Além do Horizonte!
Águas plácidas nos separam.
Atravesse a ponte.
Atravesse o rio.
Preciso do teu abraço...
Do beijo que me entorpece os sentidos,
Incitando desejos que me fazem perder o siso.
A distância é castigo!
Em lembranças a saudade encontra guarida.
Atravesse o rio, atravesse a ponte moço bonito!
seja os versos desta poesia,
Preencha a alcova vazia.
Márcia Costa
PRENÚNCIO!
A língua é pena á falar os ditares do coração
Lampejos na escuridão, lampejos...
Chaves nos portais do pensar.
O silêncio prostrado como santo no altar.
Palavras á ressoar na intima câmara.
Trovas - versos, nos degraus da garganta.
Vitrais marejados de lágrimas, ótica embaçada.
Os sinos da inspiração á anunciar...
"Quimeras á versejar!"
"Quimeras á versejar!"
Márcia Costa
O tempo não pará!
De repente, o passado lança-se sobre o presente.
Nossas mãos entrelaçadas,
Busco quem eu fui anteriormente.
O tempo passou, já não existe "a gente".
Nunca mais a inocência infante.
A inconstância da puberdade.
A rebeldia por quase nada.
Teus sorrisos, teus olhares ardentes.
Resta-me a saudade orvalhando na mente,
Lembranças da mocidade, no divã da maturidade.
Márcia Costa
PALAVRAS!
Apenas palavras dançando, indecentes e nuas.
Cheias de vida, de uma emoção que é só minha.
Estimulando-me a mente,
Afagando-me o ego com pureza e malícia.
No íntimo uma tolerância permissiva,
Um prazer quase imoral ao grifarem-se em minhas linhas.
Márcia Costa
E ASSIM TE VI!
... E assim te vi...
Palavras na mão,
No olhar o sorriso.
Entre tantos... O distinto.
N' alma um alvorecer de inspirações.
Em ti, versos cantando a vida,
Cintilantes como pirilampos,
Iluminando-lhe as feições.
... E assim te vi...
Verso andante...
Verbo falante...
Dedicado, zeloso amante da poesia...
Divina - dama fulgurante.
... E assim te vi...
Apenas homem!
Márcia Costa
DESEJO!
Antes fosse inócuo,
O desejo que me permeia,
Teu olhar ávido não abalaria minha sanidade.
Perder-me em você é o melhor caminho?
Quem dera lesse versos no teu corpo,
Seria como enxergar o alvorecer,
Enquanto o amor desabrocha na vastidão do peito.
Márcia Costa
Prato Principal!
A face dos versos é indecifrável.
Mas, as palavras sorriem fantásticas,
Tão claras quanto o dia.
E num instante não há mais vazio,
Há um ser repleto de emoções que arrebatam.
A fragrância dos poemas frescos,
Vem acalentar as aflições da alma.
Por isso, trago sempre a mesa posta.
Pratos, talheres, taças de vinho...
Á esperar versos suculentos,
Malfadados, ao ponto...
Quentes ou frios.
Márcia Costa
SAUDADE!
A saudade faz com que tenha ilusões.
E a mente cria a fantasia de que se estender a mão,
Tua face posso tocar á regalia.
A realidade escapou de mim,
Prefiro dormir e sonhar...
É mais fácil escapar do que encarar,
O que ainda não posso vencer.
Se hoje mato um leão, amanhã ele torna á viver.
Todos os dias são iguais.
A saudade é rotineira, faz ronda em minhas esquinas.
Sou tédio, nostalgia...
Nuvem cinza que a todo instante se precipita.
Márcia Costa
Amor platônico!
És meu sonho, minha insônia.
Angustiante desejo que pulsa fremente.
Sufocar-te no peito é preciso?
Como encontrar a paz dos teus braços,
Neste sentir platônico sem juízo?
Já não consigo fechar a janela do quarto,
A rua por onde passa é o meu paraíso.
Márcia Costa
Quarta-feira de cinza!
Sopra a brisa fria no ardoroso sorriso,
Usurpando da face a alegria - patente.
O dia cinza é a lente das vistas,
No suspirar da felicidade eloqüente.
Corre tempo! Vire a página.
Que o ano vindouro escreva novas falas.
Perdurando um enredo de cores
Extirpando perpetuamente as lágrimas.
Ah, alma cabrocha!
Perdoe a soturna cor da fantasia,
Os pés perderam o ritmo do samba,
O coração já não bate no compasso da bateria.
Que caiam do céu confete, serpentina...
Chuva de ilusão em minha avenida
O sonho acabou, tornaram-se cinzas.
Oh, poesia!
Restou-me a ressaca da alegria,
Enxugue o pranto desta colombina,
Na derradeira despedida.
Em meu peito o carnaval não termina.
Márcia Costa