Lista de Poemas

BOLERO DE RAVEL [Manoel Serrão]




Ó vibrai eterno o solo dos metais?
E viverei allegro sol-to o adágio.
270

FRUTA-PÃO [Manoel Serrão]




Ó filhos da fome!
Ó divino pão do céu...
Para o ateu: a oração.

Para o pio: a unção.  
321

TROIANA [Manoel Serrão]



Laçarei mil navios.
Lutarei mil batalhas.
Vencerei mil guerras.

Nem Gregos. 
Nem Troianos os roubará.
O nosso amor é de parar o trânsito. O resto é banho de bica!
399

FUGAZ [Manoel Serrão]





Quando a paixão pica.

O amor fica!




 

343

AVANT-GARDE [Manoel Serrão]



Avant-garde poeta.
Mas deixa-nos no front
O poema como um Deus eterno. Criador...
333

Amor D’Cardeal & O’Hara [Manoel Serrão]


Amor d’aurĕu-, d’elmo - e pureo!
Amor d’almo -, d’sal - e salma.
Amor d’arca -, d’palma – e calma.         
Amor d’Clark Gable & O'Hara.
 
Amor d’áurea, dahlia - e d’Odara.
Amor d’almas afins -, e d’alvejura rara.
Amor d’imago - e maga -, d’sétima arte.         
Amor d’vida -, amor de Cardeal & Scarlet. 

Amor descapado impress copidescado.
Amor impresso em offset declarado.
Amor impress no mancheado: Extra! Extra!
Amor à procura do Amor no infólio do  classificado: Extra! Extra! O Amor impress e expresso anunciado: que infinito o amor sobrevive eterno a tudo que o Tempo e o Vento Levaram!



AVISO & EDITAL - CLASSIFICADO TRANSCRITO DO JORNAL O ESTADO DO MARANHÃO - PÁGINA 06 - PUBLICADO NO DIA 05 DE SETEMBRO - SEXTA-FEIRA - 2003. [AVISO. T.3235-0000]:
PROCURO "ESCARLET O'HARA", QUALQUER INFORMAÇÃO SOBRE ESTA PESSOA ENTRAR EM CONTATO NA RUA DOS AMORES, NÚMERO DA SAUDADE E DA RECORDAÇÃO - RIBEIRÃO. [HUMPHREY BORGAT].

NOTA DE ESCLARECIMENTO: POR SE TRATAR DE UM CASO VERÍDICO, OBJETIVANDO RESGUARDAR AS PESSOAS ENVOLVIDAS, MORMENTE, AS RESPECTIVAS FAMILIAS, É QUE TODOS OS NOMES AQUI MENCIONADOS NO BOJO DO TEXTO SÃO FICTICIOS.
O POEMA TEM COMO FOCO O AMOR ENTRE DUAS PESSOAS QUE NÃO OBSTANTE SE AMAREM VERDADEIRAMENTE, POR DESÍGNIOS DE DEUS E DO DESTINO NUNCA MAIS SE REENCONTRARAM.  O CERTO É QUE AMBOS AINDA BEM JOVENS FORAM ENAMORADOS, CONTUDO, ALGUM TEMPO DEPOIS, POR MEXERICOS [TERMO MUITO USADO NA ÉPOCA] ROMPERAM COM A RELAÇÃO. ELA CASOU-SE, TEVE FILHOS E FICOU VIÚVA, PORÉM SEMPRE NA ESPERANÇA DE REENCONTRÁ-LO E VIVER AO LADO DO SEU VERDADEIRO AMOR. 
INFELIZMENTE ELA NO ANO DE 2000 VIERA FALECER SEM TÊ-LO REENCONTRADO. ELE, POR SUA VEZ À ESPERA DO SEU AMOR, ATÉ HOJE COM MAIS DE 80 ANOS NUNCA SE CASARA. 
UM DETERMINADO DIA SEM O HÁBITO DA FREQUENTE LEITURA AO CADERNO DOS CLASSIFICADOS DE JORNAL, SEM QUALQUER EXPLICAÇÃO PLAUSÍVEL QUE O LEVASSE DIANTE DAQUELE JORNAL POSTO SOBRE A MESA EM ATO CONTÍNUO FORA DIRETO AO CADERNO DOS CLASSIFICADOS. TODAVIA, ENTRE UMA FOLHA E OUTRA DO CADERNO AO CORRER OS OLHOS NA PÁGINA 06 DO MENCIONADO JORNAL, DERA COM NOME DA SUA MÃE IMPRESSO E POR ELE ANUNCIADO. 
INCRÉDULO, RETORNARA À PÁGINA QUANDO ENTÃO DEPAROU-SE COM O INUSITADO ANÚNCIO [CLASSIFICADO] ACIMA TRANSCRITO.
OBS: O ANÚNCIO FORA TÃO SOMENTE PUBLICADO APÓS TRÊS ANOS DA MORTE DA MESMA. ATÉ ENTÃO, COMO ELE APÓS O ROMPIMENTO DO NAMORO AINDA NA MOCIDADE NUNCA MAIS VIERA ENCONTRÁ-LA OU TIVERA QUALQUER NOTÍCIAS DA SUA AMADA, TAMBÉM NÃO SABIA DA SUA MORTE. HOJE, AINDA À ESPERA DO SEU ÚNICO E VERDADEIRO AMOR, SOLUÇA E CHORA.
.

