Lista de Poemas
Corpos Quentes
Um sorriso para te odiar,
E um olhar para abraçar.
Corpos quentes
Suor,
Respirações ofegantes,
E mãos que se apertam.
Dormir,
Recomeçar,
Eu te amo,
Gozamos.
Corpos quentes.
Por falta de definições melhores
Nos odiamos ao extremo.
Corpos Quentes
Agora deixe a chuva cair lá fora.
Aqui dentro molhamos tudo que podíamos.
Agora deixa o vento bater na janela.
Vai ser apenas a nossa respiração nesse quarto.
Agora eu quero você,
E você não precisa responder,
Só continue sorrindo e aperte minha mão mais uma vez.
A madrugada já vai passar.
De "Saideira".
E um olhar para abraçar.
Corpos quentes
Suor,
Respirações ofegantes,
E mãos que se apertam.
Dormir,
Recomeçar,
Eu te amo,
Gozamos.
Corpos quentes.
Por falta de definições melhores
Nos odiamos ao extremo.
Corpos Quentes
Agora deixe a chuva cair lá fora.
Aqui dentro molhamos tudo que podíamos.
Agora deixa o vento bater na janela.
Vai ser apenas a nossa respiração nesse quarto.
Agora eu quero você,
E você não precisa responder,
Só continue sorrindo e aperte minha mão mais uma vez.
A madrugada já vai passar.
De "Saideira".
192
Goze
Goze
Por hoje,
Apenas goze.
Goze por tudo,
Goze por todos,
Goze sozinho,
Goze acompanhado,
Apenas goze.
Goze como quiser,
O quanto puder,
Mas por hoje,
Apenas goze.
Goze a vida,
Goze pelo gozo,
Goze pela noite,
Mas goze esta noite,
Pois ela é de vocês, criaturas.
Apenas goze.
De "Saideira".
Por hoje,
Apenas goze.
Goze por tudo,
Goze por todos,
Goze sozinho,
Goze acompanhado,
Apenas goze.
Goze como quiser,
O quanto puder,
Mas por hoje,
Apenas goze.
Goze a vida,
Goze pelo gozo,
Goze pela noite,
Mas goze esta noite,
Pois ela é de vocês, criaturas.
Apenas goze.
De "Saideira".
184
Sobre Amor e Música
Sobre o amor e a música, entender?
Você ouve a melhor melodia, voz, ritmo, aquela barulheira infernal que define sua vida.
Pode ser aquela coisa melancólica da qual você coloca a cabeça na janela do carro num dia de chuva. Pode ser também alguma coisa excitante, aquelas batidas que te causem frisson.
Enfim, você sem tanta informação sobre outros idiomas vai até a fonte de tradução mais próxima e descobre então que a letra daquela canção falava de qualquer outra coisa, mas não do que você estava realmente sentindo.
E era algo assim que eu estava pensando naquela noite.
Aumentei o som e dei mais um trago.
De "Saideira".
Você ouve a melhor melodia, voz, ritmo, aquela barulheira infernal que define sua vida.
Pode ser aquela coisa melancólica da qual você coloca a cabeça na janela do carro num dia de chuva. Pode ser também alguma coisa excitante, aquelas batidas que te causem frisson.
Enfim, você sem tanta informação sobre outros idiomas vai até a fonte de tradução mais próxima e descobre então que a letra daquela canção falava de qualquer outra coisa, mas não do que você estava realmente sentindo.
E era algo assim que eu estava pensando naquela noite.
Aumentei o som e dei mais um trago.
De "Saideira".
171
Apenas Uma Noite
O ano era 2015 ou 2016, e levava minhas preocupações dos dois últimos anos na mochila. No metrô, ri quando o vendedor ambulante se escondeu entre as pessoas ao ver os seguranças embarcarem. Comprei uma cueca no shopping e 2 reais em chiclete. Eu havia recebido naquela semana, estava feliz. Estava preocupado.
Praça Roosevelt. Conversava com aquela garota em frente ao bar de atores. Um dia você estará ali. - ela falou aquilo ou pensei alto. - Me levantei, eu poderia fazer isso naquele instante. Passei por entre aqueles olhares, e até o vi o "cabeção da malhação" ou era alguém familiar. Acenou para mim. Acenei de volta como velhos amigos.
Pedi para usar o banheiro e o segurança disse que eu teria que comprar alguma coisa antes. - É CLARO, UMA CERVEJA!
Com aquele preço poderia comprar mais duas cuecas. Mas tudo bem, eu havia recebido.
