Lista de Poemas

Lhe


Ser petrov da esperança
Mensageiro Criador
Terra nova nessa dança
A vida, um sonho de dor

Força dolente
Um sentimento a navegar
Alma insurgente
Tem Pelé e ao mesmo tempo Marajá
181

Mil Dor

Um menor,
Mil raízes.
Uma mão,
Mil cicatrizes.

Um passo,
Mil olhares.
Um movimento,
Mil pesares.

Um neguin,
Mil dores.
Uma cor,
Mil sofredores.
170

Triste Poeta

Se eu fosse feliz,
Poemas eu não escreveria.
Não há azul nesse mar infeliz,
Jaz a alma que perdeu a rebeldia.

Cuspiu-se a vida nessas linhas,
Todas as notas musicais terminam em dor.
Há frestas nas entrelinhas,
A dor, perde-se a cor.

No céu não brilham os astros,
Meu corpo perdeu a ginga.
Jurou-se o sorriso fosco,
O caminho sem guia.

Meus pés de bamba não sabem mais aonde me levar.
A noite varou o dia,
Mas não terminou em luar.
173

O começo do fim

O começo do fim,
Da pergunta e resposta,
Ao presente.
No inteperismo do eu.

Ah, a interjeição do pretérito!
Do amanhã sem futuro.
Não há nuances em ser perfeito,
Mas vida em ser humano.

É viver o detalhe do erro,
Ser em si, o si em nós!
Dançar o som da tristeza,
E cantar o tom maior da felicidade.
173

Ilusão do amor

Errei, amor
Eu estava perdido na tua ilusão
No falso amor que você plantou no meu coração
Nas linhas tortas que proseiam a minha dor

Agora,
Eu sei que o amor é ferida que sara
Você plantou a semente do seu sorriso na minh'alma
O brio do seu rosto me lembra a mais bela alvorada

Hei, amor,
De demorar pra te esquecer
Lembrar da sua voz, do seu jeito me causa prazer

E quem sabe, querida,
De um dia ver o nosso amor renascer
E desejar mais uma poesia para você
E morar em teus braços
E juntos completar o mais belo quadro
Que jamais um dia imaginei sem você
182

Mulambo

A morte me visita todo dia
Mas acho que ela sabe que sou filho de Ogum
E mulambo rubro negro
Pois se ela planejou de me matar
Eu não combinei de morrer.
168

Ode

Do vento que sopra esperança
A vida trôpega que não se aperta
Vive num mar de bonança
Enfeitiçado pelo som da seresta

Jaz o papel da cultura
Pórtico a força da fé
Avesso a estranha censura
Alumiando a maré

Bamba da própria elegância
Que não se deixa levar
Salve a todos do samba
E a força dos orixás
165

Só a luta vale a luta

Segue-se o caminho
São odores de verbo
O céu se tornou chão , resquicíos
A mocidade não acompanha o dialeto

A rua grita
O olhar comove
O coração, na surdina
Revolucionou mais um moleque

Os pés são versos
Que só a luta lê
A massa caminhando lento
Quando chegarem, os de lá já terão pago pra ver
165

À procura de respostas.

Absorto na escuridão desse céu
Tentando iluminar minha alma

Faço Perguntas
Estrábica as respostas

Falta-me a visão sagaz
Para enxergar além do embaçado


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