mari_80s_ana

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Amor ardente

Amor ardente é aquele
que deixa a alma maltratada,
Tortura com o silêncio
E o desprezo de não ser amada;

Quando tal paixão despertou,
Me acho incerta quanto ao tempo,
Mas ser capaz de a contemplar
Serve para o meu contentamento;

Não sei o que hei de esperar,
Se para mim tanto me dói mais
não poder a ele tocar;

Expresso-me pela agonia,
Essa que me tem quebrada,
De quem ama e jamais foi amada.
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Poemas

25

Predileta Musa

Minha predileta Musa,
D'olhos cor de esmeralda,
Que para mim é já incansável
Degustar de tão bela alma;

Na leda madrugada que rendeu,
Ouvir-te-ia cantando
Sob o peitoril da janela,
Tecendo a alma que já morreu;

Alma minha, talvez dela,
Essa que vai subindo ao céu,
Tão fria, quase congela,
Tamanha é a mágoa, tão singela;

Minha celeste criatura
Que me quebra o coração,
Sabe ela que não há fortuna melhor
Que me ter por rendição.

730

Meus olhos queimam

Meus olhos queimam
Para ver os teus,
Anseiam a tua chegada,
Anseiam por encantos meus;

Perdida estou eu,
Em meio a meus devaneios,
Pensando em como a ti chegar,
Roubar-te de amores alheios;

Deleito-me no leito deste rio,
A brisa corta a minha face,
Levando de mim o meu assobio;

Choro a vida que não tive,
Ajoelhada em prantos,
Choro lágrimas que jamais contive.

714

Sopra o vento

Sopra o vento,
Que amaina as lágrimas que caiem
Sedentas dos teus olhos cor de mar,
Descem por teu gesto, já rugoso,
Com traços do tempo que ninguém faz parar;

Olhos opacos vidrados no além,
Contavas-me o quão triste foste toda a tua vida,
O quanto choraste ao céu que ouvisse
As tuas presses de puritana rendida;

Avó, que lindo nome o teu!
Maria dos meus encantos
Por quem me apaixonei um dia,
Aquela que me permitia olhá-la
A entrançar belos e ondados fios de ouro,
Aquela que diante de mim sofria!

Tinhas um cantar de encantar, Chorava eu de fininho,
Tardes passadas no terraço
A ouvir as melodias da primavera,
Sentada a olhá-la, formosa,
Maria a lavar as vestes
Quando para mim dissera:
Sempre tão chorosa;

Minha Maria enchia-me a leda alma
Quando, de noite, sussurrava ao ouvido
Tudo o que um coração não ouve;

Com os seus braços em volta de mim,
Nas noites gélidas de Janeiro, Jurei que dali não sairía nunca mais,
Juramento matreiro!

Vim saber que o tempo não parava,
Vim saber que nunca mais cantaria para mim,
Vim saber que perdera a minha circe;

Soube que te irias
Quando parada a olhar para ti,
Maria, quase sem vida,
Me pedias, sofregamente,
Para sanar a tua dor;

Despedi-me.
De ti, do tempo e das lembranças.
Vim afogar as malditas mágoas
Daquela que costumava ser a minha rainha,
A velha das fartas tranças;

O teu olhar sem vida lembra-me
Do fastidioso tempo que passou, Queria poder também amar-te,
Mas o meu coração não ajuda
A amar a quem me deixou;

Hoje, olho para ti com a saudade do passado,
Com a esperança de voltar a olhar a minha Maria,
Que tomou o meu coração despedaçado!

Hoje sou eu quem faz as tranças,
Quem canta aos céus
que te leve completamente de mim
E deixe somente as boas lembranças.

499

Não mais fiz depois que amei

Não mais fiz depois que amei.
Vivi em ilusões desmedidas,
Rodeada por quem pouco exerga,
Vivi somente para ver o sol se erguer,
Alumiar um conectar de vistas,
Que a volúpia e luxúria faz crescer;

Vede, que escrevo sem freio e regra
ao que move a minha amargura,
De nao ter ocio no amor e na poesia,
Que amo tanto e tudo o que respira,
Que é como cantiga sem partitura,
Uma doce, vil, alma insegura;

Vivi pouco o que se numa vida vive,
Encontrei-me na lira que escrevi,
Sonhei e prometi Mundos somente
A quem não soube dar estima,
Que amor e lágrimas lhe tive,
Tanto que só chora quem ama
E só ama quem nada sente;

Ainda assim, de longe o quero contemplar,
Perder-me em sôfregas palavras,
Desaparecer num abraço sentido,
Tocar-lhe, sorrir-lhe e sussurrar-lhe,
Bem baixinho ao ouvido,
A melodia de um coração partido.
486

Oh destino!

Oh destino!
Por quê tu tão desafortunado,
Não vivo eu depois das águas
Para não ver o meu bem adorado;

Amor esse que não é meu,
Sólo a mis pensamientos pertence,
Porém, mais meu que teu,
Que o meu fado, aqui, perece;

Assisto o sorrir mesquinho,
Coisa pouca, quase forçado,
Beleza é sinónimo de ti, meu bem,
Que é quase um pecado;+

Olhos tão opacos cheios de vida
Que preenchem o teu ser,
E que me iludem nos teus encantos,
Ai, que farei eu senão te querer?

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Comentários (4)

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miguel_damas

Muito prezo as tuas palavras miuda, não tens só beleza exterior, o que sai de ti é bem mais forte e bem notável. 17 anos e muita boa escrita :D Um Abraço

jw2018

Lindos poemas!

aliceholanda9

Suas palavras são verdadeiras e sinceras, consigo sentir quando algo é bom, mas isso é ótimo

Alberto de Castro

Tão jovem, tão bela e tão talentosa. São três ingrediente mágicos e incendiários. Parabens!