 

 

 

494

SAMURAI [Manoel Serrão]



No  
Samovar
Do Samurai:
Chá de hai-kai!


Dedico-o ao poeta Paulo Leminski.




 

291

EXECRA [Manoel Serrão]


Inda qu’hoje o orgulho o debulhe no mármore da zuda,
E ofegante a execre dês daqui a mil anos sem cura.
Inda qu’amanhã o colha na lama ou no cascalho das ruas,
E sem que o Ih' importe sê-lo o mais infiel que ostente.
Inda quão deveste da tez viçosa que desencantam os olhos da carne.
E sem que o Ih' importe a d’outra face mais bela com que se disfarça um abismo?
Ó infiel é o teu amor de ofício!

Nest’hora? Ó ide longe d'aqui, vil astuta, ide?

O amor, se o conheço e, ostento, é apreço.
Não tem fim, o amor, se tem começo. Ó que queres tu d’eu?
O amor, se o reconheço? Quiseras tê-lo! Ó quiseras!
Quiseras tê-lo o amor de tão destemida bravura.
Quiseras tê-lo o amor de sonho e encanto, calma e beleza, ó quiseras!

Nest’hora? Ó ide longe d'aqui, ímpia e má, ide?

O amor se viveu a seu lado, a ele tu lhes deves:
E esse a deve tu a si mesma! O amor que lhes sempre foi, é o que tu conheces:
Vulgar e sôfrego a teus pés.


Inda que a negue "amor" de vida mais curta! Ó deixai-me crer o qu'teu derreteu-se,
Como derrete uma Geleira que se perdeu! Porque amor infinito, inté daqui a mil anos, é:

A tua mais bela e terrível mentira sem cura.
















520

FOGO-DE-BENGALA [Manoel Serrão]



Ardem sem ruídos.
Luzes sempre vivas.
Multicolores rojões.
Ó suas "verdades" são como fogos-de-bengala,
Quando atingem o céu da Verdade se apagam.

346

[IN] FIDEL [Manoel Serrão]





Quem Castro o Fidel!

Se Che brochou sem ternura?
Ó só Guevara pagou o pato.
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Comentários (1)

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321alnd

Parabéns por seus textos e seus poemas, meu caro Manoel Serrão. Poesia é, como disse o grande poeta Octávio Paz, salvação e nós dois seremos salvos por ela, assim como todo aquele que faça da beleza o único pão para sua alma. Tenho igual honra em te-lo como leitor. Um forte e cordial abraço.

