Lucille

Lucille

.close my eyes and pass away.

n. 0000-01-16, Joinville/SC

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Poemas

45

Pretérito de ontem


Sinto falta do teu papel de escritor
Amassado pelas beiras
Provando do amor que não se tem
Nas linhas do meu precipício

Sinto falta da tua atuação
Autentica e enunciada
Posta ao mundo como prova
Dos crimes que me anulam

Sinto falta da tua voz
Em repasses de cenas
Da minha interpretação
Na tua boca.
416

Desperta, ardor!

Os tolos levantam-se
Enobrecem suas hostis faces
Concedem o novo ensaio
Para dias de meretriz
Desfilam preces em avenidas
Atrasados para o próximo espetáculo
Vestes escolhidas a mão
Trajando ternos e fantasias
Em cenas de outrem
Rezam a importância do despertar
Pela cama a desdobrar seus corpos
Cansados como o couro do açoite
Figurantes da sociedade
Narram a história
Sem saber o autor.
642

Hemorragia

Um gole de cada espaço
E o vazio dança feito criança
Pernas tortas e persistentes
Desfazem-se nós

De longe escorre a pureza
Em paredes invisíveis
O chão pisado em murmúrios
Cala a voz ao que sente

Um pé a frente
A volta se desfaz
Como retórica apagada
Do novo vocabulário.

547

Flauta Doce

A orquestra tocava o choro do mundo
556

Obsessão

Quero que tuas objeções se cruzem em minha boca. Que tua pele repudie meu toque, e vibre sem o entrelaçar de meus dedos. De longe quero sentir-te como mundo em decadência, onde não exista alma para o júbilo. Cobiço tua face em feiras de avenidas, perambulando em desgosto a tua vertigem, qual me causa ouriço simultâneo. Levo minhas mãos ao teu corpo. Embriago minhas verdades esperando que nelas caibam tuas vísceras do querer.
431

Solidão

No leito da sala
Aguardando que o vinho não me deixe
Nessas madrugadas onde cada gole exala meu confronto cotidiano.


584

Látego

Esperei que os homens miseráveis fossem frágeis

Para que o açoite driblasse as camadas da insensatez

A carne corrompesse o flagelo do peito

E em leito, a do rpararia de bater

Esperei que os homens calmos dissessem ternuras

Dessas de escreverem paredes vitorianas

Mas a flecha atinge crua

E depois, nua

Exclama

Esperei que os homens vistosos fossem bons

E os mal apessoados amariam

Não em tramas de sertão

Nem labaredas incessantes

Apenas botariam a mesa

Numa prosa elegante

Esperei por poetas,pintores, amantes

Mas o amor iniciante, disse-me logo

Acalma-te, são todos tardios, corrompidos

Instantes.

553

Aluci-na Bella

Do teu cais
Eu beberei
Até o princípio do fim
Desde o nascimento da morte
Quando por gratidão
Debruço em teu corpo
A avareza da felicidade
Tocando-te toda
Amando-te mais
Quê em todos os destinos
Entre tantos artifícios
Vivos e mortos

Nossas folhas padecem em noite fria
Teu rosto rosado te faz flor
Se tuas vestes não mais me servissem
O que restaria sem teu amor?
Com repúdio a vida seguiria
Sem todo teu esplendor
Para deuses, repetiria
Me leve pra onde ela flor!

687

Janta adormecida

Desloco as palavras
Para que nelas caibam
O meu clamor
Em morfemas
Traduzo o horror
Sucumbindo barreiras
Decifrando enganos
Do sentir ao indispor
Como o corpo, engano
Delírio mundano
De ser o que sou.
515

Pranto do Poeta

Escrevo pela angústia dos corpos sem voz

Pela ação que se cala no colo dador

O que é sentido no braço do inimigo

Ao renovar dos pesares contidos

Escrevo pois minha voz se dilata

Cansa, exala, perde-se na estrada

Do saber que me passa

E de lá já grita adeus

Escrevo o que me resta

Com o que ainda não me bordou

Sou de longe o que é pressa

E de frente o que passou

Escrevo pois minha alma canta

Exclama as gotas de chuva

Reclama a sombra da gana

Pois meu peito é delírio

Pranto frio de quem ama

Escrevo sem métricas

Sem regras, barreiras

E dilemas exigentes

Escrevo pois não calo

Não paro o que me sente.

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Comentários (1)

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haha ;)
haha ;)

É você que passa pela vida ou são as coisas da vida que passam por você ?