Voltei para a praça e ela tomou a iniciativa e me beijou. Estava bêbado demais, ou preocupado demais. Seria uma noite sem fim e saímos para andar. A balada do velho casarão estava acabando e o segurança não foi com a minha cara. Fomos para o "castelo", casa de um amigo dela. Bebemos e fumamos e depois de soltar alguma piada ruim, percebi que aquele não era o meu mundo. Então fomos comer pizza, afinal, pizza une as pessoas. Paguei um pedaço para o andarilho e seu fiel cachorro. Fui julgado por isso. Foda-se, eu tinha recebido.
E no castelo de novo, acordei na cama do quarto que seria para "nós". Ela estava naquele pequeno sofá, encolhida. A levei para cama, dormi com a cabeça no travesseiro e pernas para fora. Acordei com a coluna travada.
O dia nasceu, e naquela manhã, andávamos pelas ruas acinzentadas da capital. Eu parecia um viciado, não me deixaram usar o banheiro para lavar o rosto. Tomamos café naquela padaria. Logo nunca mais nos veríamos. Logo minha carteira estaria vazia. E então ela se despediu com um beijo simples e seguiu. Apenas seguiu.
Entrei no táxi e o De Niro perguntou: Para onde vamos?
E então me lembrei de estar preocupado.
Praça Roosevelt. Conversava com aquela garota em frente ao bar de atores. Um dia você estará ali. - ela falou aquilo ou pensei alto. - Me levantei, eu poderia fazer isso naquele instante. Passei por entre aqueles olhares, e até o vi o "cabeção da malhação" ou era alguém familiar. Acenou para mim. Acenei de volta como velhos amigos.
Pedi para usar o banheiro e o segurança disse que eu teria que comprar alguma coisa antes. - É CLARO, UMA CERVEJA!
Com aquele preço poderia comprar mais duas cuecas. Mas tudo bem, eu havia recebido.
Voltei para a praça e ela tomou a iniciativa e me beijou. Estava bêbado demais, ou preocupado demais. Seria uma noite sem fim e saímos para andar. A balada do velho casarão estava acabando e o segurança não foi com a minha cara. Fomos para o "castelo", casa de um amigo dela. Bebemos e fumamos e depois de soltar alguma piada ruim, percebi que aquele não era o meu mundo. Então fomos comer pizza, afinal, pizza une as pessoas. Paguei um pedaço para o andarilho e seu fiel cachorro. Fui julgado por isso. Foda-se, eu tinha recebido.
E no castelo de novo, acordei na cama do quarto que seria para "nós". Ela estava naquele pequeno sofá, encolhida. A levei para cama, dormi com a cabeça no travesseiro e pernas para fora. Acordei com a coluna travada.
O dia nasceu, e naquela manhã, andávamos pelas ruas acinzentadas da capital. Eu parecia um viciado, não me deixaram usar o banheiro para lavar o rosto. Tomamos café naquela padaria. Logo nunca mais nos veríamos. Logo minha carteira estaria vazia. E então ela se despediu com um beijo simples e seguiu. Apenas seguiu.
Entrei no táxi e o De Niro perguntou: Para onde vamos?
E então me lembrei de estar preocupado.
195
O Álbum de Fotos
Aquela cama seria vendida. E nos conhecemos no mercado;
Não de fato no mercado, mas éramos conhecidos das redes sociais. E nos conhecemos no mercado. Tínhamos bebido e a “nossa história” foi mais do que breve. Perdi a aposta. Fui o primeiro a ir ao banheiro. Foram 2 semanas de sexo alcoólico. E logo na primeira noite, puxei meu álbum de fotos debaixo daquela cama.
No fundo, eu queria fingir que ela se importaria, de fato eu tentei acreditar que assim faria.
Porque você está me mostrando isso? Perguntou ela, e eu não lembro se fiquei sem graça, mas não, ela não era fria, só não tinha interesse. Noites depois ela me convidou para uma festa e me alertou para que eu não achasse estranho se outros chegassem nela. Eu disse que não ligava. E então senti o ar gelado quando a porta da geladeira se abriu. Estávamos naquele mesmo mercado. Escolhi minhas cervejas. Escolhi as últimas porque sempre as da primeira linha estão quentes. E o ato em si demorou alguns segundos, talvez minutos. Ela mexia no celular e eu pensava sobre minha resposta enquanto selecionava as latas. De fato eu não ligava, de fato sabia que não iria para a tal festa. Mas por algum motivo eu tentei criar algum interesse, e ela nem se importou em fingir. O álcool ainda te levará a lugares, pensei.
