Lista de Poemas
A eterna ânsia do Amor Demais
A tua voz me fora suficiente. Fora.
Teus olhos me eram sossego, e hoje? Agora!
E me bastaria somente Um beijo. Beijei.
E beijei, e beijei e mais uma vez.
Sonhei em te tocar o corpo ternamente - E toquei.
Terna e desrespeitosamente. Como um bicho...
Bicho ingrato, inquieto, atormentado.
Rogava por teu peito, tua vida, tua alma! Rogava...
(Se tenho) anseio a áurea, o espírito, o cósmico.
Amada, anseio inteiramente ter-te. Ter-te.
Ter-te? Hoje não me basta ter-te!
Teus olhos me eram sossego, e hoje? Agora!
E me bastaria somente Um beijo. Beijei.
E beijei, e beijei e mais uma vez.
Sonhei em te tocar o corpo ternamente - E toquei.
Terna e desrespeitosamente. Como um bicho...
Bicho ingrato, inquieto, atormentado.
Rogava por teu peito, tua vida, tua alma! Rogava...
(Se tenho) anseio a áurea, o espírito, o cósmico.
Amada, anseio inteiramente ter-te. Ter-te.
Ter-te? Hoje não me basta ter-te!
433
Dom-luCasmurro
Quanta falta me faz a solidão!
Sofro meus inúmeros fantasmas,
que deturpam penar em meu plasma.
disseminando sua infecção.
Seus brados arrancam-me o sono,
e as miragens sempre tão reais,
corrompem meu ultimo entono,
irrigando-me com fel, com bílis.
A dúvida transborda-me aflição,
todo colapso, taquicardia
defrontam-me em desintegração.
Eterna trova de perfídia,
nodoa de dor e humilhação.
Eco de pranto e poesia.
Sofro meus inúmeros fantasmas,
que deturpam penar em meu plasma.
disseminando sua infecção.
Seus brados arrancam-me o sono,
e as miragens sempre tão reais,
corrompem meu ultimo entono,
irrigando-me com fel, com bílis.
A dúvida transborda-me aflição,
todo colapso, taquicardia
defrontam-me em desintegração.
Eterna trova de perfídia,
nodoa de dor e humilhação.
Eco de pranto e poesia.
465
Ouço a Marcha fúnebre da paixão
"No início, flores.
Risos, versos,
palavras eternizadas,
beijos pecaminosos - vão.
Com o tempo tudo é branco, brando, fenecido.
Restam espinhos - nada além de espinhos.
Nada além da dor de saber-se impotente
ante a ação do tempo (vilão da ânsia de quem ama)."
E quando a última poeira apaixonada esvai-se, de repente,
partem com ela a flor, o espinho e todo sentimento que reside neste mundo.
Aos amantes? Nada além de amor,
na expressão mais pura e celeste da palavra.
Risos, versos,
palavras eternizadas,
beijos pecaminosos - vão.
Com o tempo tudo é branco, brando, fenecido.
Restam espinhos - nada além de espinhos.
Nada além da dor de saber-se impotente
ante a ação do tempo (vilão da ânsia de quem ama)."
E quando a última poeira apaixonada esvai-se, de repente,
partem com ela a flor, o espinho e todo sentimento que reside neste mundo.
Aos amantes? Nada além de amor,
na expressão mais pura e celeste da palavra.
587
Elegia da Ode
Não sou homem, sou um poeta.
O poeta não sofre, morre.
O poeta não odeia,
se enoja e cospe e pisa,
calado e mudo e com sorriso nobre.
O poeta não ama, ele Ama.
Ama tanto que fere,
Ama tanto que sufoca,
Ama tanto que tanto Ama,
que mata e assim prefere.
O poeta não é feliz,
ele foge da felicidade,
a felicidade o corrói,
o aproxima da mediocridade.
O poeta não é triste,
ele invoca tristeza,
sem ela poesia com beleza
definitivamente não existe.
Não sou homem, sou O poeta.
Um poeta que ao ódio encobre
com abraço falso e sorriso nobre.
Um poeta que não ama. Ama
E sufoca e fere
e maltrata e mata
e assim prefere.
Que é voluvel,
a uma palavra, um olhar,
um espirro, um soprar,
instavel jamais estavel.
Poeta do desencanto.
Que baba sangue e rabisca féu
por vezes e mais vezes, cruel.
E que ao ver a menina e seu encanto
a amou tanto e tanto e tanto...
Que desenha agora sua lírica de céu,
e diz a sua amada palavras belas
e encherga nos teus olhos aquarelas
e ja não mais se deita co aquelas.
