Lista de Poemas

PRIMA FACIE (Manoel Serrão)





A priori

Ou a posteriori?
Agradecido, ore!
269

ECLIPSE [MANOEL SERRÃO]







Palavra quebrada;
Letra arranhada;
Tempos obscuros...

Como o eclipse do sol ou da lua?
O ABEcedário ao homem diria? Só falta a leitura!
227

MENORIDADE (Manoel Serrão)





Abra a porta!
O nada importa, coisa muerta.
Encante-se, auto imposta menoridade!
Ilumine-se, sua incapaz...
Mas descarte o Kant, e o Descarte!
378

CASO O ACASO [MANOEL SERRÃO]




Caso a caso?
Um acaso bem-vindo.
Cada caso!
O acaso destino.
232

PURGA [MANOEL SERRÃO]









Se O Luxo mora no ócio.

Se O Lixo obra no ópio.
Só A Lixa purga o beócio.
196

SINGAPURA [MANOEL SERRÃO]



Como se nada fora o nunca mais...

Perdera do corpo o aroma o perfume, 
E d'alma a inocência do amor.

Como se nada fora o nunca mais...
Pedira de volta tudo que já não tinha,
E sequer viera um pouco do que existira.

Como se tudo fora o nada mais ir além!
O que nada mais tinha fora parar para além,
E muito além do Amor em Singapura!

Porque Singapura não é logo ali Amor na esquina...
229

ILUMINAÇÃO [MANOEL SERRÃO]







Um passo à frente é não ficar para trás nas sombras da escuridão.  

Iluminemos então as sombras e toda
a escuridão que nunca receberam a luz do Amor no coração.


 
264

PARÂMETRO [MANOEL SERRÃO]





A estética é do perfeito.
Mas o belo é da imperfeição!
213

IDEALÍSTICO [MANOEL SERRÃO]



Não, Eu não tenho tempo se houver tempo, já não tenho pressa.
Eu não posso ir sem destino, se Eu não posso voltar sem abrigo.
Não, Eu não vou pular do avião se não houver um mar de chão. 
Mas Eu vou me jogar em São Marcos, lá no cais da Sagração.

Eu não vou beber, Eu não vou fumar.
Eu não vou calar, Eu não vou me acabar no bacará pela salvação.
Não, Eu não vou me entregar sem me deixar levar pela solução.
Não, Eu não vou passar na mão. Eu não vou passar por terríveis mal-estares na contramão!

Eu não vou viajar, mas Eu vou rumar para Ribamar, lá tem água em alto mar.
Lá de Bar em bar? Lá se tem uma quermesse dialética de afogada poética.  
Lá tem uma orgia de confrontos, para ver os modos contrários diversos d’outros.

Uns antepondo os sinais algébricos de “menos”;
Outros somando os sinais algébricos de “mais”.

Uns vendo-os como símbolos de Barthes; Outros tomando como os sintomas de Lacan;
Uns carregando-os de lamentações muros em construções;
Outros sem pão pios de fé sem pontes, mas de pires nas “mãos”.


Ó se há duas verdades, e uma não deve a outra perturbar?
Ó Eu idealistico... Eu não vou me desintoxicar!

 

 

 

 

 
337

HOSPÍCIO 371 [MANOEL SERRÃO]




Há medo em muros

Surto em monturos
Escuro em turvos

Há Sol em Theo e Van Gogh com seus girassóis surdos...
Gênios que nascem gênios sem cura, e hospícios à Três por Sete e Uns em apuros!
253

Comentários (1)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.
321alnd

Parabéns por seus textos e seus poemas, meu caro Manoel Serrão. Poesia é, como disse o grande poeta Octávio Paz, salvação e nós dois seremos salvos por ela, assim como todo aquele que faça da beleza o único pão para sua alma. Tenho igual honra em te-lo como leitor. Um forte e cordial abraço.

