Lista de Poemas

BEIJA-FLOR [Manoel Serrão





És Sol.
És Luz. És Amor. Mas Eu como Tu, borboleta azul que não sou? Sou o colibri beija-flor!

 


 



 
748

ANCESTRAL-IDADE [Manoel Serrão]





E vindes vós, na voz dos vossos avós?
Ó ancestral teu pai, 

E os teus anos te dirão os avós!

  

537

NÃO NEGO! [Manoel Serrão]





Não sonego, e não nego!
Pago mil beijos eternos.
1 158

UM RARO PRAZER [Manoel Serrão]

                                                         
O MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE:

Amar pode causar dores no coração
E um derrame de paixões.
 

 

473

ESTUPEFACTO [Manoel Serrão]





Suja!
Porca!

Imunda!
Dia desses lavei m’alma.
Ó cai-me estupefaCto?
Gastei toda água do mundo!

 





542

DÊS-SABER [Manoel Serrão]









Sem sabê-la amar,

Nem do amor saber.
A quem mais amou,

Menos soube amar!
620

AFINIDADES [Manoel Serrão]




Afinidades...
Afinidades são entremeios,
Com muitos afins sem The 
End!
481

LIVRO 7 [Manoel Serrão]





No início dos anos 80 até meado dos anos 90 existia no entremeio das Avenidas Conde Boa Vista e Suassuna, do lado de cá do Beco da Fome, precisamente na Rua 7 de Setembro, logo ali bem no centro do Recife uma apinhada de cultura, artistas, intelectuais, simpatizantes, estudantes, de passagens anônimos, de encontros e desencontros com infinitas variações, lá estava a referência literária do mundo, uma livraria chamada - Livro 7.

De mudança para o Recife fui tomado por uma doce obsessão, conquistar uma vaga para o universo acadêmico. Fui exitoso. Celebrei! 

Pouco tempo após, então já estudante e acadêmico de direito recém aprovado no concurso do vestibular do ano de 1989, após ter cursado os dois primeiros períodos no Campus da Universidade Federal de Pernambuco, passei ao deleite de respirar toda aquela atmosfera histórica que impregnava o ar, as paredes, a beleza arquitetônica impar do prédio da Faculdade de Direito do Recife, os colegas discentes, o corpo de servidores, os docentes, enfim, as vezes tendo uma leve impressão de sentir a presença dos grandes vultos do passado em cada nicho e pequeno detalhe da Faculdade de Direito do Recife, fazendo-me transbordar de regozijo e orgulho. Afinal de contas estava eu sim de fato a cursar as Ciências Jurídicas no mais importante e tradicional Curso Jurídico do Brasil, a Faculdade de Direito do Recife [PE]. 

Ocorre que, conquanto, não bastasse tão nobilíssima conquista e o rio da vida transcorresse em serenada ordem, eis que no meio do caminho havia uma prenda enamorando-me, a mais sábia das divas Afrodite que pudesse um homem amar o conhecimento, uma livraria chamada Livro 7, a musa que desde então passara a concorrer com as aulas da Cadeira de Introdução ao Estudo do Direito I e II, ambas ministrada brilhantemente no primeiro horário pelo excelentíssimo Sr. Doutor Professor Heraldo Almeida que do alto do seu tablado e da sua, digamos assim, insolência, em hipótese alguma arredava da prerrogativa ao encerrar a aula de efetuar em ato contínuo no rol listado da caderneta dos acadêmicos que mantinha sobre a bancada como forma de manter-nos atentos ao mister, demandava ipsis litteris a chamada dos discentes ali presentes, assinalando os faltosos sob pena de terem em seus registros acadêmicos as anotações de ausência, e decerto após atingir-se determinado número de faltas, a reprovação na certa.

