Luis Rodrigues

Luis Rodrigues

Uma vaca à procura do universo

n. 0000-08-19, Ponta Delgada

Perfil
97 730 Visualizações

Esta noite

Esta noite
senti o mar incendiar-se
nas tuas mãos

arderam os olhos
nas tuas mão inteiras
enormes

esta noite no teu peito
inventei estrelas
que não conhecia

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Poemas

53

Que faria eu, senhor

Para conquistar as tormentas
seria capaz de muito
até de sofrer.
Mas para me perder no vento dos teus lábios
que faria eu, senhor!

Cruzar oceanos, caminhar montes e vales
derrubar as árvores mais fortes.
Tudo seria pouco.
Qualquer proeza é mesquinha
face à luz que ferve nos teus olhos.

Meu deus, faz-me uma montanha tão alta
que lhe alcance o coração

947

Estou farto

Estou farto
desta ausência entre lençóis
do sono que há
no pesadelo que me sou
não levo veias nem vinho nem deus
só as unhas dentro dos bolsos
e o lugar do salgueiro

Ser mais terra que nunca
pedra de calçada com pés por cima
ter um buraco na sola
e haver mijo no chão
tenho nojo das manhãs
húmidas e solenes

Quando da noite me faço homem
a manhã da noite se faz dia
e eu não caibo nos restos
da noite que sobrou

Parto
e não há aqueduto que eleve
as águas que correm baixinho
como se fora choro de erva.

1 330

Porta Fechada

A porta fechada
A cara voltada
O chão se aproxima

Do murro arrependido
Do elevador não caído
O corpo se aperta

E eu não sou já de mim
sou do gosto que não dei
e de mim se tomou

E não sei que mais tarde
serei das águas do Tejo
ou doutro rio mais aquém

Não terei trejeito, nem geito sequer
poderei quanto muito rimar
com quem, como eu, tal não puder:
Uma cor, uma pedra ou talvez um pomar.

939

Pequenas coisas

Há pequenas coisas que atiçam o amor
Que nos dão um grande desejo de amar
Uma enorme ânsia de sofrer

945

Diário sem nada de especial de um dia qualquer

Não suporto que amanhã seja mais um dia. Que hoje seja um prolongamento de agora.

Vou-me abandonar à minha sorte. Acreditar no que não creio.

Vejo uma senhora de moral alevantada por oposição às tetas abandonadas

Grande é a embarcação que se dá a navegar. (Obrigado pelo barco...)

Quais os pés mais bonitos? Os atrofiados pelos sapatos ou os marcados pelo chão?

No actual contexto sócio-económico, a taxa de amizade está muito abaixo dos valores normalmente considerados satisfatórios.

Vou dizer um lugar comum. A vida é uma espiral. Tudo se repete, só que num ponto diferente.

Muita raiva é um grito, muita ternura é um lamento.

Escrevo com o pão que comi numa garrafa partida: A Humanidade está com hemorróidas.

Se o pensamento é o meu rio, a consciência é o seu dique.

Vontade: Mosaico de anéis e pregos.

Detesto gente cuja linguagem é a do deve e do haver. Em que a vida se alinha pelas colunas do débito e do crédito. Com cinco casas decimais.

Dançando no orvalho do tempo. Estátuas perdidas.

Ouvido na barbearia: "Doer às vezes é coisa boa. É sinal de que se vive."

Os apaches são tão sanguinários como os ocidentais. Mas mais puros. Orgulham-se da sua bravura.
Nós somos cruéis apesar dos escrúpulos. Afastamos a morte como afastamos a vida. Receamos e combatemos tudo o que é natural com as nossas máquinas, a nossa lógica, os nossos papéis e artifícios.

As máquinas não morrem e se morressem tornar-se-iam humanas. O maquinismo e a tecnologia é a busca da ilusão da imortalidade.

Desde que comprei o relógio que ando atrasado.
1 069

Para viver

Para viver
livros e folhas
são tudo quanto preciso
Porque o primeiro reconhecimento
é o que me mereço
nestas folhas perdidas

E se por acaso outra coisa recordo
da sua falta
á minha mão retorno
sem nunca de lá ter partido

Outro eu de outro precisa
para de eu mesmo se apartar
mas se fosse possível ver claro
distinto desta massa indistinta
um pouco mais á frente
esse outro que vejo
esse mesmo sou eu

971

Subir

Subir aos céus
pelo degrau mais alto da estima
pelo portal mais sagrado da loucura

860

Odeio-me

Odeio-me mais que a mim mesmo
Será que tenho olhar de poeta?
Será que te mudo quando me olham?

978

No escuro

No escuro da noite
um táxi, uma vida
ritos urbanos
sinfonia de plástico
caos de dor
silenciada no corpo
duma mulher
culto de morte
absurda
violinos de aço
ferindo com furor

965

Tu és tu

Tu és tu em demasia
da mão despudoradamente nua
aos olhos que não vêem
e que levas nos meus.

941

Livros

1

Comentários (4)

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Parabéns Sr.Luis Henrique... belos textos poéticos.Aproveito para vos dizer que estou muito feliz por ter resolvido o problema de meu computador. evidentemente com a sua ajuda. felicidades.Ademir o poeta.

Sensacional

Beatriz
Beatriz

VsrsisDifusamente ser s

BOa poesia encontro aki