Luis Rodrigues

Luis Rodrigues

Uma vaca à procura do universo

n. 0000-08-19, Ponta Delgada

Perfil
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Esta noite

Esta noite
senti o mar incendiar-se
nas tuas mãos

arderam os olhos
nas tuas mão inteiras
enormes

esta noite no teu peito
inventei estrelas
que não conhecia

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Poemas

53

Lábios

Os teus lábios sobre os meus
no pátio do silêncio
como um altar

985

Estou farto

Estou farto
desta ausência entre lençóis
do sono que há
no pesadelo que me sou
não levo veias nem vinho nem deus
só as unhas dentro dos bolsos
e o lugar do salgueiro

Ser mais terra que nunca
pedra de calçada com pés por cima
ter um buraco na sola
e haver mijo no chão
tenho nojo das manhãs
húmidas e solenes

Quando da noite me faço homem
a manhã da noite se faz dia
e eu não caibo nos restos
da noite que sobrou

Parto
e não há aqueduto que eleve
as águas que correm baixinho
como se fora choro de erva.

1 337

Sabes o que custa

Sabes o que custa calar
o que não se consegue calar
conter o incontível.

Estranho mundo este
onde os olhos rolam pelo chão
e os amores não ateiam fogos imensos
A loucura apodrece
e cheira mal

Porra!
que os sonhos aconteçam
que a fúria fresca das manhãs
tenha lugar

Sol deus maior
que os corações expludam
que braços se encontrem
que a vida seja vida e não apenas morte

Álcool deus menor
leva-me lá para longe
leva-me e esquece-me
eu não estou
não existo.

(escrito em 10 minutos na autoestrada por alturas de palmela, rápido e banal)

935

Diário sem nada de especial de um dia qualquer

Não suporto que amanhã seja mais um dia. Que hoje seja um prolongamento de agora.

Vou-me abandonar à minha sorte. Acreditar no que não creio.

Vejo uma senhora de moral alevantada por oposição às tetas abandonadas

Grande é a embarcação que se dá a navegar. (Obrigado pelo barco...)

Quais os pés mais bonitos? Os atrofiados pelos sapatos ou os marcados pelo chão?

No actual contexto sócio-económico, a taxa de amizade está muito abaixo dos valores normalmente considerados satisfatórios.

Vou dizer um lugar comum. A vida é uma espiral. Tudo se repete, só que num ponto diferente.

Muita raiva é um grito, muita ternura é um lamento.

Escrevo com o pão que comi numa garrafa partida: A Humanidade está com hemorróidas.

Se o pensamento é o meu rio, a consciência é o seu dique.

Vontade: Mosaico de anéis e pregos.

Detesto gente cuja linguagem é a do deve e do haver. Em que a vida se alinha pelas colunas do débito e do crédito. Com cinco casas decimais.

Dançando no orvalho do tempo. Estátuas perdidas.

Ouvido na barbearia: "Doer às vezes é coisa boa. É sinal de que se vive."

Os apaches são tão sanguinários como os ocidentais. Mas mais puros. Orgulham-se da sua bravura.
Nós somos cruéis apesar dos escrúpulos. Afastamos a morte como afastamos a vida. Receamos e combatemos tudo o que é natural com as nossas máquinas, a nossa lógica, os nossos papéis e artifícios.

As máquinas não morrem e se morressem tornar-se-iam humanas. O maquinismo e a tecnologia é a busca da ilusão da imortalidade.

Desde que comprei o relógio que ando atrasado.
1 077

Nuvens

Por isso as nuvens
se zangam em trovoadas
e vociferam trovões.

É a carcaça que grita
o que o resto cala.

968

No escuro

No escuro da noite
um táxi, uma vida
ritos urbanos
sinfonia de plástico
caos de dor
silenciada no corpo
duma mulher
culto de morte
absurda
violinos de aço
ferindo com furor

971

Para viver

Para viver
livros e folhas
são tudo quanto preciso
Porque o primeiro reconhecimento
é o que me mereço
nestas folhas perdidas

E se por acaso outra coisa recordo
da sua falta
á minha mão retorno
sem nunca de lá ter partido

Outro eu de outro precisa
para de eu mesmo se apartar
mas se fosse possível ver claro
distinto desta massa indistinta
um pouco mais á frente
esse outro que vejo
esse mesmo sou eu

976

Subir

Subir aos céus
pelo degrau mais alto da estima
pelo portal mais sagrado da loucura

864

Quando tiver

Quando tiver a tua idade
usarei a roupa que vestistes
poderei então coxo dos teus pés
pelas ruas dentes podres
ir dizendo wind-surf bolero graçola
e do círculo assim nascido
queimarei os braços agora livres
Mas parai!
reconheço o quieto percurso
dourado trajecto, vagabundo dilecto
nem sombra é
mais que nada seria muito

894

Pele

A pele esbate-se num gesto final
liberto-me da escravidão dos dias
(somos todos escravos da vida)
Pairo simplesmente
lá fora o néon
circula com certeza matinal
caos de cimento e tédio

986

Livros

1

Comentários (5)

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Bela capa . Poeta Luis Rodrigues e o conteúdo muito lindo. parabéns. ademir.

Parabéns Sr.Luis Henrique... belos textos poéticos.Aproveito para vos dizer que estou muito feliz por ter resolvido o problema de meu computador. evidentemente com a sua ajuda. felicidades.Ademir o poeta.

Sensacional

Beatriz
Beatriz

VsrsisDifusamente ser s

BOa poesia encontro aki