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Na Prateleira de Deus

Quem sou, senão poeira aos ventos do acaso?
Que tenho, senão tudo o que todo mundo tem?
Especial é o que é eterno, que eternidade habita em mim?
Tal folha caindo num segundo ilusoriamente interminável
São meus anos, ilusoriamente longos
Até que o tempo se aproxima como um tapa inesperado, indesejado
Pra me lembrar que eu, você, nós
Não passamos de uma grande brincadeira do destino
Ou bibelôs na prateleira de Deus
Esperando a queda, a quebra, os cacos
Para enfim dormir o sono mais duradouro do universo
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Poemas

6

Casa Mal Assombrada

Encontro meus fantasmas todo dia
ora me rendo, ora batalho, ora desisto
Ora me esqueço que estão aqui
Os vejo passeando por minha mente
os sinto embrulhando meu estômago
E acelerando meu coração
E acho graça em como eles temem um copo d'água
Ou como desistem de mim, quando alguém especial chega perto
Pessoas especiais são como amuletos para a alma
Queria mais amuletos
Quem sabe, menos fantasmas
Pra minha mente parar de fazer papel
De casa mal assombrada
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Na Prateleira de Deus

Quem sou, senão poeira aos ventos do acaso?
Que tenho, senão tudo o que todo mundo tem?
Especial é o que é eterno, que eternidade habita em mim?
Tal folha caindo num segundo ilusoriamente interminável
São meus anos, ilusoriamente longos
Até que o tempo se aproxima como um tapa inesperado, indesejado
Pra me lembrar que eu, você, nós
Não passamos de uma grande brincadeira do destino
Ou bibelôs na prateleira de Deus
Esperando a queda, a quebra, os cacos
Para enfim dormir o sono mais duradouro do universo
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Eu Gosto é dos Poetas

Eu gosto é dos poetas
Me dê versos e eu te entrego o que quiser
mostra-me que sabe manusear uma palavra
e eu terei certeza de que saberá manusear meu coração
Eu gosto é de quem sofre
Quem pouco dói, pouco entende a dor alheia
Então não hesite em me falar tua aflição
Que eu te prometo sentir junto, fisgada por fisgada
Até que pare de doer...
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É Teu, Tudo Teu

Eu te dei o poder
de me fazer com teu olhar
de construir em mim
barreiras, abismos, enganos
Eu, fui eu, só eu
Que te deixei me preencher
com toda a agressividade
Que você precisava jogar sobre alguém
Te permiti que definisse o que eu seria
E que desprezasse o meu choro
Me acusando de fraqueza
Ordenando que me enxergasse
Mas o que vejo no espelho não sou eu
E o que sinto, não é meu
É teu, tudo teu, só teu
Esse peso que destrói meus ombros
E esse medo que retrai meus passos
E essa dor que me deixa menor
Que o que realmente sou
Portanto, hoje, agora, nesse minuto
Te abri a porta
Te preparei as malas
E te tirei as chaves
Que sempre foram minhas
27

Musical

Me faz música, acorde teu
Quero ser casa que teu dedo toca
Se eu te cantar, você me escala?
Faz do meu corpo tuas cordas?
20

Mentirinha

Minhas dores de mentirinha
Minhas lágrimas de água doce, 
Simulando a agonia
Eu me entrego, como quem sofre
Às trapaças da poesia
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