E ja não dissimula, faz o que sente
e age insensato, inconsequente
e quando olha, olha intensamente
e quando toca, toca indecente
e quando beija, faz-se incandecente.
E que ja não habita no sublime.
Que ja não é juíz do que é certo,
e que só quer decerto estar perto,
e quando não está se esvazia,
e sente-se isolado no deserto.
E que ama seu sorriso doce e fácil,
que ama seu cabelo lindo e frágil.
E que ama seu jeito louco,
que também ama teu seio pouco
e acha graça no balé torto
ama seu labio prequiçoso quase morto.
Perto da menina o inquieto poeta descansa
respira e faz ode e não se cansa
e então se faz completo, faz-se criança.
O poeta se emociona a cada instante.
O poeta emocionado neste instante.
Poeta, poeta...sempre inconstante.
No mar de variaveis habita uma constante,
Não sou homem, não sou poeta. Sou Seu.
Seu sórdido, celeste e eterno amante.
O poeta não sofre, morre.
O poeta não odeia,
se enoja e cospe e pisa,
calado e mudo e com sorriso nobre.
O poeta não ama, ele Ama.
Ama tanto que fere,
Ama tanto que sufoca,
Ama tanto que tanto Ama,
que mata e assim prefere.
O poeta não é feliz,
ele foge da felicidade,
a felicidade o corrói,
o aproxima da mediocridade.
O poeta não é triste,
ele invoca tristeza,
sem ela poesia com beleza
definitivamente não existe.
Não sou homem, sou O poeta.
Um poeta que ao ódio encobre
com abraço falso e sorriso nobre.
Um poeta que não ama. Ama
E sufoca e fere
e maltrata e mata
e assim prefere.
Que é voluvel,
a uma palavra, um olhar,
um espirro, um soprar,
instavel jamais estavel.
Poeta do desencanto.
Que baba sangue e rabisca féu
por vezes e mais vezes, cruel.
E que ao ver a menina e seu encanto
a amou tanto e tanto e tanto...
Que desenha agora sua lírica de céu,
e diz a sua amada palavras belas
e encherga nos teus olhos aquarelas
e ja não mais se deita co aquelas.
E ja não dissimula, faz o que sente
e age insensato, inconsequente
e quando olha, olha intensamente
e quando toca, toca indecente
e quando beija, faz-se incandecente.
E que ja não habita no sublime.
Que ja não é juíz do que é certo,
e que só quer decerto estar perto,
e quando não está se esvazia,
e sente-se isolado no deserto.
E que ama seu sorriso doce e fácil,
que ama seu cabelo lindo e frágil.
E que ama seu jeito louco,
que também ama teu seio pouco
e acha graça no balé torto
ama seu labio prequiçoso quase morto.
Perto da menina o inquieto poeta descansa
respira e faz ode e não se cansa
e então se faz completo, faz-se criança.
O poeta se emociona a cada instante.
O poeta emocionado neste instante.
Poeta, poeta...sempre inconstante.
No mar de variaveis habita uma constante,
Não sou homem, não sou poeta. Sou Seu.
Seu sórdido, celeste e eterno amante.
461
O passado vive em mim
Ouço ruídos na janela.
Não, Não é o vento.
É Ela. É a Vida rangendo.
Ao olhar meu rosto sulcado,
Intercala a pena e o riso,
ao ver o meu peito crivado,
ao ver o meu ser interciso.
Seu riso tem cuspe afiado,
ferindo com golpe inciso,
Gritando "Estas enfadado
fadado a tornar-se diviso".
A pena me ve atirado,
e logo me faz um aviso
"Precisa esquecer o passado".
Agradeço o conselho conciso.
Oh Vida ja estava avisado,
do oblio ja sei que preciso,
na noite me sinto açoitado,
no dia maquio o sorriso.
E a Vida responde irritada,
e brada "Isto é um motim!"
e chora "Estou sendo sugada"
Implora "Tem pena de mim!".
Diz que está ao meu lado,
mas teme por um estopim,
pra eu não viver de passado,
e que o passado é cupim.
Digo que tenho pensado,
e tenho resposta enfim,
Vida não vivo o passado,
o passado é quem vive em mim.
Não, Não é o vento.
É Ela. É a Vida rangendo.
Ao olhar meu rosto sulcado,
Intercala a pena e o riso,
ao ver o meu peito crivado,
ao ver o meu ser interciso.
