Lista de Poemas
A Vela
E vela é ela
Vela sou eu.
Ela tão bela,
Tão mais que eu.
A chama delas
Em apogeu,
Derrete ela,
Derrete eu.
Num mar de cera
Resto de vela,
Unem-se alegres
Em aquarela,
O lume dela
E o fosco meu.
Vela sou eu.
Ela tão bela,
Tão mais que eu.
A chama delas
Em apogeu,
Derrete ela,
Derrete eu.
Num mar de cera
Resto de vela,
Unem-se alegres
Em aquarela,
O lume dela
E o fosco meu.
484
Lamento
Conto-lhes agora a mesma história que o pobre garoto contaria e adormeceu.
Mas...
Ó garoto como invejo-te
feliz és tu que no sono
podes agora de tudo esquecer-te.
Quisera eu dormir assim,
adormecido poderia encontrar
essa paz que tanto busco,
e por um instante, olvidar.
Ah, como queria tudo esquecer,
mas a cada esforço vão,
vejo seu doce semblante,
tatuado na retina e no coração.
A paz me foi arrancada, ai de mim!
Ela.. sempre ela, me corroendo
A noite sou madeira, ela cupim
Pensando bem, de que me vale o sono?
Ela voltará logo no alvorecer
"Meu Deus, vós que estás no trono
melhor que dormir. Deixe-me morrer!"
Mas...
Ó garoto como invejo-te
feliz és tu que no sono
podes agora de tudo esquecer-te.
Quisera eu dormir assim,
adormecido poderia encontrar
essa paz que tanto busco,
e por um instante, olvidar.
Ah, como queria tudo esquecer,
mas a cada esforço vão,
vejo seu doce semblante,
tatuado na retina e no coração.
A paz me foi arrancada, ai de mim!
Ela.. sempre ela, me corroendo
A noite sou madeira, ela cupim
Pensando bem, de que me vale o sono?
Ela voltará logo no alvorecer
"Meu Deus, vós que estás no trono
melhor que dormir. Deixe-me morrer!"
372
A postuma do Falso Mendigo
Pobre morte minha - esquecida!
Também, pudera - Que mais esperaria um velho cujo a vida caminhou despercebida?
Cujas palavras eram escutadas, jamais ouvidas...
Certamente não haviam de interessar-se por meu ultimo suspiro.
Morri solitário, sereno, sem alarde.
Sem brados, lágrimas ou orações. Parti assim, ofuscado pelo breu.
Não houve túnel, não houve barco. Nem mesmo anjos.
Fui falecendo economicamente...
Nada de desmaios cinematográficos ou a tal da morte súbita, sabes?
Fui morrendo lentamente... Silencioso no gélido sofá da sala de estar.
Nem ao menos debati, ou murmurei, não resisti, nem me queixei...
A tempos a vida me dizia nada!
Mas ora, confesso - sonhei o pranto de meus pais, de alguns poucos amigos, da namorada...Mas nada
! Mesmo as lamentações vieram economicamente.
Enfim é morte que segue...
O amanhã haverá de ser agitado.
Vou comparecer ao meu velório econômico,
descer à minha cova econômica
, e rir de suas falsidades cômicas.
Também, pudera - Que mais esperaria um velho cujo a vida caminhou despercebida?
Cujas palavras eram escutadas, jamais ouvidas...
Certamente não haviam de interessar-se por meu ultimo suspiro.
Morri solitário, sereno, sem alarde.
Sem brados, lágrimas ou orações. Parti assim, ofuscado pelo breu.
Não houve túnel, não houve barco. Nem mesmo anjos.
Fui falecendo economicamente...
Nada de desmaios cinematográficos ou a tal da morte súbita, sabes?
Fui morrendo lentamente... Silencioso no gélido sofá da sala de estar.
Nem ao menos debati, ou murmurei, não resisti, nem me queixei...
A tempos a vida me dizia nada!
Mas ora, confesso - sonhei o pranto de meus pais, de alguns poucos amigos, da namorada...Mas nada
! Mesmo as lamentações vieram economicamente.
Enfim é morte que segue...
O amanhã haverá de ser agitado.
Vou comparecer ao meu velório econômico,
descer à minha cova econômica
, e rir de suas falsidades cômicas.
427
Verão em São José dos Campos
No verão de São José dos Campos
O sol, soberano, escalda a população.
A cortina de nuvens se escancara
E as pessoas, aflitas, buscam formas de refrigeração.
Ar condicionado, ventiladores, piscinas,
Corpos desnudos, chuveiros gelados. Vão.
O sol, soberano, escalda os corpos da população.
Picolé, chocolate, chinelo, madeiras, metais,
Carros, casas, edifícios.
Corpos: vestidos, despidos, vivos, falecidos.
O sol, soberano, escalda a matéria da população.
Somente a matéria. Quanto as almas, não!
Estas seguem intactas, gélidas, esquecidas...
Pelo sol, pelas nuvens, pelos corpos, pela vida e enfim
Por tudo que aquece o rígio verão
Da cidade de São José dos Campos.
No infindável inverno das almas de São José dos Campos
O sol, impotente, observa a frieza e a zumbicidade da
população.
O sol, soberano, escalda a população.
A cortina de nuvens se escancara
E as pessoas, aflitas, buscam formas de refrigeração.
Ar condicionado, ventiladores, piscinas,
Corpos desnudos, chuveiros gelados. Vão.
O sol, soberano, escalda os corpos da população.
Picolé, chocolate, chinelo, madeiras, metais,
Carros, casas, edifícios.