Perfil Nome completo: Manoel Serrão da Silveira Lacerda. Idade e naturalidade: Nasceu em São Luís [Atenas Brasileira] capital do Estado do Maranhão, na Santa Casa de Misericórdia, em 19 de abril de 1960. Filiação: Filho de Agamenon Lucas de Lacerda e de Oglady da Silveira Lacerda. Neto paterno de Manuel Lucas de Lacerda e Maria Antônia Lucas de Lacerda; neto materno de Hidalgo Martins da Silveira e Maria José Serra da Silveira. Ascendência geral de espanhóis e portugueses judeus. Profissão: Advogado e Professor de Direito, formado pela Faculdade de Direito do Recife - UFPE, curso criado pela Carta Lei de 11.08.1827 - publicada em 21.08.1827 - Chancelaria Mor do Império do Brasil, que no passado acolheu dois presidentes: Epitácio Pessoa, em 1886 e Nilo Peçanha, em 1887. Acolheu outros nomes, os quais enriqueceram a nossa cultura como: Rui Barbosa. Castro Alves. Augusto dos Anjos. Ariano Suassuna. Miguel Arraes. Francisco Julião. Barão do Rio Branco. Barão de Lucena. Joaquim Nabuco. Fagundes Varela. Raul Pompéia. Tobias Barreto. Graça Aranha. Álvaro Lins. José Lins do Rego. Pontes de Miranda. João Pessoa. Clóvis Bevillaqua. Silvio Romero. Adolfo Cisnes. Assis Chateaubriand. Agamenon Magalhães. Luís Câmara Cascudo. Aurélio Buarque de Holanda, e tantos mais. Dimensionar a origem do berço poético do autor, assim como a dimensão e a importância do Maranhão para a cultura nacional, peço vênia para transcrever um pequeno trecho da obra do imortal membro da Academia Maranhense de Letras o professor Jomar Moraes, intitulada - Apontamentos de Literatura Maranhense - edições sioge - nota bene: "Sem receio de qualquer exagero chauvinista diríamos que a presença do Maranhão na literatura nacional se caracteriza, principalmente, pelo vanguardismo que sempre colocou nossos homens de letras à frente dos debates das novas ideias e da renovação de padrões estéticos. Do negrismo de Trajano Galvão ao neoconcretismo de Ferreira Gullar; do ideário estético e nacionalista de Gonçalves Dias às antecipações modernistas de Sousândrade; da lucidez analítica de João Francisco Lisboa ao ensaísmo da Franklin de Oliveira e Oswaldinho Marques; dos estudos folclóricos de Celso Magalhães ao romance naturalista de Aluísio de Azevedo; dos estudos de Nina Rodrigues à renovação estética pregada e apoiada por Graça Aranha, tudo revela e comprova a clara vocação de pioneirismo e liderança que assinala uma das mais características e importantes facetas da nossa participação na cultural nacional". E ainda, de Coelho Neto, Teófilo Dias, Vespasiano Ramos, Raimundo Teixeira Mendes, César Marques e muitos outros de uma constelação que brilha desde meados do século XIX. Dois dos quais – Gonçalves Dias e Teófilo Dias – são patronos de cadeiras na Casa de Machado de Assis, a Academia Brasileira de Letras, à Akademia dos Párias, dentre eles: Fernando Abreu, Paulo Melo Sousa, Garrone, Paulinho Nó Cego, Marcello Chalvinski, Zé Maria Medeiros, Celso Borges. Podemos citar: Arthur Azevedo; Catulo da Paixão Cearense; Bacelar Vianna; Bandeira Tribuzi; Padre Antônio Vieira [Sermão aos Peixes]; Odorico Mendes; Sotero dos Reis; João Francisco Lisboa; Gentil H. de Almeida Braga; Custódio A. P. Serrão [Frei]; Trajano Galvão; Josué Montello; Nauro Machado; José Sarney; José Chagas; José Maria Nascimento; Laura Amélia Damous; Luís Augusto Cassas; Alex Brasil, Antônio Miranda, Carlos Cunha, Dagmar Desterro, Joãozinho Ribeiro, Lago Burnett, Odylo Costa, Roberto Kenard, Salgado Maranhão, Vespasiano Ramos, Joaquim Haickel, João Batista Gomes do Lago; Mhario Lincoln; Lenita de Sá, João Paulo Leda, Evilásio Júnior, Antônia Veloso, Luiza Cantanhede, Zélia Maria Bacelar Viana, além de muitos tantos outros.