Luis Rodrigues

Luis Rodrigues

Uma vaca à procura do universo

n. 0000-08-19, Ponta Delgada

Perfil
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Esta noite

Esta noite
senti o mar incendiar-se
nas tuas mãos

arderam os olhos
nas tuas mão inteiras
enormes

esta noite no teu peito
inventei estrelas
que não conhecia

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Poemas

53

Pele

A pele esbate-se num gesto final
liberto-me da escravidão dos dias
(somos todos escravos da vida)
Pairo simplesmente
lá fora o néon
circula com certeza matinal
caos de cimento e tédio

980

Nuvens

Por isso as nuvens
se zangam em trovoadas
e vociferam trovões.

É a carcaça que grita
o que o resto cala.

964

Quem inventou

Quem inventou a dor ao fim de um dia de sal?

Quem te imaginou na minha cabeça?
Quem apagou a luz do céu?

1 045

Sabes o que custa

Sabes o que custa calar
o que não se consegue calar
conter o incontível.

Estranho mundo este
onde os olhos rolam pelo chão
e os amores não ateiam fogos imensos
A loucura apodrece
e cheira mal

Porra!
que os sonhos aconteçam
que a fúria fresca das manhãs
tenha lugar

Sol deus maior
que os corações expludam
que braços se encontrem
que a vida seja vida e não apenas morte

Álcool deus menor
leva-me lá para longe
leva-me e esquece-me
eu não estou
não existo.

(escrito em 10 minutos na autoestrada por alturas de palmela, rápido e banal)

931

Quando tiver

Quando tiver a tua idade
usarei a roupa que vestistes
poderei então coxo dos teus pés
pelas ruas dentes podres
ir dizendo wind-surf bolero graçola
e do círculo assim nascido
queimarei os braços agora livres
Mas parai!
reconheço o quieto percurso
dourado trajecto, vagabundo dilecto
nem sombra é
mais que nada seria muito

890

Se tu fosses

Se tu fosses
a sombra da água
a alma que dói
no fundo que sou

967

Vi passar

Vi passar uma nuvem

corri para te apanhar
e pela primeira vez
andei sorrindo pelo céu
nos teus braços evaporados de branco

969

Glória

Ah! A glória de pintar
frescos de sonho
no silêncio crispado de raiva
deixando as raízes quebrarem a crosta
e florescerem nos dedos

866

Uma palavra

Há uma palavra que persigo
foi-se por lá desterrada e morta
viúva e fria como os sargaços
que longe daqui dão à costa
todos os setembros pela manhã
como a folha pesarosa de ser outuno
e da brisa mole de entardecer.

835

Amores

não gosto de amores limpos

o amor nasce da lama, onde a música é mais límpida
1 032

Livros

1

Comentários (4)

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Parabéns Sr.Luis Henrique... belos textos poéticos.Aproveito para vos dizer que estou muito feliz por ter resolvido o problema de meu computador. evidentemente com a sua ajuda. felicidades.Ademir o poeta.

Sensacional

Beatriz
Beatriz

VsrsisDifusamente ser s

BOa poesia encontro aki