Lucas  Garcia

Lucas Garcia

n. 1996 BR BR

n. 1996-08-30

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Soneto agnóstico

Quando chegar-me a Única Certeza
A arrebatar-me dos desejos já cansados
Serei tranquilo, da paz que ora sobeja
Ou irei fazendo birra, perturbado? 

Temerei os fantasmas do passado
Ou seguirei ao bom descanso recolhido?
Sorrir, amar, fazer-me derramado 
Fugir de um Para Sempre arrependido.

Num céu sem nome tenho acreditado 
Orando sempre a um Deus Paz e Sorriso
Que têm aos homens tanto esquecido

E se a carranca for mesmo tão preciso
Eu, que terei a vida inteira delinquido
Sorrirei também no inferno, abençoado.
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Poemas

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Inércia

Olhava-me o lago era 

O descanso de si, inexorável.

Surgia uma mosca a sobrevoar a superfície 

Muito apta a rasgar aquele tecido 

E boiava 

E ia embora quando um garoto acneico

Compartilhando consigo sua habilidade 

Jogava a pedra mais chata que encontrava 

O braço elástico como no baseball 

O piar de um canário não encontrava nuvem 

Batia na lua diurna (insólita) 

E voltava. 

 

O silêncio era o mais forte dos movimentos 

Engolia com uma boca d'água a pedra chata 

E voltava a trabalhar até que o menino cansasse.

Mas não cansava. 

O que cansava nele 

Era o barulho que fazia.

(22/04/26)

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