Luís Norberto Fidalgo da Silva Trindade Lourenço
Natural de Castelo Branco (1973). Licenciado em História (1999).
Professor, editor, tradutor e agente cultural. Fundador da Casa Comum das Tertúlias (2001). Autor do livro "Manifestos contra o medo: antologia de uma intervenção cívica" (2011).
Era uma vez um cidadão que não gostava de política, por isso não votava. Veio um político demagogo populista que não gostava dos cidadãos, vai daí, diz que as eleições custam muito dinheiro e que deviam acabar com elas. Aquele cidadão que não gostava de politica, por isso não votava, achou muito bem, como outros como ele. O tal político demagogo populista disse que a Democracia era um luxo dos ricos e que nós como somos pobres não podíamos mantê-la. Assim, poderia baixar os impostos, não fossem aqueles esbanjadores democratas que o combatiam e atrasavam o país com perdas de tempo com discussões e diálogos. Como o país tinha que avançar tinham de combater aqueles obstáculos e de formar mais polícias, sendo preciso dinheiro para isso. O tal politico que não gostava dos cidadãos, colocou mais polícias nas ruas para protegerem os cidadãos de se cansarem a discutir política. O tal politico que não gostava dos cidadãos e que achava que só polícias não chegavam, pegou nos desempregados e deu trabalho a todos para se encarregarem de ver se os cidadãos não andavam a perder tempo a discutir política. Por cada cidadão que salvassem do pecado do diálogo recebiam uma comissão. Um dia, o tal cidadão que não gostava de política estava a dizer a outro que os políticos eram todos iguais e que ele não gostava de política. Um daqueles cidadãos encarregues de salvar as almas dos cidadãos pensantes, ao ouvir isto denunciou o cidadão à polícia e este foi preso. Porquê? Se o cidadão não queria saber da política, logo, dos políticos, também não gostava do político demagogo populista… assim, esta ovelha tresmalhada tinha de ser reeducada.
Lição: o cidadão não queria saber da política, mas a política queria saber dele.
Penamacor, 14 de Julho de 2004
Luís Norberto Lourenço in 'Manifestos contra o medo: antologia de um intervenção cívica' (2011)
Publicado originalmente em http://cctertulias.blogs.sapo.pt (14/07/2004)
Luís Norberto Fidalgo da Silva Trindade Lourenço, nasceu em Castelo Branco (Beira Baixa, Portugal), a 27 de Agosto de 1973. Licenciatura em História: ramo científico, Universidade Lusíada (1999); Pós-graduação em Educação e Organização de Bibliotecas Escolares, Instituto Politécnico da Guarda (2011); Formação Avançada em Memória Cultural "A Memória do Holocausto na Cultura Europeia", Universidade Católica Portuguesa, Lisboa (2012); Diplomado en Historia de Jalisco, Colegio de Jalisco, México (2016); Diplomado en Museología y Museografía, Universidad de Guadalajara, México (2013). Luís Norberto Lourenço fundou em 5 de Outubro de 2001 a Casa Comum das Tertúlias, Tertuliando - Fanzine da Casa Comum das Tertúlias e a casa editorial da Casa Comum das Tertúlias em 2005. Autor de "Manifestos contra o medo: antologia de uma intervenção cívica". Além de escritor, professor, editor, organizador de eventos culturais, colunista, conferencista é tradutor e dinamizador de clubes de conversação.
Tenho um sonho... Que tu um dia, Possas dar o salto Para a outra margem Dos afectos, Margem, em que A amizade Se torna amor Margem dos afectos Sentidos, que por ti Sinto.
Ainda que não sintas Sentidos sentimentos Que sinto por ti Tenho uma serena esperança Que um dia Navegues no amor Que sinto por ti.
Eu, portador da serenidade tranquila Aguardarei eternamente – Promessas!!! – Que um dia Sintas o calor Do sangue Que em mim Arde por ti.
Que um dia Pouses os teus lábios No meu amor por ti, Cheio de carinho Ávido de paixão.
in http://fanzinetertuliando.blogspot.com/2005/03/poesia.html
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Actualidade...