Presa fácil, agora  a fantasia se embaralha a realidade, e como refém à míngua movido por um sentimento inexplicável passei a viver dilemas a fio tendo muitas vezes que optar dia após dia entre a Livro 7 e as aulas do brilhante professor Heraldo, pois, ora pois, pois fascinado pela expressão da palavra, pela escrita, pelo saber e pela imensidão daquele vasto mundo de livros, tomos, volumes, edições, códices, enciclopédias, etc. que se despejava desafiadoramente d'ante os meus olhos em "desdenhoso silêncio" a dizer-me em murmúrios aos ouvidos convites e confissões "indecentes" e irresistíveis tipo: "pegue-me... compre-me... leve-me para casa...  leia-me, etc.", mormente, seduzido e sob efeito de uma magia prazerosa percorria com ar sonhador a calçada da Livro 7, com mão de ferro a segurar a ansiedade para não despertar olhares curiosos, sem pressa.  Há anos desde que a Livro 7 se estabelecera, quase todos os dias eram dias de visita obrigatória, algo assim como um vício, uma obsessão exagerada, uma liturgia, um enamoro, um amor de paixão desmesurada já que não conseguia por horas a fio romper aquele quebranto que me impusera a Livro 7.     Às vezes envergonhado, fingia comprar algo de literatura, é claro? Até que de vez enquanto arriscava mesmo sabendo que aquele dinheiro far-me-ia falta logo mais na frente, pois estudante com dinheiro curto tinha que fazer sacrifício ou ter que optar entre o lê e o comer, ou seja, entre alimentar o espírito, a alma e a sapiência ou matar a fome do corpo. Evidente que entre um e o outro, o do saciar a sede e a fome do organismo biológico, é verdade que sempre optava pela segunda, porém, fazendo-me de mercador escolhia um bom autor, um assunto do meu interesse ou algum em voga e mandava brasa. Aquele mundão de livros, era mesmo a minha paixão! 

Lê, lê muito até não poder falar de amor. Lê até o tempo disponível esgotar-se e as obrigações do curso através do professor na lembrança mandar uma intimação, um aviso de que já era horário do início da primeira aula do dia, justamente a do professor Heraldo Almeida.

Saudosas e felizes recordações de um tempo romantizado, cheio de ideais libertários, de literatura, contestações, reivindicações e bons propósitos.

O personagem é histórico. Por onde será que anda o Tarcísio? Em que plagas o Tarcísio que tanto ajudou, fomentou a grande maioria dos grupos que manipulavam a cultura existente, não importando se era do teatro, da música, da dança, do cinema, enfim, até no nosso intitulado de ANARCU - ANIMAÇÃO ARTÍSTICA CULTURAL que por pouco tempo se manteve no ar, mais que marcou pela ousadia de arregimentar muitos artistas para o mister, entre tantos como: Ericsson Luna; Helena de Tróia; Titio Lívio; Geraldo Maia; Marco Polo, Ricardo Palmeira,    Valmar, Gil, Danilo, Rubem Valença, Geraldo Silva, Manoel Serrão, Roberto "Cachaça", etc..

Agora que estamos na era virtual-cyber-digital, será que ainda existirá uma livraria do porte e tamanho da Livro 7 considerada na época como a maior do Brasil? Evidente que quando me reporto ao tamanho não é só a dimensão material, porém à nobre grandeza dos objetivos e meios para o quais todos nós sem exceção lançamos mão como instrumento para atingir-se os fins propositados. A sapiência.

Saudades! Tarcísio, por onde andares e em que plagas estiveres, eu, este humilde poeta, a cultura, os artistas de forma em geral, os escritores, poetas, e simpatizantes da inteligência por excelência da literatura te somos mui grato. 
 

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CONTO DE FADAS [Manoel Serrão]






A bravata torrou-me a lembrança.
Do amor conto de fadas?
Agora carrego breus e um monte de cinzas! 

 






RECANTO DAS LETRAS - Publicado: 23/10/2007 - Código do Texto: T706983.

Comentários: 26/11/2007 – 20:46 – Antônio Neto – [não autenticado] - Belíssimo poema, gosto muito dos poemas de NAURO MACHADO que já foi considerado o maior poeta vivo BRASILEIRO, e vc fala a linguagem de NAURO, de SOUSANDRADE, de TRIBUZI e AUGUSTO DOS ANJOS... grande abraço ANTÔNIO NETO.  

 

592

NORMANDIA - O DIA “D'EU NA TPM [Manoel Serrão]







Na hora “H” Do Dia “D”?

Deu TPM na Normandia.  
Ó aliados sem O.Bus? Rios de sangue... 

Mas hoje, “Sempre Livre”! 
Sem  abas ou capas, aderente ao amor? 
Que seja assim? O Mundo só quer toda [a] menor-pausa para Paz!
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Comentários (1)

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Parabéns por seus textos e seus poemas, meu caro Manoel Serrão. Poesia é, como disse o grande poeta Octávio Paz, salvação e nós dois seremos salvos por ela, assim como todo aquele que faça da beleza o único pão para sua alma. Tenho igual honra em te-lo como leitor. Um forte e cordial abraço.

