Lucas Melges

Lucas Melges

n. 1992 BR BR

n. 1992-10-08, São Paulo

Perfil
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Sobre o Amor, Criaturas

Charles Bukoswki disse uma vez: "O Amor é como quando você vê a névoa de manhã, quando você acorda antes do sol nascer. É como um breve instante que depois desaparece. Apenas isso, o amor é uma névoa que queima com a primeira luz de realidade".

Achei isso genial, mas o que eu posso dizer sobre o amor?

O amor é a risada escandalosa. É a saudade do abraço caloroso ou do sexo de encaixe perfeito. Revira-se só na noite e a saudade é tudo que se tem além das cobertas. Sim, o amor poderia ser tudo isso, mas talvez estejamos falando de um modo superficial.

O amor são duas pessoas correndo na chuva por entre as ruas alagadas, e embora aqueles pares de sapatos encontrem seu destino no lixo, aquela tarde ficará guardada na memória enquanto a vida existir.

O amor é a conversa da qual você poderia ali morar, só alternando entre um abraço que você chamaria de lar. É o momento em que você toca o interfone da garota e então ela aparece na janela e seus olhos vagueiam a calçada em busca de alguém. Então seus olhos me localizam e ela sorri. E aquele sorriso, caro leitor, aquele sorriso é o amor.

Mas não acaba ai, haverá minutos entre ela sair da janela, sorridente e abrir o portão. Lances de escadas, talvez 16 degraus, e a cada passo, uma memória. A vida vai golpear a mente dela com seus traumas e bons momentos. Seus passos serão ouvidos ao longe, seu chinelo saiu. Pausa para ajeita-lo ao pé. Agora aquele grande sorriso pode ter se transformado em meio sorriso, mas se houver a vontade de ter este meio sorriso, então, isso é amor. O passado vai lançá-la à deriva enquanto caminha automaticamente até o rapaz. Mas vos digo criaturas, se houver ainda aquele meio sorriso, isso é amor.

Quando ela o envolver com os braços, naquele abraço que faz a vida valer a pena e seu cheiro invadir sua mente, e perceber aquele aroma perfumaria alguma possui, então eu direi, meus caros, que isso também é amor.

Não quer dizer que o amor seja só isso, nem dizer que somente o amor seja suficiente. Naqueles instantes em que ela descia os degraus e tudo mudaria, o amor não seria suficiente, mas se sorriu, ainda que com meio sorriso, aquilo era amor, e se tem amor, ainda que não suficiente, já era meio caminho andado.

De "Saideira".
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Poemas

20

Apenas Uma Noite

O ano era 2015 ou 2016, e levava minhas preocupações dos dois últimos anos na mochila. No metrô, ri quando o vendedor ambulante se escondeu entre as pessoas ao ver os seguranças embarcarem. Comprei uma cueca no shopping e 2 reais em chiclete. Eu havia recebido naquela semana, estava feliz. Estava preocupado.
Praça Roosevelt. Conversava com aquela garota em frente ao bar de atores. Um dia você estará ali. - ela falou aquilo ou pensei alto. - Me levantei, eu poderia fazer isso naquele instante. Passei por entre aqueles olhares, e até o vi o "cabeção da malhação" ou era alguém familiar. Acenou para mim. Acenei de volta como velhos amigos.
Pedi para usar o banheiro e o segurança disse que eu teria que comprar alguma coisa antes. - É CLARO, UMA CERVEJA!
Com aquele preço poderia comprar mais duas cuecas. Mas tudo bem, eu havia recebido.
Voltei para a praça e ela tomou a iniciativa e me beijou. Estava bêbado demais, ou preocupado demais. Seria uma noite sem fim e saímos para andar. A balada do velho casarão estava acabando e o segurança não foi com a minha cara. Fomos para o "castelo", casa de um amigo dela. Bebemos e fumamos e depois de soltar alguma piada ruim, percebi que aquele não era o meu mundo. Então fomos comer pizza, afinal, pizza une as pessoas. Paguei um pedaço para o andarilho e seu fiel cachorro. Fui julgado por isso. Foda-se, eu tinha recebido.
E no castelo de novo, acordei na cama do quarto que seria para "nós". Ela estava naquele pequeno sofá, encolhida. A levei para cama, dormi com a cabeça no travesseiro e pernas para fora. Acordei com a coluna travada.
O dia nasceu, e naquela manhã, andávamos pelas ruas acinzentadas da capital. Eu parecia um viciado, não me deixaram usar o banheiro para lavar o rosto. Tomamos café naquela padaria. Logo nunca mais nos veríamos. Logo minha carteira estaria vazia. E então ela se despediu com um beijo simples e seguiu. Apenas seguiu.
Entrei no táxi e o De Niro perguntou: Para onde vamos?
E então me lembrei de estar preocupado.
205

Corpos Quentes

Um sorriso para te odiar,
E um olhar para abraçar.
Corpos quentes
Suor,
Respirações ofegantes,
E mãos que se apertam.
Dormir,
Recomeçar,
Eu te amo,
Gozamos.
Corpos quentes.
Por falta de definições melhores
Nos odiamos ao extremo.
Corpos Quentes
Agora deixe a chuva cair lá fora.
Aqui dentro molhamos tudo que podíamos.
Agora deixa o vento bater na janela.
Vai ser apenas a nossa respiração nesse quarto.
Agora eu quero você,
E você não precisa responder,
Só continue sorrindo e aperte minha mão mais uma vez.
A madrugada já vai passar.