Seu riso tem cuspe afiado,
ferindo com golpe inciso,
Gritando "Estas enfadado
fadado a tornar-se diviso".
A pena me ve atirado,
e logo me faz um aviso
"Precisa esquecer o passado".
Agradeço o conselho conciso.
Oh Vida ja estava avisado,
do oblio ja sei que preciso,
na noite me sinto açoitado,
no dia maquio o sorriso.
E a Vida responde irritada,
e brada "Isto é um motim!"
e chora "Estou sendo sugada"
Implora "Tem pena de mim!".
Diz que está ao meu lado,
mas teme por um estopim,
pra eu não viver de passado,
e que o passado é cupim.
Digo que tenho pensado,
e tenho resposta enfim,
Vida não vivo o passado,
o passado é quem vive em mim.
462
Enfado de vida
O dia era tão lento,
o riso era tão pouco,
o gim era tão sóbrio,
o abraço era tão falso,
o beijo era tão morto,
já não havia amigos,
e não havia amores.
Não existia o pranto,
já não ouvia o canto,
e já não via cores,
murchavam-se meus versos,
morriam meus temores,
o dia era tão lento,
o tédio era latente,
o mundo era tão falso,
a cama era tão quente,
eu era tão covarde,
e o dia ia caminhando,
a vida se arrastando,
a vida era tão lenta,
e não dizia nada,
e não havia intento,
meu peito fatigando,
meu mundo ia morrendo,
meu pulso ia rasgando,
o pulso era tão lento,
a vida ia murchando,
os olhos se fechando,
meu tédio descansava,
e tudo era tão turvo,
voltaram meus temores,
mas era tão tardio,
meus órgãos em falência,
e veio o desespero,
e o nada se perdeu,
e parecia tudo,
mas era tão tardio,
e a vida enfim morreu.
o riso era tão pouco,
o gim era tão sóbrio,
o abraço era tão falso,
o beijo era tão morto,
já não havia amigos,
e não havia amores.
Não existia o pranto,
já não ouvia o canto,
e já não via cores,
murchavam-se meus versos,
morriam meus temores,
o dia era tão lento,
o tédio era latente,
o mundo era tão falso,
a cama era tão quente,
eu era tão covarde,
e o dia ia caminhando,
a vida se arrastando,
a vida era tão lenta,
e não dizia nada,
e não havia intento,
meu peito fatigando,
meu mundo ia morrendo,
meu pulso ia rasgando,
o pulso era tão lento,
a vida ia murchando,
os olhos se fechando,
meu tédio descansava,
e tudo era tão turvo,
voltaram meus temores,
mas era tão tardio,
meus órgãos em falência,
e veio o desespero,
e o nada se perdeu,
e parecia tudo,
mas era tão tardio,
e a vida enfim morreu.
486
Não há poesia nos homens
Hoje quero sentir os homens,
Quero escrever a poesia dos homens.
Hoje prometo não pensar o verso,
Só quero exaltar a beleza dos homens.
Quero ver encanto em cada rosto parco que me cerca.
Quero despir a malícia dos homens,
Quero despir a mentira dos homens,
Quero, por um instante, extirpar o pudor da terra eternamente.
Hoje só quero a nudez inconsútil dos homens.
Quero sentir sentimento nos homens,
Quero enxergar poesia nos homens.
Hoje, só quero sentir que há vida nos homens.
Quero escrever a poesia dos homens.
Hoje prometo não pensar o verso,
Só quero exaltar a beleza dos homens.
Quero ver encanto em cada rosto parco que me cerca.
Quero despir a malícia dos homens,
Quero despir a mentira dos homens,
Quero, por um instante, extirpar o pudor da terra eternamente.
Hoje só quero a nudez inconsútil dos homens.
Quero sentir sentimento nos homens,
Quero enxergar poesia nos homens.
Hoje, só quero sentir que há vida nos homens.
339
O golpe
Hoje o céu amanheceu mais turvo,
o ar está irrespirável.
Carros se engavetam no cruzamento,
mesmo as máquinas perderam a força.
Hoje não tem chorinho no mercado municipal,
os músicos estão em prantos mudos.
É primavera e não se vê sequer uma flor,
As árvores estão mortas, como as de Manchester,
os prédios, murchos, curvam-se na diagonal
como quem quisesse descansar.
No hospital, bebês nascem urrando
e os médicos agem fria e naturalmente.
Na indústria a fumaça corre para a chaminé
e se dispersa rapidamente na atmosfera
numa fuga desesperada.