Perfil Nome completo: Manoel Serrão da Silveira Lacerda. Idade e naturalidade: Nasceu em São Luís [Atenas Brasileira] capital do Estado do Maranhão, na Santa Casa de Misericórdia, em 19 de abril de 1960. Filiação: Filho de Agamenon Lucas de Lacerda e de Oglady da Silveira Lacerda. Neto paterno de Manuel Lucas de Lacerda e Maria Antônia Lucas de Lacerda; neto materno de Hidalgo Martins da Silveira e Maria José Serra da Silveira. Ascendência geral de espanhóis e portugueses judeus. Profissão: Advogado e Professor de Direito, formado pela Faculdade de Direito do Recife - UFPE, curso criado pela Carta Lei de 11.08.1827 - publicada em 21.08.1827 - Chancelaria Mor do Império do Brasil, que no passado acolheu dois presidentes: Epitácio Pessoa, em 1886 e Nilo Peçanha, em 1887. Acolheu outros nomes, os quais enriqueceram a nossa cultura como: Rui Barbosa. Castro Alves. Augusto dos Anjos. Ariano Suassuna. Miguel Arraes. Francisco Julião. Barão do Rio Branco. Barão de Lucena. Joaquim Nabuco. Fagundes Varela. Raul Pompéia. Tobias Barreto. Graça Aranha. Álvaro Lins. José Lins do Rego. Pontes de Miranda. João Pessoa. Clóvis Bevillaqua. Silvio Romero. Adolfo Cisnes. Assis Chateaubriand. Agamenon Magalhães. Luís Câmara Cascudo. Aurélio Buarque de Holanda, e tantos mais. Dimensionar a origem do berço poético do autor, assim como a dimensão e a importância do Maranhão para a cultura nacional, peço vênia para transcrever um pequeno trecho da obra do imortal membro da Academia Maranhense de Letras o professor Jomar Moraes, intitulada - Apontamentos de Literatura Maranhense - edições sioge - nota bene: "Sem receio de qualquer exagero chauvinista diríamos que a presença do Maranhão na literatura nacional se caracteriza, principalmente, pelo vanguardismo que sempre colocou nossos homens de letras à frente dos debates das novas ideias e da renovação de padrões estéticos. Do negrismo de Trajano Galvão ao neoconcretismo de Ferreira Gullar; do ideário estético e nacionalista de Gonçalves Dias às antecipações modernistas de Sousândrade; da lucidez analítica de João Francisco Lisboa ao ensaísmo da Franklin de Oliveira e Oswaldinho Marques; dos estudos folclóricos de Celso Magalhães ao romance naturalista de Aluísio de Azevedo; dos estudos de Nina Rodrigues à renovação estética pregada e apoiada por Graça Aranha, tudo revela e comprova a clara vocação de pioneirismo e liderança que assinala uma das mais características e importantes facetas da nossa participação na cultural nacional". E ainda, de Coelho Neto, Teófilo Dias, Vespasiano Ramos, Raimundo Teixeira Mendes, César Marques e muitos outros de uma constelação que brilha desde meados do século XIX. Dois dos quais – Gonçalves Dias e Teófilo Dias – são patronos de cadeiras na Casa de Machado de Assis, a Academia Brasileira de Letras, à Akademia dos Párias, dentre eles: Fernando Abreu, Paulo Melo Sousa, Garrone, Paulinho Nó Cego, Marcello Chalvinski, Zé Maria Medeiros, Celso Borges. Podemos citar: Arthur Azevedo; Catulo da Paixão Cearense; Bacelar Vianna; Bandeira Tribuzi; Padre Antônio Vieira [Sermão aos Peixes]; Odorico Mendes; Sotero dos Reis; João Francisco Lisboa; Gentil H. de Almeida Braga; Custódio A. P. Serrão [Frei]; Trajano Galvão; Josué Montello; Nauro Machado; José Sarney; José Chagas; José Maria Nascimento; Laura Amélia Damous; Luís Augusto Cassas; Alex Brasil, Antônio Miranda, Carlos Cunha, Dagmar Desterro, Joãozinho Ribeiro, Lago Burnett, Odylo Costa, Roberto Kenard, Salgado Maranhão, Vespasiano Ramos, Joaquim Haickel, João Batista Gomes do Lago; Mhario Lincoln; Lenita de Sá, João Paulo Leda, Evilásio Júnior, Antônia Veloso, Luiza Cantanhede, Zélia Maria Bacelar Viana, além de muitos tantos outros.