Me faz música, acorde teu Quero ser casa que teu dedo toca Se eu te cantar, você me escala? Faz do meu corpo tuas cordas?
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É Teu, Tudo Teu
Eu te dei o poder de me fazer com teu olhar de construir em mim barreiras, abismos, enganos Eu, fui eu, só eu Que te deixei me preencher com toda a agressividade Que você precisava jogar sobre alguém Te permiti que definisse o que eu seria E que desprezasse o meu choro Me acusando de fraqueza Ordenando que me enxergasse Mas o que vejo no espelho não sou eu E o que sinto, não é meu É teu, tudo teu, só teu Esse peso que destrói meus ombros E esse medo que retrai meus passos E essa dor que me deixa menor Que o que realmente sou Portanto, hoje, agora, nesse minuto Te abri a porta Te preparei as malas E te tirei as chaves Que sempre foram minhas
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Na Prateleira de Deus
Quem sou, senão poeira aos ventos do acaso? Que tenho, senão tudo o que todo mundo tem? Especial é o que é eterno, que eternidade habita em mim? Tal folha caindo num segundo ilusoriamente interminável São meus anos, ilusoriamente longos Até que o tempo se aproxima como um tapa inesperado, indesejado Pra me lembrar que eu, você, nós Não passamos de uma grande brincadeira do destino Ou bibelôs na prateleira de Deus Esperando a queda, a quebra, os cacos Para enfim dormir o sono mais duradouro do universo
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Mentirinha
Minhas dores de mentirinha Minhas lágrimas de água doce, Simulando a agonia Eu me entrego, como quem sofre Às trapaças da poesia
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Eu Gosto é dos Poetas
Eu gosto é dos poetas Me dê versos e eu te entrego o que quiser mostra-me que sabe manusear uma palavra e eu terei certeza de que saberá manusear meu coração Eu gosto é de quem sofre Quem pouco dói, pouco entende a dor alheia Então não hesite em me falar tua aflição Que eu te prometo sentir junto, fisgada por fisgada Até que pare de doer...
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Casa Mal Assombrada
Encontro meus fantasmas todo dia ora me rendo, ora batalho, ora desisto Ora me esqueço que estão aqui Os vejo passeando por minha mente os sinto embrulhando meu estômago E acelerando meu coração E acho graça em como eles temem um copo d'água Ou como desistem de mim, quando alguém especial chega perto Pessoas especiais são como amuletos para a alma Queria mais amuletos Quem sabe, menos fantasmas Pra minha mente parar de fazer papel De casa mal assombrada