Alguns sentimentos se encontram cativos
nos cofres e presídios da cidade,
outros ainda caminham livres pelas ruas
e fazem revolução.
É o golpe da mágoa, do oco, do ódio.
o ar está irrespirável.
Carros se engavetam no cruzamento,
mesmo as máquinas perderam a força.
Hoje não tem chorinho no mercado municipal,
os músicos estão em prantos mudos.
É primavera e não se vê sequer uma flor,
As árvores estão mortas, como as de Manchester,
os prédios, murchos, curvam-se na diagonal
como quem quisesse descansar.
No hospital, bebês nascem urrando
e os médicos agem fria e naturalmente.
Na indústria a fumaça corre para a chaminé
e se dispersa rapidamente na atmosfera
numa fuga desesperada.
Alguns sentimentos se encontram cativos
nos cofres e presídios da cidade,
outros ainda caminham livres pelas ruas
e fazem revolução.
É o golpe da mágoa, do oco, do ódio.
404
Devagarzinho à morte
Quando partires feche a porta bem devagarzinho, de modo que eu possa contemplar o derradeiro pranto no teu rosto amarguradamente meu.
Celebremos assim os quatrocentos e vinte e dois dias do arrastar de um amor sombrio, nebuloso, úmido.
Ah vida minha, deixa que eu contemple a beleza desta mágoa infinda, deste último instante de palpitação, deste corpo fugindo dos meus braços lentamente - centímetro a centímetro.
Querida, quando partires feche a porte bem devagarzinho, de modo que guardes os quatrocentos e vinte e três dias em que fomos desumanamente tristes...
Dias que chovemos hora a hora, paúra a paúra numa inquietude sólida como a morte.
Horas que passaram cálidas e sujas e murchas e pálidas... e todos os segundos que nos rasgaram impiedosamente.
Feche a porta bem devagarzinho simplesmente, para que guardemos enfim, a última intensidade, os últimos momentos em que estaremos absurdamente vivos.
Celebremos assim os quatrocentos e vinte e dois dias do arrastar de um amor sombrio, nebuloso, úmido.
Ah vida minha, deixa que eu contemple a beleza desta mágoa infinda, deste último instante de palpitação, deste corpo fugindo dos meus braços lentamente - centímetro a centímetro.
Querida, quando partires feche a porte bem devagarzinho, de modo que guardes os quatrocentos e vinte e três dias em que fomos desumanamente tristes...
Dias que chovemos hora a hora, paúra a paúra numa inquietude sólida como a morte.
Horas que passaram cálidas e sujas e murchas e pálidas... e todos os segundos que nos rasgaram impiedosamente.
Feche a porta bem devagarzinho simplesmente, para que guardemos enfim, a última intensidade, os últimos momentos em que estaremos absurdamente vivos.
360
chama Eterna Chama (Em resposta a Manuel Bandeira)
O amor chama, e depois, Chama!
Faz refletir caro Bandeira.
A Chama vem, o amor chama...
Basta mirar, a artéria inflama
inerte ante o encanto da roseira.
O amor chama, e depois, Chama!
O peito alastra, é feito grama.
Orgulho cede - e da bandeira.
A chama vem, o amor chama...
E vale relva, e vale cama,
é luta séria - é brincadeira.
O amor chama, e depois, Chama!
E com o tempo, o amor escama,
vê fenecida - tua fogueira.
A Chama vem, o amor chama...
Vive saudade, peito reclama.
Revém a alma ardendo inteira.
O amor chama, e depois, Chama!
Se é amor, ninguém se engana
Vai ser eterno - desta maneira.
A Chama vem, o amor chama...
O amor chama, e depois, Chama!
Faz refletir caro Bandeira.
A chama vem, o amor chama!
Faz refletir caro Bandeira.
A Chama vem, o amor chama...
Basta mirar, a artéria inflama
inerte ante o encanto da roseira.
O amor chama, e depois, Chama!
O peito alastra, é feito grama.
Orgulho cede - e da bandeira.
A chama vem, o amor chama...
E vale relva, e vale cama,
é luta séria - é brincadeira.
O amor chama, e depois, Chama!
E com o tempo, o amor escama,
vê fenecida - tua fogueira.
A Chama vem, o amor chama...
Vive saudade, peito reclama.
Revém a alma ardendo inteira.
O amor chama, e depois, Chama!
Se é amor, ninguém se engana
Vai ser eterno - desta maneira.
A Chama vem, o amor chama...
O amor chama, e depois, Chama!
Faz refletir caro Bandeira.
A chama vem, o amor chama!
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