De "Saideira".
202

Cidade Maldita

Preso em seus abraços,
Enroscado em seus braços
Sentia seu cheiro enquanto refletia pelo caminho.
Queria ficar contigo,
Mas não podíamos.
Dois idiotas.
Então eu teria que partir,
Mas você também não quis.
Era estar longe e não sentir você,
Era entrar e não querer sair.
E no caminho enquanto refletia,
A princípio resisti, logo olhei para trás e você estava ali.
Somos um caos danado, um caos total.
Acho que te amo.

De "Saideira".
182

Corpos Quentes

Um sorriso para te odiar,
E um olhar para abraçar.
Corpos quentes
Suor,
Respirações ofegantes,
E mãos que se apertam.
Dormir,
Recomeçar,
Eu te amo,
Gozamos.
Corpos quentes.
Por falta de definições melhores
Nos odiamos ao extremo.
Corpos Quentes
Agora deixe a chuva cair lá fora.
Aqui dentro molhamos tudo que podíamos.
Agora deixa o vento bater na janela.
Vai ser apenas a nossa respiração nesse quarto.
Agora eu quero você,
E você não precisa responder,
Só continue sorrindo e aperte minha mão mais uma vez.
A madrugada já vai passar.

De "Saideira".
188

Devaneio de Relacionamento

Hoje ela começou a namorar.
Ontem nós transamos virtualmente.
Gozamos.
Hoje ela começou a namorar e eu ainda tô excitado.

De "Saideira".
227

Incendiários

Dos pés a cabeça
Por entre as coxas e colchas,
Faça-me apenas um favor,
Teu corpo molhado no meu,
Mantenha-o assim.

Fogo
Ligue o som,
Abra a janela.
Volte.
Abafe o som.
Meus dedos,
Tua boca.
É nosso tempo.

Repita-me.
Teu cheiro,
Nossa respiração.
Agora toque.
É nosso tempo.

Repita-me.

De "Saideira".
218

Mais Uma Dose

E por hoje eu só queria o nosso ontem,
Por hoje entrelaçaríamos os dedos,
Por hoje a tomaria inteira mais uma vez.
E por hoje eu queria sua música,
Por hoje nosso ritmo sairia pela janela,
Por hoje teríamos aquela pausa quando os olhos se voltam para o teto.
Agora olhe para mim.
Uma só respiração.
Agora cante,
Me deixe ouvir sua canção.
Por essa noite poderíamos,
Por essa noite eu amaria,
Por essa noite beberia mais uma dose de você.

Trecho de "Saideira".
218

Sob Os Olhares dos Deuses

Quando as torres desabam e os céus deságuam,
Quando as paredes tremem e o som abafado se mistura aos trovões,
É hora de dizermos aos deuses que estamos aqui e aqui ficaremos.
Quando o dia amanhece e nus acordamos,
Zombemos do mundo que acabou de abrir os olhos e façamos nossa festa,
Nossa homenagem às expressões sérias e entristecidas pelas ruas.
Levantemos nossas cabeças aos céus,
E agora diga-me garota,
Somos parte de algo.
E se nós formos os entristecidos,
Bastará você se curvar,
Minha cerveja será derramada,
E gota alguma será desperdiçada,
Você sentirá.
Nossas mãos serão instrumentos,
Dentro de bocas,
Envolta de pescoços,
Deixaremos marcas,
Unhas nas peles criarão mapas,
Então prenderemos o ar e repetiremos.
Libertaremos algo,
Nos provaremos.
Encha a sua mão de você e me sirva,
Deixe me sentir teu prazer.
Quando seu mantra morder meus ouvidos,
Curve-se sobre mim,
Que me ajoelharei sobre vossas pernas abertas.
Deixemos o vinho,
A cerveja e o gozo escorrerem por nossos corpos.
Teremos nossa ceia,
Nossa reciprocidade e nossa verdade.
E quando nossas carnes estiverem expostas e as peles avermelhadas,
Prenderemos a respiração por mais uma vez,
Apenas para soltarmos algo na face dos deuses e vos dizer,
Que ali ficaremos.

De "Saideira".
195

Sua Face

Ela era tão linda que eu dizia ter saído de um álbum do Dylan. 

De "Saideira".
210

Gigante Eterna

Não me lembro,
Outono talvez.
O cheiro era bom,
E como uma mariposa em queda livre,
Aquela folha se desprendeu de alguma árvore,
Invadiu meu quarto pela janela aberta e pousou suave em meu rosto.
Não me lembro, bati a testa na mesa.
A folha veio daquela grande árvore.
Aquela gigante viu planos de um casal na noite anterior.
Notou como se olhavam lá embaixo,
Como se tocavam.
E a cada risada alta, a cada olhar trocado,
Uma folha despencava feliz.
Não me lembro,
Só vi quando a folha foi varrida em direção a rua,
O rapaz a chutou,
A garota a pegou,
Ajeitou o cabelo e a colocou por detrás da orelha.
Quando se abraçaram no muro aos risos pela ventania que os atingiu,
Nem perceberam que a folha se foi,
Partiu.
Não me lembro,
Parecia ser a mesma Folha-Mariposa.
Naquela noite foi levada de volta a praça,
E outro casal estava ali,
Riam abaixo daquela gigante eterna,
E a folha se juntou aos montes que começavam a cair da grande árvore.
Se espalhavam pelo jardim.

De "Saideira".
204

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