Formamos uma boa dupla naquelas duas semanas. Mas nunca saberemos o que tínhamos em mente naquelas noites; várias rotas de fuga, fugimos enquanto podíamos.
Fugimos enquanto queríamos.
De "Saideira".
Não de fato no mercado, mas éramos conhecidos das redes sociais. E nos conhecemos no mercado. Tínhamos bebido e a “nossa história” foi mais do que breve. Perdi a aposta. Fui o primeiro a ir ao banheiro. Foram 2 semanas de sexo alcoólico. E logo na primeira noite, puxei meu álbum de fotos debaixo daquela cama.
No fundo, eu queria fingir que ela se importaria, de fato eu tentei acreditar que assim faria.
Porque você está me mostrando isso? Perguntou ela, e eu não lembro se fiquei sem graça, mas não, ela não era fria, só não tinha interesse. Noites depois ela me convidou para uma festa e me alertou para que eu não achasse estranho se outros chegassem nela. Eu disse que não ligava. E então senti o ar gelado quando a porta da geladeira se abriu. Estávamos naquele mesmo mercado. Escolhi minhas cervejas. Escolhi as últimas porque sempre as da primeira linha estão quentes. E o ato em si demorou alguns segundos, talvez minutos. Ela mexia no celular e eu pensava sobre minha resposta enquanto selecionava as latas. De fato eu não ligava, de fato sabia que não iria para a tal festa. Mas por algum motivo eu tentei criar algum interesse, e ela nem se importou em fingir. O álcool ainda te levará a lugares, pensei.
Formamos uma boa dupla naquelas duas semanas. Mas nunca saberemos o que tínhamos em mente naquelas noites; várias rotas de fuga, fugimos enquanto podíamos.
Fugimos enquanto queríamos.
De "Saideira".
213
Mais Uma Dose
E por hoje eu só queria o nosso ontem,
Por hoje entrelaçaríamos os dedos,
Por hoje a tomaria inteira mais uma vez.
E por hoje eu queria sua música,
Por hoje nosso ritmo sairia pela janela,
Por hoje teríamos aquela pausa quando os olhos se voltam para o teto.
Agora olhe para mim.
Uma só respiração.
Agora cante,
Me deixe ouvir sua canção.
Por essa noite poderíamos,
Por essa noite eu amaria,
Por essa noite beberia mais uma dose de você.
Trecho de "Saideira".
Por hoje entrelaçaríamos os dedos,
Por hoje a tomaria inteira mais uma vez.
E por hoje eu queria sua música,
Por hoje nosso ritmo sairia pela janela,
Por hoje teríamos aquela pausa quando os olhos se voltam para o teto.
Agora olhe para mim.
Uma só respiração.
Agora cante,
Me deixe ouvir sua canção.
Por essa noite poderíamos,
Por essa noite eu amaria,
Por essa noite beberia mais uma dose de você.
Trecho de "Saideira".
205
Sob Os Olhares dos Deuses
Quando as torres desabam e os céus deságuam,
Quando as paredes tremem e o som abafado se mistura aos trovões,
É hora de dizermos aos deuses que estamos aqui e aqui ficaremos.
Quando o dia amanhece e nus acordamos,
Zombemos do mundo que acabou de abrir os olhos e façamos nossa festa,
Nossa homenagem às expressões sérias e entristecidas pelas ruas.
Levantemos nossas cabeças aos céus,
E agora diga-me garota,
Somos parte de algo.
E se nós formos os entristecidos,
Bastará você se curvar,
Minha cerveja será derramada,
E gota alguma será desperdiçada,
Você sentirá.
Nossas mãos serão instrumentos,
Dentro de bocas,
Envolta de pescoços,
Deixaremos marcas,
Unhas nas peles criarão mapas,
Então prenderemos o ar e repetiremos.
Libertaremos algo,
Nos provaremos.
Encha a sua mão de você e me sirva,
Deixe me sentir teu prazer.
Quando seu mantra morder meus ouvidos,
Curve-se sobre mim,
Que me ajoelharei sobre vossas pernas abertas.
Deixemos o vinho,
A cerveja e o gozo escorrerem por nossos corpos.
Teremos nossa ceia,
Nossa reciprocidade e nossa verdade.
E quando nossas carnes estiverem expostas e as peles avermelhadas,
Prenderemos a respiração por mais uma vez,
Apenas para soltarmos algo na face dos deuses e vos dizer,
Que ali ficaremos.
De "Saideira".
Quando as paredes tremem e o som abafado se mistura aos trovões,
É hora de dizermos aos deuses que estamos aqui e aqui ficaremos.
