SINFONIA!
Prefiro cantar o amor com o coração,
Versejar em folha branca a emoção.
Quiça as palavras criem asas.
E se assim for...
Deixe que pousem nos umbrais da tua janela,
Como se passarinhos fossem.
Ouça o amor que te canto hoje,
O amanhã é tão distante, posso não estar aqui.
Márcia Costa
Márcia Costa
Amor platônico!
És meu sonho, minha insônia.
Angustiante desejo que pulsa fremente.
Sufocar-te no peito é preciso?
Como encontrar a paz dos teus braços,
Neste sentir platônico sem juízo?
Já não consigo fechar a janela do quarto,
A rua por onde passa é o meu paraíso.
Márcia Costa
ANJO!
Num silêncio puro contemplo as asas quebradas d' um anjo,
Colhendo-lhe o anseio de voar.
Se o céu estivesse aberto o sonho não seria errante.
Dizem que por lá o tempo não existe.
A pressa só é ofício dos que têm tempo finito,
E vivem a sonhar com o impossível.
Tropel de sentimentos é laço,
Que os faz verter palavras.
Fulgor e fogo, clarão que cega.
Paixão, anseio de embriagar-se,
Desposar os corpos cálidos,
No soar da longa entrega.
Márcia Costa
SOTURNO!
Pranto incontido...
Lágrimas sobre os versos escritos...
Palavras borradas...
Marcas na poesia e na alma.
Márcia Costa
DURMO COMIGO!
Durmo comigo...
Pensando em contigo ficar.
Reviro-me... Abraço o travesseiro.
Desperto da lembrança teu cheiro
Tua voz é minha canção de ninar.
Sonhos de amor em preto e branco,
Minh' alma busca a luz do teu olhar.
Minha boca beija tua face contente.
Corpo ardente na cama sem par.
Durmo comigo... Tão carente.
Em sonhos adentro pra te amar.
Márcia Costa
E ASSIM TE VI!
... E assim te vi...
Palavras na mão,
No olhar o sorriso.
Entre tantos... O distinto.
N' alma um alvorecer de inspirações.
Em ti, versos cantando a vida,
Cintilantes como pirilampos,
Iluminando-lhe as feições.
... E assim te vi...
Verso andante...
Verbo falante...
Dedicado, zeloso amante da poesia...
Divina - dama fulgurante.
... E assim te vi...
Apenas homem!
Márcia Costa
Rosa Pálida!
Se outrora não despia,
Minhas emoções nas palavras,
Era por que a dor me sufocava.
Estava seca... Era figura inanimada,
Um enfeite qualquer que ninguém olhava,
Estava feia, sem graça... Uma rosa pálida,
Exporta a poeira e ao vento,
Há um tempo sombrio,
Um momento adormecido,
A espera de um olhar, um sorriso...
De um dia bonito, de sol.
Precisava sentir a vida,
Ser amada, desejada.
Precisava dos versos, das palavras.
Ouvir a canção da vida descortinando o breu da minh 'alma.
Márcia Costa
Teor da Boca!
Antes que pronuncie palavras,
Degusto os versos que residem na tua boca.
Provo tuas falas, tua saliva, teu sabor.
Travo um duelo com tua língua,
Que não corta, arrepia!
Não é afiada como dizem,
Sim, viscosa e lasciva!
Márcia Costa
Meu Oasis!
Meu Oasis!
Grande é a sede do tudo que é teu.
Lúbrico é o anseio que não dormita.
Febre de amor que não tem cura.
Palavras correndo pelo corpo.
Onde estais nesta procura,
Quando brigo com os lençóis?
Graças aos céus que da solidão não ouço a voz.
Sonho como se tivesse asas de anjos sobre as pálpebras,
Enquanto lembranças sussurram teu nome com doçura,
E as noites crescem e deságua em auroras.
Márcia Costa
SAUDADE!
A saudade faz com que tenha ilusões.
E a mente cria a fantasia de que se estender a mão,
Tua face posso tocar á regalia.
A realidade escapou de mim,
Prefiro dormir e sonhar...
É mais fácil escapar do que encarar,
O que ainda não posso vencer.
Se hoje mato um leão, amanhã ele torna á viver.
Todos os dias são iguais.
A saudade é rotineira, faz ronda em minhas esquinas.
Sou tédio, nostalgia...
Nuvem cinza que a todo instante se precipita.
Márcia Costa