Poemas
45Pretérito de ontem
Sinto falta do teu papel de escritor
Amassado pelas beiras
Provando do amor que não se tem
Nas linhas do meu precipício
Sinto falta da tua atuação
Autentica e enunciada
Posta ao mundo como prova
Dos crimes que me anulam
Sinto falta da tua voz
Em repasses de cenas
Da minha interpretação
Na tua boca.
Desperta, ardor!
Enobrecem suas hostis faces
Concedem o novo ensaio
Para dias de meretriz
Desfilam preces em avenidas
Atrasados para o próximo espetáculo
Vestes escolhidas a mão
Trajando ternos e fantasias
Em cenas de outrem
Rezam a importância do despertar
Pela cama a desdobrar seus corpos
Cansados como o couro do açoite
Figurantes da sociedade
Narram a história
Sem saber o autor.
Hemorragia
Um gole de cada espaço
E o vazio dança feito criança
Pernas tortas e persistentes
Desfazem-se nós
De longe escorre a pureza
Em paredes invisíveis
O chão pisado em murmúrios
Cala a voz ao que sente
Um pé a frente
A volta se desfaz
Como retórica apagada
Do novo vocabulário.
Obsessão
Solidão
No leito da sala
Aguardando que o vinho não me deixe
Nessas madrugadas onde cada gole exala meu confronto cotidiano.
Látego
Esperei que os homens miseráveis fossem frágeis
Para que o açoite driblasse as camadas da insensatez
A carne corrompesse o flagelo do peito
E em leito, a do rpararia de bater
Esperei que os homens calmos dissessem ternuras
Dessas de escreverem paredes vitorianas
Mas a flecha atinge crua
E depois, nua
Exclama
Esperei que os homens vistosos fossem bons
E os mal apessoados amariam
Não em tramas de sertão
Nem labaredas incessantes
Apenas botariam a mesa
Numa prosa elegante
Esperei por poetas,pintores, amantes
Mas o amor iniciante, disse-me logo
Acalma-te, são todos tardios, corrompidos
Instantes.
Aluci-na Bella
Do teu cais
Eu beberei
Até o princípio do fim
Desde o nascimento da morte
Quando por gratidão
Debruço em teu corpo
A avareza da felicidade
Tocando-te toda
Amando-te mais
Quê em todos os destinos
Entre tantos artifícios
Vivos e mortos
Nossas folhas padecem em noite fria
Teu rosto rosado te faz flor
Se tuas vestes não mais me servissem
O que restaria sem teu amor?
Com repúdio a vida seguiria
Sem todo teu esplendor
Para deuses, repetiria
Me leve pra onde ela flor!
Janta adormecida
Para que nelas caibam
O meu clamor
Em morfemas
Traduzo o horror
Sucumbindo barreiras
Decifrando enganos
Do sentir ao indispor
Como o corpo, engano
Delírio mundano
De ser o que sou.
Pranto do Poeta
Escrevo pela angústia dos corpos sem voz
Pela ação que se cala no colo dador
O que é sentido no braço do inimigo
Ao renovar dos pesares contidos
Escrevo pois minha voz se dilata
Cansa, exala, perde-se na estrada
Do saber que me passa
E de lá já grita adeus
Escrevo o que me resta
Com o que ainda não me bordou
Sou de longe o que é pressa
E de frente o que passou
Escrevo pois minha alma canta
Exclama as gotas de chuva
Reclama a sombra da gana
Pois meu peito é delírio
Pranto frio de quem ama
Escrevo sem métricas
Sem regras, barreiras
E dilemas exigentes
Escrevo pois não calo
Não paro o que me sente.
Comentários (1)
É você que passa pela vida ou são as coisas da vida que passam por você ?