mari_80s_ana

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Amor ardente

Amor ardente é aquele
que deixa a alma maltratada,
Tortura com o silêncio
E o desprezo de não ser amada;

Quando tal paixão despertou,
Me acho incerta quanto ao tempo,
Mas ser capaz de a contemplar
Serve para o meu contentamento;

Não sei o que hei de esperar,
Se para mim tanto me dói mais
não poder a ele tocar;

Expresso-me pela agonia,
Essa que me tem quebrada,
De quem ama e jamais foi amada.
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Poemas

25

Tirai os meus olhos e o coração

De ti cansada estou,
Cansada estou de esperar por ti,
O meu descaso e cansaço
Vem da mágoa que já senti;

A paixão a ir-se pelas entranhas,
Chorando a minha alma
De servo inexperiente,
Enquanto espero por ti amargamente;

Passei a celeste madrugada
A contemplar aquilo que não é meu,
De jeito nenhum me pertence,
Tal amor que Senhor me deu;+

Rogai a Deus que peço:
Tirai os meus olhos e o coração,
Que para mim só o desprezo chega
Para acabar com esta sansão.

663

De frente ao mar

Aqui me sento
De frente ao mar,
Não sabendo o que há de vir,
Não sabendo o que hei de esperar;

Dedilhando a areia,
Deixo-me levar por pensamentos,
Deixo-me molhar pela água,
Deixo que ela leve os meus tormentos;

E se o meu amor fosse tão bom
Quanto a formosura deste lugar?
E se o meu amor fosse alcançável
Quanto o medo que tenho de esperar?

A dor da incerteza é bem pesada,
Cuidarei do meu pássaro
Ou deixá-lo-ei voar?
Mal sabe ele que d'ele não espero nada.

622

Não mais fiz depois que amei

Não mais fiz depois que amei.
Vivi em ilusões desmedidas,
Rodeada por quem pouco exerga,
Vivi somente para ver o sol se erguer,
Alumiar um conectar de vistas,
Que a volúpia e luxúria faz crescer;

Vede, que escrevo sem freio e regra
ao que move a minha amargura,
De nao ter ocio no amor e na poesia,
Que amo tanto e tudo o que respira,
Que é como cantiga sem partitura,
Uma doce, vil, alma insegura;

Vivi pouco o que se numa vida vive,
Encontrei-me na lira que escrevi,
Sonhei e prometi Mundos somente
A quem não soube dar estima,
Que amor e lágrimas lhe tive,
Tanto que só chora quem ama
E só ama quem nada sente;

Ainda assim, de longe o quero contemplar,
Perder-me em sôfregas palavras,
Desaparecer num abraço sentido,
Tocar-lhe, sorrir-lhe e sussurrar-lhe,
Bem baixinho ao ouvido,
A melodia de um coração partido.
481

Sopra o vento

Sopra o vento,
Que amaina as lágrimas que caiem
Sedentas dos teus olhos cor de mar,
Descem por teu gesto, já rugoso,
Com traços do tempo que ninguém faz parar;

Olhos opacos vidrados no além,
Contavas-me o quão triste foste toda a tua vida,
O quanto choraste ao céu que ouvisse
As tuas presses de puritana rendida;

Avó, que lindo nome o teu!
Maria dos meus encantos
Por quem me apaixonei um dia,
Aquela que me permitia olhá-la
A entrançar belos e ondados fios de ouro,
Aquela que diante de mim sofria!

Tinhas um cantar de encantar, Chorava eu de fininho,
Tardes passadas no terraço
A ouvir as melodias da primavera,
Sentada a olhá-la, formosa,
Maria a lavar as vestes
Quando para mim dissera:
Sempre tão chorosa;

Minha Maria enchia-me a leda alma
Quando, de noite, sussurrava ao ouvido
Tudo o que um coração não ouve;

Com os seus braços em volta de mim,
Nas noites gélidas de Janeiro, Jurei que dali não sairía nunca mais,
Juramento matreiro!

Vim saber que o tempo não parava,
Vim saber que nunca mais cantaria para mim,
Vim saber que perdera a minha circe;

Soube que te irias
Quando parada a olhar para ti,
Maria, quase sem vida,
Me pedias, sofregamente,
Para sanar a tua dor;

Despedi-me.
De ti, do tempo e das lembranças.
Vim afogar as malditas mágoas
Daquela que costumava ser a minha rainha,
A velha das fartas tranças;

O teu olhar sem vida lembra-me
Do fastidioso tempo que passou, Queria poder também amar-te,
Mas o meu coração não ajuda
A amar a quem me deixou;

Hoje, olho para ti com a saudade do passado,
Com a esperança de voltar a olhar a minha Maria,
Que tomou o meu coração despedaçado!

Hoje sou eu quem faz as tranças,
Quem canta aos céus
que te leve completamente de mim
E deixe somente as boas lembranças.

498

Um dia encontrar-te-ei

Um dia encontrar-te-ei
Sozinho, todo apressado do outro lado da rua,
Seremos dois outra vez,
Eu a olhar-te e tu na tua,
Voltaremos ao que sempre fomos,
Música sem harmonia,
Vida sem poesia;

E depois de passados anos
Vejo-me de novo perdida,
Segurando o meu coração em prantos,
Que relembra o quanto doía;

Talvez agora te possas lembrar de mim,
Voltar atrás no tempo
De onde eu te via do banco do jardim,
Tu, com aquele brilho nos olhos
Parecias feliz;

E hoje quem és tu?
Que ainda me fazes arder no fogo,
Que me puxas, agrides e magoas,
Que me rasgas o peito sem palavras boas,
Que me fazes ter dó de mim;

Talvez, daqui a uns anos,
Eu possa esquecer como me fazias sentir,
Vou mais além,
Talvez enquanto passo a minha vida a escrever-te,
Tu sejas feliz com outro alguém;+

Talvez possas pensar em mim
Enquanto olhas a lua,
Talvez um dia serás meu
E eu não serei tua.

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Comentários (4)

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miguel_damas

Muito prezo as tuas palavras miuda, não tens só beleza exterior, o que sai de ti é bem mais forte e bem notável. 17 anos e muita boa escrita :D Um Abraço

jw2018

Lindos poemas!

aliceholanda9

Suas palavras são verdadeiras e sinceras, consigo sentir quando algo é bom, mas isso é ótimo

Alberto de Castro

Tão jovem, tão bela e tão talentosa. São três ingrediente mágicos e incendiários. Parabens!