Lucas  Garcia

Lucas Garcia

n. 1996 BR BR

n. 1996-08-30

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Soneto agnóstico

Quando chegar-me a Única Certeza
A arrebatar-me dos desejos já cansados
Serei tranquilo, da paz que ora sobeja
Ou irei fazendo birra, perturbado? 

Temerei os fantasmas do passado
Ou seguirei ao bom descanso recolhido?
Sorrir, amar, fazer-me derramado 
Fugir de um Para Sempre arrependido.

Num céu sem nome tenho acreditado 
Orando sempre a um Deus Paz e Sorriso
Que têm aos homens tanto esquecido

E se a carranca for mesmo tão preciso
Eu, que terei a vida inteira delinquido
Sorrirei também no inferno, abençoado.
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Poemas

3

Nossa bandeira jamais será vermelha

E no entanto, vermelho como brasa.
É vermelha a cor que a coroa perseguiu
A pintar cruz, pano e tábua rasa

Manchou assim tua mão no processo
Porque o pau que bate em Chico é pau brasil
O pau que hasteia ordem e progresso

Verde, amarelo, branco e azul anil
Flâmula orgulhosa estrelada 
Paz no futuro de um passado vil

Se não é toda vermelha
- esse vermelho tão sombrio - 
é dele em boa parte salpicada.

(set/2022)
312

Ceia

Um murmúrio ao redor da mesa,
abaixo do tampo.
As bocas - acima - calam.
Quando não, os pais calam as bocas.
Uma sinfonia de tilintares no vidro extremamente sonoro.
Notícias de esperança para o ano que vem chegam
pela palha de aço da meia antena que sobrou.
Até que Cleyton peida alto
E todos explodem em um riso totalmente inadequado.
296

Intraduzível

Algumas palavras 
São mais suaves em francês 
-Não por soarem melhor, 
o que não creio,
Mas por tê-las doído o inteiro
Do meu profundo português 
Brasileiro.
Às vezes, numa tarde de sábado
(Às vezes, com uma lata na mão) 
Olho para o céu, 
Derramo um gole no chão,
Solto um vazio: 
Tu me manques,
Tio.
E fico esperando a piada, que não vem.
No meu português, onde têm histórico,
Algumas palavras
Costumam nem existir 
Como palavras.
322

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