Corpos: vestidos, despidos, vivos, falecidos.
O sol, soberano, escalda a matéria da população.
Somente a matéria. Quanto as almas, não!
Estas seguem intactas, gélidas, esquecidas...
Pelo sol, pelas nuvens, pelos corpos, pela vida e enfim
Por tudo que aquece o rígio verão
Da cidade de São José dos Campos.
No infindável inverno das almas de São José dos Campos
O sol, impotente, observa a frieza e a zumbicidade da
população.
346
Medo - Reboque da vida
Ainda jovem ouvi de um sábio grego que,
Me tomariam a inocência,
Me privariam a liberdade,
E parte de minha consciência.
E que não falhariam em me roubar os sonhos,
A força de minhas pernas,
o compasso de meu peito...
Que amputariam meus amores,
Dos carnais - aos virtuosos.
E por fim, definhariam minha dignidade pouco a pouco,
Até que meu nome se fizesse maldito entre trigos e joios.
E eu, simplesmente segui vivendo até que me fosse completamente extirpado o medo do oculto e do incompreensível.
Me tomariam a inocência,
Me privariam a liberdade,
E parte de minha consciência.
E que não falhariam em me roubar os sonhos,
A força de minhas pernas,
o compasso de meu peito...
Que amputariam meus amores,
Dos carnais - aos virtuosos.
E por fim, definhariam minha dignidade pouco a pouco,
Até que meu nome se fizesse maldito entre trigos e joios.
E eu, simplesmente segui vivendo até que me fosse completamente extirpado o medo do oculto e do incompreensível.
293
Contemplação
Eu vi a face da morte
É rubra e é branca e é azul.
Eu vi que a face da morte
É a própria face de Exu.
Anjo - Orixá - Luminoso
Despido de túnica e foice.
É a face guerreira da morte
Exu: Bravo, vigoroso.
Eu vi a face da morte
A morte mais forte que a vida
A morte mais santa que a vida
A morte mais viva que a vida.
Senti a força da morte.
- Um peso enorme nas costas
- Um lume a cegar os meus olhos
- A paz que não mora entre os homens
- Um canto a zunir meus ouvidos
- A morte em face do morto
Eu vi a face da morte
É rubra e é branca e é azul.
Eu vi que a face da morte
É a própria face de Exu.
É rubra e é branca e é azul.
Eu vi que a face da morte
É a própria face de Exu.
Anjo - Orixá - Luminoso
Despido de túnica e foice.
É a face guerreira da morte
Exu: Bravo, vigoroso.
Eu vi a face da morte
A morte mais forte que a vida
A morte mais santa que a vida
A morte mais viva que a vida.
Senti a força da morte.
- Um peso enorme nas costas
- Um lume a cegar os meus olhos
- A paz que não mora entre os homens
- Um canto a zunir meus ouvidos
- A morte em face do morto
Eu vi a face da morte
É rubra e é branca e é azul.
Eu vi que a face da morte
É a própria face de Exu.
311
Carta-confessa
Atraso de vida é o que resume!
Todos estes anos que fui teu
foram anos de estagnação, oh Ancora!
Me afundaste na mesquinhez de tua vida
repleta de desilusões e realidade.
Hoje liberto de tuas garras,
bebo diariamente minha dose de sonhos,
convivo com doutores respeitados,
me deito com donzelas fartas,
freqüento palacetes acarpetados.
E eu, que pensara ingenuamente...
Que tu Berenice, me bastaria.
Que beber de tua boca minha sede mataria
que teus olhos iluminariam qualquer escuridão,
e que aquele nosso quartinho dois por dois,
aquele que chamávamos "nosso mundo",
seria como nosso éden, paraíso na terra.
Quanto atraso de vida Berenice!
Meu mundo agora é como Big bang,
se expandindo a cada dia...
Cada dia mais moedas, orgasmos,
reconhecimento, futuro...
Ilusões, lembranças e saudade, quanta saudade!
A verdade Berenice,
é que vivo sedento por tua boca,
te procuro perdido em vielas no breu,
e que quando olho ao meu redor
contemplando tudo aquilo sonhara;
fecho os olhos regressando ao nosso mundo,
e me tranco no velho quartinho dois por dois.
Berenice, a verdade é que eu te amo
e tudo em mim suplica para que regresses.
Todos estes anos que fui teu
foram anos de estagnação, oh Ancora!
Me afundaste na mesquinhez de tua vida
repleta de desilusões e realidade.
Hoje liberto de tuas garras,
bebo diariamente minha dose de sonhos,
convivo com doutores respeitados,
me deito com donzelas fartas,
freqüento palacetes acarpetados.
E eu, que pensara ingenuamente...
Que tu Berenice, me bastaria.
Que beber de tua boca minha sede mataria
que teus olhos iluminariam qualquer escuridão,
e que aquele nosso quartinho dois por dois,
aquele que chamávamos "nosso mundo",
seria como nosso éden, paraíso na terra.
Quanto atraso de vida Berenice!
Meu mundo agora é como Big bang,
se expandindo a cada dia...
Cada dia mais moedas, orgasmos,
reconhecimento, futuro...
Ilusões, lembranças e saudade, quanta saudade!
A verdade Berenice,
é que vivo sedento por tua boca,
te procuro perdido em vielas no breu,
e que quando olho ao meu redor
contemplando tudo aquilo sonhara;
fecho os olhos regressando ao nosso mundo,
e me tranco no velho quartinho dois por dois.
Berenice, a verdade é que eu te amo
e tudo em mim suplica para que regresses.
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