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Era uma vez um cidadão que não gostava de política, por isso não votava. Veio um político demagogo populista que não gostava dos cidadãos, vai daí, diz que as eleições custam muito dinheiro e que deviam acabar com elas. Aquele cidadão que não gostava de politica, por isso não votava, achou muito bem, como outros como ele. O tal político demagogo populista disse que a Democracia era um luxo dos ricos e que nós como somos pobres não podíamos mantê-la. Assim, poderia baixar os impostos, não fossem aqueles esbanjadores democratas que o combatiam e atrasavam o país com perdas de tempo com discussões e diálogos. Como o país tinha que avançar tinham de combater aqueles obstáculos e de formar mais polícias, sendo preciso dinheiro para isso. O tal politico que não gostava dos cidadãos, colocou mais polícias nas ruas para protegerem os cidadãos de se cansarem a discutir política. O tal politico que não gostava dos cidadãos e que achava que só polícias não chegavam, pegou nos desempregados e deu trabalho a todos para se encarregarem de ver se os cidadãos não andavam a perder tempo a discutir política. Por cada cidadão que salvassem do pecado do diálogo recebiam uma comissão. Um dia, o tal cidadão que não gostava de política estava a dizer a outro que os políticos eram todos iguais e que ele não gostava de política. Um daqueles cidadãos encarregues de salvar as almas dos cidadãos pensantes, ao ouvir isto denunciou o cidadão à polícia e este foi preso. Porquê? Se o cidadão não queria saber da política, logo, dos políticos, também não gostava do político demagogo populista… assim, esta ovelha tresmalhada tinha de ser reeducada.
Lição: o cidadão não queria saber da política, mas a política queria saber dele.
Penamacor, 14 de Julho de 2004
Luís Norberto Lourenço in 'Manifestos contra o medo: antologia de um intervenção cívica' (2011)
Publicado originalmente em http://cctertulias.blogs.sapo.pt (14/07/2004)
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Portugueses?
Andamos em montanhas russas e também as comemos, as saladas, russas. Bebemos italianas, comemos francesinhas, belgas, alho francês e couve galega, saímos à francesa, fazemos tudo à grande e à francesa, queremos agradar a gregos e a troianos, também nos vemos gregos para chegar a algum lado, trabalhamos como mouros e como galegos, fazemos obras para inglês ver e negócios da China, de Espanha nem bom vento nem bom casamento, mas há golos de chilena. Como se não bastasse mexicanizamos a vida política e no México há tortas portuguesas. A pontualidade é britânica, o relógio e o canivetes são suiços, há quem seja como um judeu e quem tenha vida de cigano. O jeitinho, esse, é brasileiro, já o desenrascanço é português!
Luís Norberto Lourenço México, 3 de Junho de 2021
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Ensayo chico acerca de los huevos… a la mexicana
Hay huevos y huevos… Hay huevos pequeños o chicos, medianos y grandes… Hay huevos de gallina, de pájaro, de avestruz, de cocodrilo, de serpiente… hasta huevos de Páscua, lo mismo es decir de chocolate y hay huevos de oro… En Portugal los huevos son a docena o a media docena, pero nunca como en México… que son a kilo, a medio kilo… En Portugal los huevos no se casan, ni se divorcian, tampoco son solteros… eso del estado civil del huevo no le importa a los huevos ni a quienes los comen. Los huevos pueden ser "estrelados", cocidos, fritos, poche… Ya se sabe que sin huevo no hay omelette. Hay los populares huevos a caballo, los cuales no más los conocen los norteños en México… pero también los hay rancheros, motuleños, chimbos, a la chiapaneca o a la mexicana… y siempre van acompañados de tortillas… y claro que los hay revueltos (en Portugal "mexidos"). Una persona en México puede ser huevón, huevona o huevuda… En México se pueden pasar las cosas por los huevos… Se puede estar hasta los huevos… Se puede cojer alguién por los huevos… Se puede mandar huevos…
Érase una vez una historia de un huevo, que en Portugal, siempre es de color crema y en México casi siempre es de color blanco.
Lo que no puede pasar es quedarse uno sin… huevos. Por ende, en Portugal tampoco hacemos nada a huevo…
Poetas Pelos tiranos Perseguidos Censurados Torturados Fuzilados Presos Deportados Mortos Silenciados.
Os tiranos Ditadores Torcionários Têm medo dos poetas Livres, não controlados, Subversivos, livres Como verdadeiros poetas.
Os poetas riem-se Dos tiranos Ditadores Torcionários Reaccionários, Que pensam Que podem Cortar a raiz ao pensamento.
