nada, mais um gole
Dou mais um gole!
Hoje, não estou bem para escrever, mas estou ótimo para beber
Acabaram os goles, e agora?
Encho o copo
Dou um gole
Saíram algumas linhas
Dois goles, para comemorar
Já não sei mais o que escrever
Mas sei exatamente o que fazer
Dois goles!
Não quero mais escrever, a bebida está acabando
Um gole, dois goles, três goles
Acabou!
Vou buscar mais
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O estranho estrangeiro


Não sou como eles
Sou como um estranho, um estrangeiro
Onde não falo a língua deles, não tem seus costumes.
Não sei se isso é bom, ou ruim.

Às vezes, gostaria de ser igual a eles
Conversas banais, divertimentos banais
Cantar, dançar, sorrir.

Não sei mais se gostaria de ser igual a eles
Mostrando quem tem mais
Quem sabe mais, quem gasta mais, quem morre mais.

Dou um gole!

Não quero prestações
Prestação de casa, carro, apartamento
Prestação de vida, viver a prestação.
Começar a semana, obcecado pelo final.
Adoecer no final, no fim da noite

Sabendo que no dia seguinte, vai começar tudo de novo
No fundo, gosto dessa solidão.
Solidão, não!

Pois tenho companhia, a melhor, a minha companhia
Sou a minha melhor companhia.

Mas junto comigo, vem ela, a eterna melancolia.
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