marcioulisses

marcioulisses

n. 1979 BR BR

Amante da Literatura, Poeta, Biólogo, Mestre em Biologia Vegetal.

n. 1979-05-04, Carpina, PE

Perfil
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MEUS CACHOS - para Paulo Ulisses

Era um menino que tinha pai e mãe

Avó, tios, padrinho e madrinha, um cachorro

Que pedia pra colocar Maria Bethânia

Jorge Bem Jor e La belle de jour

 

Que morava numa terra quente

Num lar alegre embora enganado por mentira

No seu mundo, em seus cachos, sorriso todo o tempo

Só gostava de brinquedos feitos por ele mesmo

 

Mas a mentira o levou pra terra dos rodeios

E a justiça cega, lenta, mau caráter, permitiu

É provável que essa história acabe aqui

Mesmo sem vê-lo, o sinto, ouço-o gargalhar

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Poemas

46

NOS AMAMOS NA PRAÇA

Era ela
Era eu
Era a praça
A rua, a lua, o mar
Era perigo
Era abrigo
Meu e dela
Abrigo sim
Sem teto
Forrado de estrelas
Foi
És
Foi assim:
Na praça
Defronte ao mar
Como animais
Como o sal
Com o vento
Foi sim
Sim foi
Se foi
Ainda vive
Aqui nas minhas entranhas
Nas minhas narinas
No meu órgão sagrado
Não... Ou melhor sim
Sim e não
Não e sim
Inicio
Não fim
Oh please
Please
No speak
Eu explico
Explicito
Tudo
Todo mar que fizemos naquela noite
Enquanto as estrelas caíam sobre o mar...

122

UNIVERSO TEMPO

O tempo é rápido como a luz
Profundo como o pensamento
Eterno como Deus e o amor
De mãe e filho e pai

Se propaga como sementes anemocóricas
Aladas como anjos

É fogo, razão, exatidão
Demora, solidão, euforia
O tempo é o vale por onde o universo se expande.

104

RUA DO BONFIM

Quando me olhares do Bonfim
Ficarei mais gelado que cerveja
Esquecerei, esquecerás
De quem beijas
Incomodar-nos-emos como pedra no rim

Então lembraremos de quando no meu leito
Nas noites de carnaval
Depois de decifrares as ladeiras, curvas, becos
E vielas do meu peito

154

SOU

Sou cético e esperançoso
Exigente, despretensioso
Solitário e feliz
Experiente aprendiz

Paciente e ansioso
Leitor de história
A prever que tudo
No mundo, já vi ou fiz

105

A DEUSA DO ELEVADOR

Que sentidos usar?
A boca, as mãos, os pelos,
nuca, lábios, cílios,
Folhas, flores, abraços,

Cores, dores, êxtase,
Sintaxe, pé no pé?
Movimentar-se a maré
Parar as ondas, derrubar as pontes,

Paralisar o olhar
Olhar e virar o rosto
Qual será o gosto do teu cheiro?

Paladar, ouvir, gritar, cantar,
Escrever depois apagar
E tentar de encontrar 
no elevador.
 

98

RENEGAR

Acordo sem sonhar
Trabalho sem perceber 
Penso pra não lembrar 
Recordo do amanhecer

Revolto ao entardecer 
Passo as noites sem luar
Canto a enternecer
Torço em não encontrar

Tremo em não ver chegar 
Esqueço sem entender 
Durmo em não acordar 
Levanto sem remexer

Sonho em saber sofrer
Desejo, o de não pensar
Querendo o que merecer
Ignorando sua luz do olhar

147

QUANDO DA INVASÃO DA HOLANDA [para Fernando Tiné]

Em 2024 aportou nas terras baixas um biólogo brasileiro 
Humanista, pai, versado em prosa e um exército 
Uma armada de um milhão de amigos

Um Garibaldi brasileiro disposto à guerra 
Mas só consegue levar a alegria 
Amor ao semelhante dissemelhante
 A risada na cara

Tantos amigos, família, o amam
Que a saudade corrói-lhe o peito 
De alguns é dolorido até lembrar:
O safado do Tiné! É a menção que consigo fazer 
Dessa nossa mãe

Meu grande amigo. 
Domine os Batavos
Tome as terras Mauricias 
Aguente firme, meu véi! 
Seu batalhão tá aqui...

135

COMBATE E SOLIDÃO

A solidão é a única propriedade que levarás além-túmulo

Não necessariamente triste, te reveste de armadura

Da couraça dos vaqueiros, dos cangaceiros, 

Do povo de rua, que sob sol e sob lua

Não sabe a data de hoje nem o dia de amanhã

 

Te guiará com cuidado, confortará o frio da alma

Te lembrará que a saudade é o perfume de verões passados

Antes e depois de passada a tua memória

Do último ente se negar a ver tua desgraça

 

Mas solidão nem saudade é desgraça

Aprendes que não precisa de outrem pra viver

E ser uma ilha propensa a receber visitantes

Estarás sempre pronto à chuva ou batalha que vier

 

Ama aos outros, mas ama-te em primeiro

Tanto o bem quanto o mal é passageiro

E o amor como a vida é viagem

Segura o teu papel com arte e coragem

Até o ato derradeiro

107

O FIM

Na finitude é que vês a parte mais bela
Quando és capaz de ver como enganou-se
Tudo que era lindo pra ti era nada pra o outro
Não eram tuas e de ninguém além de tudo

Sabotavam-te, galhofavam às tuas costas
Tudo era um jogo psicológico e sádico
Era tua inimiga oculta, e amiga obtusa
Estavas numa gaiola incandescente

Mas saíste, hoje quem não vê-las és tu
Por isso amor não é páreo para a amizade
Mais vale ter o coração vazio e a mente cheia
E escrever bonito sobre o que sonhavas
 

117

AMAR CALMAMENTE

Quero viver contigo simples
Do desejo do teu olhar alegre
Do teu tom de pele, o meu
Crescer, vencer em tua história

Respirar teus ares
Arrancar-te olhares
Assistir ao teu caminhar
E no teu trajeto estar

Nos teus caracóis 
Nos dentes, tantos, brancos
Na íris cor mel de engenho
Entre os tantos e a sós

Ver tua evolução de mulher 
Guerreira estudante de leis
Refinada forma de tratar
Me inspirando a trabalhar

Aspirar um dia sentir
Teu cheiro de flor
E tua forma esculpir
Te proteger, te dar calor


 

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