Luis Rodrigues

Luis Rodrigues

Uma vaca à procura do universo

n. 0000-08-19, Ponta Delgada

Perfil
97 847 Visualizações

Esta noite

Esta noite
senti o mar incendiar-se
nas tuas mãos

arderam os olhos
nas tuas mão inteiras
enormes

esta noite no teu peito
inventei estrelas
que não conhecia

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Poemas

53

Pequenas coisas

Há pequenas coisas que atiçam o amor
Que nos dão um grande desejo de amar
Uma enorme ânsia de sofrer

951

Tu és tu

Tu és tu em demasia
da mão despudoradamente nua
aos olhos que não vêem
e que levas nos meus.

948

Diário sem nada de especial de um dia qualquer

Não suporto que amanhã seja mais um dia. Que hoje seja um prolongamento de agora.

Vou-me abandonar à minha sorte. Acreditar no que não creio.

Vejo uma senhora de moral alevantada por oposição às tetas abandonadas

Grande é a embarcação que se dá a navegar. (Obrigado pelo barco...)

Quais os pés mais bonitos? Os atrofiados pelos sapatos ou os marcados pelo chão?

No actual contexto sócio-económico, a taxa de amizade está muito abaixo dos valores normalmente considerados satisfatórios.

Vou dizer um lugar comum. A vida é uma espiral. Tudo se repete, só que num ponto diferente.

Muita raiva é um grito, muita ternura é um lamento.

Escrevo com o pão que comi numa garrafa partida: A Humanidade está com hemorróidas.

Se o pensamento é o meu rio, a consciência é o seu dique.

Vontade: Mosaico de anéis e pregos.

Detesto gente cuja linguagem é a do deve e do haver. Em que a vida se alinha pelas colunas do débito e do crédito. Com cinco casas decimais.

Dançando no orvalho do tempo. Estátuas perdidas.

Ouvido na barbearia: "Doer às vezes é coisa boa. É sinal de que se vive."

Os apaches são tão sanguinários como os ocidentais. Mas mais puros. Orgulham-se da sua bravura.
Nós somos cruéis apesar dos escrúpulos. Afastamos a morte como afastamos a vida. Receamos e combatemos tudo o que é natural com as nossas máquinas, a nossa lógica, os nossos papéis e artifícios.

As máquinas não morrem e se morressem tornar-se-iam humanas. O maquinismo e a tecnologia é a busca da ilusão da imortalidade.

Desde que comprei o relógio que ando atrasado.
1 086

Sabes o que custa

Sabes o que custa calar
o que não se consegue calar
conter o incontível.

Estranho mundo este
onde os olhos rolam pelo chão
e os amores não ateiam fogos imensos
A loucura apodrece
e cheira mal

Porra!
que os sonhos aconteçam
que a fúria fresca das manhãs
tenha lugar

Sol deus maior
que os corações expludam
que braços se encontrem
que a vida seja vida e não apenas morte

Álcool deus menor
leva-me lá para longe
leva-me e esquece-me
eu não estou
não existo.

(escrito em 10 minutos na autoestrada por alturas de palmela, rápido e banal)

939

Odeio-me

Odeio-me mais que a mim mesmo
Será que tenho olhar de poeta?
Será que te mudo quando me olham?

985

Subir

Subir aos céus
pelo degrau mais alto da estima
pelo portal mais sagrado da loucura

865

Vi passar

Vi passar uma nuvem

corri para te apanhar
e pela primeira vez
andei sorrindo pelo céu
nos teus braços evaporados de branco

1 023

Esfera

Numa esfera monocorda
um pouco de vermelho
Ternas lágrimas, flor de fruto
lentas feridas ao correr do campo

939

Água

Nas tuas costas
desce a chuva
aos meus olhos molhados.

é pelos olhos que entra a água.

949

Vem

Vem.
Vem comigo
Cansados de amor
mergulhemos juntos na noite
no silêncio dos amantes

amor amor amor
repete comigo
as palavras que nos dão paz.

899

Livros

1

Comentários (5)

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Bela capa . Poeta Luis Rodrigues e o conteúdo muito lindo. parabéns. ademir.

Parabéns Sr.Luis Henrique... belos textos poéticos.Aproveito para vos dizer que estou muito feliz por ter resolvido o problema de meu computador. evidentemente com a sua ajuda. felicidades.Ademir o poeta.

Sensacional

Beatriz
Beatriz

VsrsisDifusamente ser s

BOa poesia encontro aki