Perfil Nome completo: Manoel Serrão da Silveira Lacerda. Idade e naturalidade: Nasceu em São Luís [Atenas Brasileira] capital do Estado do Maranhão, na Santa Casa de Misericórdia, em 19 de abril de 1960. Filiação: Filho de Agamenon Lucas de Lacerda e de Oglady da Silveira Lacerda. Neto paterno de Manuel Lucas de Lacerda e Maria Antônia Lucas de Lacerda; neto materno de Hidalgo Martins da Silveira e Maria José Serra da Silveira. Ascendência geral de espanhóis e portugueses judeus. Profissão: Advogado e Professor de Direito, formado pela Faculdade de Direito do Recife - UFPE, curso criado pela Carta Lei de 11.08.1827 - publicada em 21.08.1827 - Chancelaria Mor do Império do Brasil, que no passado acolheu dois presidentes: Epitácio Pessoa, em 1886 e Nilo Peçanha, em 1887. Acolheu outros nomes, os quais enriqueceram a nossa cultura como: Rui Barbosa. Castro Alves. Augusto dos Anjos. Ariano Suassuna. Miguel Arraes. Francisco Julião. Barão do Rio Branco. Barão de Lucena. Joaquim Nabuco. Fagundes Varela. Raul Pompéia. Tobias Barreto. Graça Aranha. Álvaro Lins. José Lins do Rego. Pontes de Miranda. João Pessoa. Clóvis Bevillaqua. Silvio Romero. Adolfo Cisnes. Assis Chateaubriand. Agamenon Magalhães. Luís Câmara Cascudo. Aurélio Buarque de Holanda, e tantos mais. Dimensionar a origem do berço poético do autor, assim como a dimensão e a importância do Maranhão para a cultura nacional, peço vênia para transcrever um pequeno trecho da obra do imortal membro da Academia Maranhense de Letras o professor Jomar Moraes, intitulada - Apontamentos de Literatura Maranhense - edições sioge - nota bene: "Sem receio de qualquer exagero chauvinista diríamos que a presença do Maranhão na literatura nacional se caracteriza, principalmente, pelo vanguardismo que sempre colocou nossos homens de letras à frente dos debates das novas ideias e da renovação de padrões estéticos. Do negrismo de Trajano Galvão ao neoconcretismo de Ferreira Gullar; do ideário estético e nacionalista de Gonçalves Dias às antecipações modernistas de Sousândrade; da lucidez analítica de João Francisco Lisboa ao ensaísmo da Franklin de Oliveira e Oswaldinho Marques; dos estudos folclóricos de Celso Magalhães ao romance naturalista de Aluísio de Azevedo; dos estudos de Nina Rodrigues à renovação estética pregada e apoiada por Graça Aranha, tudo revela e comprova a clara vocação de pioneirismo e liderança que assinala uma das mais características e importantes facetas da nossa participação na cultural nacional". E ainda, de Coelho Neto, Teófilo Dias, Vespasiano Ramos, Raimundo Teixeira Mendes, César Marques e muitos outros de uma constelação que brilha desde meados do século XIX. Dois dos quais – Gonçalves Dias e Teófilo Dias – são patronos de cadeiras na Casa de Machado de Assis, a Academia Brasileira de Letras, à Akademia dos Párias, dentre eles: Fernando Abreu, Paulo Melo Sousa, Garrone, Paulinho Nó Cego, Marcello Chalvinski, Zé Maria Medeiros, Celso Borges. Podemos citar: Arthur Azevedo; Catulo da Paixão Cearense; Bacelar Vianna; Bandeira Tribuzi; Padre Antônio Vieira [Sermão aos Peixes]; Odorico Mendes; Sotero dos Reis; João Francisco Lisboa; Gentil H. de Almeida Braga; Custódio A. P. Serrão [Frei]; Trajano Galvão; Josué Montello; Nauro Machado; José Sarney; José Chagas; José Maria Nascimento; Laura Amélia Damous; Luís Augusto Cassas; Alex Brasil, Antônio Miranda, Carlos Cunha, Dagmar Desterro, Joãozinho Ribeiro, Lago Burnett, Odylo Costa, Roberto Kenard, Salgado Maranhão, Vespasiano Ramos, Joaquim Haickel, João Batista Gomes do Lago; Mhario Lincoln; Lenita de Sá, João Paulo Leda, Evilásio Júnior, Antônia Veloso, Luiza Cantanhede, Zélia Maria Bacelar Viana, além de muitos tantos outros.