Palavras de poeta Magma de LIBERDADE. Óh, palavra subversiva, Horror dos ditadores Tiranos Torcionários Déspotas.
Assassinos do corpo dos poetas Matam o corpo, Não matam a mensagem, Dita, escrita, cantada, falada. Não matam a alma Que não existe Porque não existe Alma não... Ponto final.
Mas... não matam a alma, Porque a alma só morre Quando o corpo quer. Quantos corpos vivem sem alma? Quantos corpos mortos com alma viva?
Ser poeta É ser contra-poder, Por isso o poder Não gosta do poeta.
O poeta Foge do poder Para livre ser. Longe do poder? Mas livre.
O menor dos homens É o poeta d’alma vendida Porque trai a sua condição De crítico do poder De ser a voz dos oprimidos.
Poesia do poeta Liberdade livre, Não corrompida Não prostituída.
A corte do poder Não gosta dos poetas, Inveja-os, Porque para ser poder Abdicou de ser livre. Falta-lhe a coragem Que jorra da pena do poeta Livre. A coragem Está no braço que empunha A bandeira da Liberdade Livre do poeta.
Poeta de cravos Vermelhos Pena caneta Lápis esferográfica Pincel giz Numa mão Na outra mão Erguidos.
Poeta livre Portugal livre Da P.I.D.E. Caçadora d’ almas livres E dos corpos com alma.
Poetas Portadores Da esperança Que invade Os corações Do Povo Oprimido.
Poetas Portadores Das utopias Imaginadas Realizadas E por realizar.
O poeta sonha O Homem faz.
Poetas Portadores Da Utopia Que os Capitães de Abril Realizaram.
Poetas Portadores De utopias Que as ditaduras Não podem tolerar. Por isso, os poetas Mandam matar.
Mandam calar o poeta, Impedem o poeta de gritar Forçam-no a sussurrar, Impedem o poeta de sussurrar.
Mas não podem, Querem Mas não podem, Impedi-lo de pensar, De gritar falar sussurrar... Pensando.
Mesmo o pior despotismo, No reino da ignorância No império do obscurantismo Não consegue, Ditador ou tirano, Violar o último reduto da Liberdade, A imaginação.
Um dia O despotismo Será as ruínas de uma cidade Submersa pelo magma da Liberdade, Expelido pelo vulcão da poesia E a cidade do despotismo Será cidade da Utopia, Pela pena dos poetas livres, Em Democracia.
Vivam os POETAS LIVRES.
Luís Norberto Lourenço, Castelo Branco, 15 a 22 de Março de 2000
Era uma vez um país, onde Abril abriu as portas que muitos ainda hoje gostariam dever fechadas, nesse país à beira-mar plantado, aquele da ocidental praia lusitana, do pai tirano que caiu da cadeira… As cabeças pensantes da direita no Governo redescobriram a “ciência do corte”, risca-se uma letra e muda tudo! “Abril é Evolução”, diz a campanha publicitária do Governo PSD/PP. Eis que, para matar a Constituição da República Portuguesa e logo o 25 de Abril, é necessário tentar diminuir a importância da Revolução dos Cravos, fazendo esquecer a importância da ruptura, para que se pense que com o “25 de Abril” ou sem ele, estaríamos onde estamos hoje, em Democracia, com imperfeições como todas, mas em Democracia. Antes uma Democracia imperfeita do que uma perfeita Ditadura. Naquela manhã clara, não foi a Revolução que matou, foi a Reacção, pela mão da PIDE/DGS, quatro cidadãos desarmados e mais quarenta feridos… as últimas vítimas do EstadoNovo que caiu sem luta tão podre que estava. As bandarilhas de esperança afugentaram a fera e a coligação revisionista e passadista já era, nem os capitalistas, nem os fadistas, nem as batinas lhes valeram! Jovens capitães tendo ao seu lado a população e as espingardas a dispararem cravos correram com os vampiros para o Brasil e deram muito trabalho aos alfaiates que muita casaca viraram.
Por Luís Norberto Lourenço, Castelo Branco, Abril/2004
Publicado no “Notícias da Covilhã”, 22/04/2005 e blogue http://centro-de-estudos-socialistas.blogspot.com 14/04/2005 e publicado no livro "Manifestos contra o medo: antologia de uma intervenção cívica", Casa Comum das Tertúlias: Castelo Branco, 2011.