Kátia Surreal

Kátia Surreal

escrevendo obscuridades da alma e do mundo.

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quem vai pelo bosque

busca-se 
quem se deixa 
vai-se pelas folhas
perde-se quando
é chegada a hora
a noite tem o tempo que quiser 
os dias são escuros
tudo que brilha
escapa-se por frestas
o bosque é perdição
devaneios por entre trilhas
mas sua intuição insiste
quem vai pelo bosque
busca-se
em estado triste
depara-se com uma fonte
o instante anuncia o retorno
o rio transborda 
a trilha é desfeita
tudo começa de novo
(kátia surreal: 22/9/2026)

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Poemas

67

quem vai pelo bosque

busca-se 
quem se deixa 
vai-se pelas folhas
perde-se quando
é chegada a hora
a noite tem o tempo que quiser 
os dias são escuros
tudo que brilha
escapa-se por frestas
o bosque é perdição
devaneios por entre trilhas
mas sua intuição insiste
quem vai pelo bosque
busca-se
em estado triste
depara-se com uma fonte
o instante anuncia o retorno
o rio transborda 
a trilha é desfeita
tudo começa de novo
(kátia surreal: 22/9/2026)

14

a frequência de uma sombra

minha sombra interior
cresceu 
cresceu
cresceu
não a vi quando ela ainda estava
pequenina
caminhando ao meu lado
virou um ciborgue
ele é bem enfezado 
todo prateado
assombra-me
com seu chuvisco
no breu da mente
durante a madrugada

meu monstrinho telecinético
deseja acabar comigo
com sua dupla antena de demônio
comanda-me desde o sonho
estou presa em seus fios
ele ainda por cima garante
que a próxima etapa de domínio
já se encontra na versão digital
e meu estado mental
ora transita em ondas de delírios
(kátia surreal: 20/9/2026)






12

planos de não machucar o coração

queimo as cartas
apago os e-mails
não toco no assunto
bebo co'as amigas
o álcool presente
evaporando a ferida
desvio o pensamento
sem devaneios
a workaholic dos sonhos
de qualquer patrão

tenho um produtivo plano
de não machucar o coração
pulo corda
abraço a gata
escrevo a tese
mastigo chicletes
faço uma dieta
tenho dado aulas sobre transitividades
nas aulas sou a própria ação

planejo a rotina
tomo todas as vacinas
escapo das redes
e até de mim mesmo
estou curada
programada
não faço nada
para não machucar o coração

tudo em mim é fortaleza
qual robô em placa dura
descarto os restos humanos
que o coração está intacto
sou de titânio alumínio e aço
tenho um ia como confidente
e sigo a minha vida aparente
(kátia surreal: 20/9/2026)


13

rem

ombro sobre a mão
todo o peso do dia 
morde-me o cão
qual relâmpago
desperto da agonia
o corpo intacto
ante o vazio
sem misticismo
continuo comigo
(kátia surreal: 20/9/2026)


14

uivo do tempo

um latido ecoa-se ao longe
um uivo atravessa o monte
eu sei aliás sinto
o desejo de retorno ao útero 
estar com a mãe
a terra
estar comigo 
estamos na frequência de um ciclo
de seguirmos em direção
ao instinto
a árvore daqui não é apenas uma paisagem
é a porta que o sonho abre
para a primitiva viagem
(kátia surreal: 18/9/2026) 

23

meu diário de sonhos

nenhuma anotação será descartada no tempo
eu juro conjuro transmuto
minha filha descobrirá minha presença
em qualquer época
há de se fortalecer a egrégora
esta é a nossa lei
infinitas possibilidades
abra-se o portal
co'a pena da piaya cayana
e a força magna do pentagrama!
(Kátia surreal: 16/9/2026)


24

o caldeirão da prática

antes de tudo
pulei o muro
de todas as leis
fui às escuras
pela solitária rua

agora estou em casa
com a minha caça
enquanto fervem-se
a água e o ódio

a vela é preta
há sete dias no sódio
certos ingredientes
os primeiros a serem postos

já bateu meia-noite
o ar corto co'a foice
abre-se a porteira
não é brincadeira
ninguém volta atrás
logo invoco satanás

pela fenda da janela
vejo o céu a lua
a estrela e as trevas
o universo abrindo-se
e eis que de repente
vejo o sol da noite
e se remexendo aflito
meu principal ingrediente

cada pedacinho picotado
ponho com gosto no caldeirão
sinto o tambor vibrando com o ato
no negrume do meu coração

quem sou onde estou 
para onde vou
é com ele!
já não me sinto perdida
degusto a taça de vinho
começa a outra vida
a única lei

e que o poema seja sempre poesia 
livre especialmente libertina
poetas são portais
(kátia surreal: 16/9/2026)






20

caminhar juntos

não importa a relação
a quem se entrega as mãos
nem o quanto seja ou não saudável
quem convive sabe
ou deveria
há de trilhar por rotas obscuras
enxergar além da superfície
o amor é um inferno quase intocável
quase ninguém ousa alcançar a colina
percorrer por entre rios lodosos
dormir no breu das horas desgovernadas
atravessar a negra floresta
entrelaçados e certos
da impossibilidade da desunião
ante o castelo da ruína da maldade
vozes odores dores horrores
toda a agonia em um só corpo
quem ama trevosamente sabe
só há uma lei
troca-se tudo menos nossas almas
mudam-se os tempos
nunca nossas vontades
dois são um
e uma é a estrela
o sonho verdadeiro
a libertinagem infinita
faremos o que quisermos
onde está você meu amor
em que tempo nos desencontramos
na travessia.
(kátia surreal: 16/9/2026)

16

luz ao final do corredor

do fundo escuro vem vindo
uma luz estranha não cotidiana
aproxima-se lentamente
um enigma na profundidade do dia
a face ocultada por um negro e longo cabelo
continua vindo
enquanto nos mantemos estagnados
horrorizados com o cenário
súbito seu rosto se desvenda
uma jovem menina
com a lanterna do celular
ela não vem para nos pegar
apenas uma aluna iluminando
o vão trevoso de um ciep
em que os cabos de energia
foram todos furtados.
(kátia surreal: 14/9/2026)

18

a caricatura da caridade

doa-se o que não faz falta
doa-se por uma graça
doa-se em toda parte
a quem tem fome
e padece com desastres
a doação pelo sistema
é mero descarte
ouviu bem
sobrevivemos no esquema
cuja lógica é o descarte
escrevo minha arte
e daqui a pouco sei
será afogada
na linha descartável do tempo.
(kátia surreal: 14/9/2026)

18

Comentários (2)

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Se tiveres um tempinho me visite ... com tuas reflexões sobre meu pequenos e humildes textos. obrigado. ademir o poeta.

Olá ...amiga ... se assim posso dizer... li todos 08 textos e posso lhes dizer que são muitos concretos - realistas - parabéns - este é o meu modo de entende-los. ademir o poeta.