Manuel Santos

Manuel Santos

n. 1960 PT PT

n. 1960-06-24, Lisboa

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A forma do fim

Ganha forma a sombra do luar,
não a sombra fresca das figueiras
nas manhãs de Agosto, onde devagar
o sol troca, o louro trigo pelas eiras.

Ganha forma o desejo de vingança,
perto do fim, a crescer dentro do peito.
Penumbra de uma vida que balança
já perdida e percorrida sem proveito.

Ganha forma o ar que não respiro,
a forma da raiva que não tenho,
dos sons que do silêncio já retiro

do grito interminável que contenho.
Ganha forma a morte em sons de festa,
a correr, vermelho vivo pela testa.



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Poemas

1

Não vejo em Lisboa

Não vejo em Lisboa o que me seduz

O céu está escondido por um véu de água

Mesmo que um milagre nos devolva a luz

O que soube a mel, sabe agora a mágoa.

Foi longo o caminho, para chegar aqui

Cheio da incerteza que a ansiedade traz

E por cada passo que dou para ti

Sinto que me foges nos passos que dás

Quebrou-se o encanto, acabou o carinho

O frio do Inverno, mudou o olhar

E eu fiquei nos dias a sonhar sozinho

A olhar a lua, de noite e a rezar.

É dessa maneira que agradeço a Deus

Todos os momentos, os meus e os teus.

Manuel Santos Jan2012

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