Lucas  Garcia

Lucas Garcia

n. 1996 BR BR

n. 1996-08-30

Perfil
5 266 Visualizações

Poemas

3

Nossa bandeira jamais será vermelha

E no entanto, vermelho como brasa.
É vermelha a cor que a coroa perseguiu
A pintar cruz, pano e tábua rasa

Manchou assim tua mão no processo
Porque o pau que bate em Chico é pau brasil
O pau que hasteia ordem e progresso

Verde, amarelo, branco e azul anil
Flâmula orgulhosa estrelada 
Paz no futuro de um passado vil

Se não é toda vermelha
- esse vermelho tão sombrio - 
é dele em boa parte salpicada.

(set/2022)
316

Ceia

Um murmúrio ao redor da mesa,
abaixo do tampo.
As bocas - acima - calam.
Quando não, os pais calam as bocas.
Uma sinfonia de tilintares no vidro extremamente sonoro.
Notícias de esperança para o ano que vem chegam
pela palha de aço da meia antena que sobrou.
Até que Cleyton peida alto
E todos explodem em um riso totalmente inadequado.
297

Intraduzível

Algumas palavras 
São mais suaves em francês 
-Não por soarem melhor, 
o que não creio,
Mas por tê-las doído o inteiro
Do meu profundo português 
Brasileiro.
Às vezes, numa tarde de sábado
(Às vezes, com uma lata na mão) 
Olho para o céu, 
Derramo um gole no chão,
Solto um vazio: 
Tu me manques,
Tio.
E fico esperando a piada, que não vem.
No meu português, onde têm histórico,
Algumas palavras
Costumam nem existir 
Como palavras.
324

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.