Escuta-me, amor
Escuta-me, Amor, quero dizer-te umas coisas
Tem uns versinhos que preciso que leias
Uns que dizem aquilo que quero te falar
E não tenho chance...vê que desgraçada sou ?
Até o ultimo adeus me foi negado!
E tanto, tanto que já escrevi pra ti
Foste o anjo que minh ‘alma cantou
E amou muito... entre nós tudo morreu
Agora partiste sem olhar pra trás
É teu direito me esquecer
Eu guardarei tudo de bom e esperarei
Que dê a alguém todo amor que não me deste.
A poesia
Nessas ruas desertas e melancólicas
Nas florestas iluminadas
Nas campinas bucólicas
Sim, eu vejo poesia.
E ela se estente
Poeticamente, pelos corações
Ridicularmente, para quem não a entende.
E o que seria, se não
Essa poética patética um presente
Da natureza para os homens
Para que preencham o vazio
De suas almas?
E a poesia vem da Alma
O poema é a poesia transcrita
O poeta é um abençoado
Não pela graça divina
Mas pela Poesia...
Sim, amigos poetas! cantemos!
Não ria de mim, caro confidente
Eis meu caderno aberto
Leia-o todo se for capaz
Talvez minhas tolas palavras
Te façam perder a paz
No meu caderno jazem
Meus versos humildes
Liras que cantam
Dor, amor e saudades
Sinto que fui destinada
Desde o dia da criação
A ter o caderno como único amigo
Ou talvez seja só imaginação
Meu caderno aberto é meu oponente
Que diz: "Anda, escreve-me!
E depois carregue este fardo
De poeta que te cabe!"
E o digo pois
Que poeta não sou, não
Sou apenas uma alma solitária
Com a sorte de um caderno à mão
O romântico
Vivendo arrebatador sentimento
Derramando o pranto do sofrimento
Eis o Romântico em seu canto de amor
E em suas noites de puro terror
Noites estas, que envolto em mistério
Chega às portas do cemitério
E lá, em meio às covas sombrias
O Romântico compõe suas liras
Sua vida boêmia de mil amores
Rende ao Romântico inúmeras dores
As noites frias: a pneumonia
Os dias de tédio: a melancolia
Quem sois, ó Romântico?
Aquele que espalhou seu canto
Aquele que de amor sofria
E entoava palavras d'agonia!
Quem sois, ó Romântico?
Sois Álvares, Alves e Castelo Branco
Que não viveram em vão
Escreveram prazeres e dores do coração
Estou certa de que o Romântico não morreu
O Romântico sou eu
És tu, e nossa ilusão
De que o romantismo vive, em nossa geração.