Quando o dia amanhece e nus acordamos,
Zombemos do mundo que acabou de abrir os olhos e façamos nossa festa,
Nossa homenagem às expressões sérias e entristecidas pelas ruas.
Levantemos nossas cabeças aos céus,
E agora diga-me garota,
Somos parte de algo.
E se nós formos os entristecidos,
Bastará você se curvar,
Minha cerveja será derramada,
E gota alguma será desperdiçada,
Você sentirá.
Nossas mãos serão instrumentos,
Dentro de bocas,
Envolta de pescoços,
Deixaremos marcas,
Unhas nas peles criarão mapas,
Então prenderemos o ar e repetiremos.
Libertaremos algo,
Nos provaremos.
Encha a sua mão de você e me sirva,
Deixe me sentir teu prazer.
Quando seu mantra morder meus ouvidos,
Curve-se sobre mim,
Que me ajoelharei sobre vossas pernas abertas.
Deixemos o vinho,
A cerveja e o gozo escorrerem por nossos corpos.
Teremos nossa ceia,
Nossa reciprocidade e nossa verdade.
E quando nossas carnes estiverem expostas e as peles avermelhadas,
Prenderemos a respiração por mais uma vez,
Apenas para soltarmos algo na face dos deuses e vos dizer,
Que ali ficaremos.
De "Saideira".
183
Incendiários
Dos pés a cabeça
Por entre as coxas e colchas,
Faça-me apenas um favor,
Teu corpo molhado no meu,
Mantenha-o assim.
Fogo
Ligue o som,
Abra a janela.
Volte.
Abafe o som.
Meus dedos,
Tua boca.
É nosso tempo.
Repita-me.
Teu cheiro,
Nossa respiração.
Agora toque.
É nosso tempo.
Repita-me.
De "Saideira".
Por entre as coxas e colchas,
Faça-me apenas um favor,
Teu corpo molhado no meu,
Mantenha-o assim.
Fogo
Ligue o som,
Abra a janela.
Volte.
Abafe o som.
Meus dedos,
Tua boca.
É nosso tempo.
Repita-me.
Teu cheiro,
Nossa respiração.
Agora toque.
É nosso tempo.
Repita-me.
De "Saideira".
207
Gigante Eterna
Não me lembro,
Outono talvez.
O cheiro era bom,
E como uma mariposa em queda livre,
Aquela folha se desprendeu de alguma árvore,
Invadiu meu quarto pela janela aberta e pousou suave em meu rosto.
Não me lembro, bati a testa na mesa.
A folha veio daquela grande árvore.
Aquela gigante viu planos de um casal na noite anterior.
Notou como se olhavam lá embaixo,
Como se tocavam.
E a cada risada alta, a cada olhar trocado,
Uma folha despencava feliz.
Não me lembro,
Só vi quando a folha foi varrida em direção a rua,
O rapaz a chutou,
A garota a pegou,
Ajeitou o cabelo e a colocou por detrás da orelha.
Quando se abraçaram no muro aos risos pela ventania que os atingiu,
Nem perceberam que a folha se foi,
Partiu.
Não me lembro,
Parecia ser a mesma Folha-Mariposa.
Naquela noite foi levada de volta a praça,
E outro casal estava ali,
Riam abaixo daquela gigante eterna,
E a folha se juntou aos montes que começavam a cair da grande árvore.
Se espalhavam pelo jardim.
De "Saideira".
Outono talvez.
O cheiro era bom,
E como uma mariposa em queda livre,
Aquela folha se desprendeu de alguma árvore,
Invadiu meu quarto pela janela aberta e pousou suave em meu rosto.
Não me lembro, bati a testa na mesa.
A folha veio daquela grande árvore.
Aquela gigante viu planos de um casal na noite anterior.
Notou como se olhavam lá embaixo,
Como se tocavam.
E a cada risada alta, a cada olhar trocado,
Uma folha despencava feliz.
Não me lembro,
Só vi quando a folha foi varrida em direção a rua,
O rapaz a chutou,
A garota a pegou,
Ajeitou o cabelo e a colocou por detrás da orelha.
Quando se abraçaram no muro aos risos pela ventania que os atingiu,
Nem perceberam que a folha se foi,
Partiu.
Não me lembro,
Parecia ser a mesma Folha-Mariposa.
Naquela noite foi levada de volta a praça,
E outro casal estava ali,
Riam abaixo daquela gigante eterna,
E a folha se juntou aos montes que começavam a cair da grande árvore.
Se espalhavam pelo jardim.
De "Saideira".
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