Esta noite
Esta noite
senti o mar incendiar-se
nas tuas mãos
arderam os olhos
nas tuas mão inteiras
enormes
esta noite no teu peito
inventei estrelas
que não conhecia
Esta noite
senti o mar incendiar-se
nas tuas mãos
arderam os olhos
nas tuas mão inteiras
enormes
esta noite no teu peito
inventei estrelas
que não conhecia
Que todos os pêndulos sejam pontes
entre mim e parte incerta
Que todas as pontes sejam pernas
alvos de púrpura e cetim
Que todas as pernas sejam frutos
só sem mais nada ou ninguém
Estou farto
desta ausência entre lençóis
do sono que há
no pesadelo que me sou
não levo veias nem vinho nem deus
só as unhas dentro dos bolsos
e o lugar do salgueiro
Ser mais terra que nunca
pedra de calçada com pés por cima
ter um buraco na sola
e haver mijo no chão
tenho nojo das manhãs
húmidas e solenes
Quando da noite me faço homem
a manhã da noite se faz dia
e eu não caibo nos restos
da noite que sobrou
Parto
e não há aqueduto que eleve
as águas que correm baixinho
como se fora choro de erva.
Para viver
livros e folhas
são tudo quanto preciso
Porque o primeiro reconhecimento
é o que me mereço
nestas folhas perdidas
E se por acaso outra coisa recordo
da sua falta
á minha mão retorno
sem nunca de lá ter partido
Outro eu de outro precisa
para de eu mesmo se apartar
mas se fosse possível ver claro
distinto desta massa indistinta
um pouco mais á frente
esse outro que vejo
esse mesmo sou eu
A pele esbate-se num gesto final
liberto-me da escravidão dos dias
(somos todos escravos da vida)
Pairo simplesmente
lá fora o néon
circula com certeza matinal
caos de cimento e tédio
Quando tiver a tua idade
usarei a roupa que vestistes
poderei então coxo dos teus pés
pelas ruas dentes podres
ir dizendo wind-surf bolero graçola
e do círculo assim nascido
queimarei os braços agora livres
Mas parai!
reconheço o quieto percurso
dourado trajecto, vagabundo dilecto
nem sombra é
mais que nada seria muito
No escuro da noite
um táxi, uma vida
ritos urbanos
sinfonia de plástico
caos de dor
silenciada no corpo
duma mulher
culto de morte
absurda
violinos de aço
ferindo com furor
Quem inventou a dor ao fim de um dia de sal?
Quem te imaginou na minha cabeça?
Quem apagou a luz do céu?
Por isso as nuvens
se zangam em trovoadas
e vociferam trovões.
É a carcaça que grita
o que o resto cala.
A porta fechada
A cara voltada
O chão se aproxima
Do murro arrependido
Do elevador não caído
O corpo se aperta
E eu não sou já de mim
sou do gosto que não dei
e de mim se tomou
E não sei que mais tarde
serei das águas do Tejo
ou doutro rio mais aquém
Não terei trejeito, nem geito sequer
poderei quanto muito rimar
com quem, como eu, tal não puder:
Uma cor, uma pedra ou talvez um pomar.
Bela capa . Poeta Luis Rodrigues e o conteúdo muito lindo. parabéns. ademir.
Parabéns Sr.Luis Henrique... belos textos poéticos.Aproveito para vos dizer que estou muito feliz por ter resolvido o problema de meu computador. evidentemente com a sua ajuda. felicidades.Ademir o poeta.
Sensacional
VsrsisDifusamente ser s
BOa poesia encontro aki