Sempre na esperança de causar,
De não ser esquecida
De ficar na sua vida
Um pouco mais
Que uma lembrança
Te deixo
Bibelô na cristaleira
E me conformo em ser memória
No fundo
Sei que este é o seu lugar
Que você está exatamente onde deveria estar.
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Só por força consigo o olhar branco
Só por força consigo o olhar branco
Com que te cumprimento
Enquanto as entranhas
Antropofágicas
Hermafroditas
Se devoram
Se fecundam
E geram o amor
Ácido
Corrosivo
Que te ofereço e você
Educadamente
Sorve a pequenos goles
Sem nunca digerir
De todo
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Sou
É assim que eu sou
Prolixa
Perdida
Complicada
Não sei fazer joguinho
Nem sei contar piada
Sem meio-termo
Sem meias palavras
Quero sempre tudo
Muito
Inteiro
E rápido
O que guardo me incomoda
Feito sapato apertado
E se me der espaço,
Falo.
Sou assim também
Fálica, bobagenta
Apaixonada sem medida
Se cruzar eu chuto
Se der sopa bebo a vida
De um gole.
Herança de vó:
Pés no chão
Cabeça nas nuvens.
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Eu não sei o que há
Eu não sei o que há com meu corpo
que me corre um olho
que me escapam bocas
e braços
e abraços
que me escorrem mãos
que me derretem peitos
e pernas
por pontes
portas
postes
pastos
não sei o que há comigo
que transpira vida
que desperta a fome
que ilumina a carne
não sei o que há
que me sinto livre
que me sinto luz.
como sair consigo se o mundo muda e nos mudamos o mundo?
que bom ler teus poemas de novo andei sumido mas voltei com vontade de ver coisas belas por isso estou aqui diante de teus poemas um grande abraço
Lindo!! Parabéns!!