mari_80s_ana

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Amor ardente

Amor ardente é aquele
que deixa a alma maltratada,
Tortura com o silêncio
E o desprezo de não ser amada;

Quando tal paixão despertou,
Me acho incerta quanto ao tempo,
Mas ser capaz de a contemplar
Serve para o meu contentamento;

Não sei o que hei de esperar,
Se para mim tanto me dói mais
não poder a ele tocar;

Expresso-me pela agonia,
Essa que me tem quebrada,
De quem ama e jamais foi amada.
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Poemas

25

Lembranças

Aqui me sinto repousada
Entre o verde,
Que pelo quente de agosto é abraçado,
Lembro as poucas lembranças que me é possível recordar,
Aquelas que mal ficaram no passado;

De perna cruzada e a cantarolar, Aprecio o que diante de mim a vista alcança,
Duas crianças com ganas de chegar ao céu
Embaladas na própria dança;

Risos e respirações sôfregas,
Quase propositadas, criam harmonias,
Aqui sentada peço a quem me ouve
Que tais garotas não passem as minhas agonias;

De repente, um choque de realidade,
De quem muito sonha e pouco alcança,
E com a lembrança do tempo
De que não mais serei criança.

742

Não mais fiz depois que amei

Não mais fiz depois que amei.
Vivi em ilusões desmedidas,
Rodeada por quem pouco exerga,
Vivi somente para ver o sol se erguer,
Alumiar um conectar de vistas,
Que a volúpia e luxúria faz crescer;

Vede, que escrevo sem freio e regra
ao que move a minha amargura,
De nao ter ocio no amor e na poesia,
Que amo tanto e tudo o que respira,
Que é como cantiga sem partitura,
Uma doce, vil, alma insegura;

Vivi pouco o que se numa vida vive,
Encontrei-me na lira que escrevi,
Sonhei e prometi Mundos somente
A quem não soube dar estima,
Que amor e lágrimas lhe tive,
Tanto que só chora quem ama
E só ama quem nada sente;

Ainda assim, de longe o quero contemplar,
Perder-me em sôfregas palavras,
Desaparecer num abraço sentido,
Tocar-lhe, sorrir-lhe e sussurrar-lhe,
Bem baixinho ao ouvido,
A melodia de um coração partido.
483

Quanta dor

Quanta dor não faz sentir,
Em cada fibra do meu jeito,
A dor da rejeição,
Essa que me fere o peito;

Orgulho ferido num leito desenhado,
Pingas do que te corre nas veias
Que caiem, piedosamente, em mim
Sob a sombra d'um gesto quebrado;

Vejo-me leda e formosa,
Tamanha é a minha fantasia,
Quantos dias eu não conto
Para sanar de mim tal agonia;

Some-te dos meus pensamentos,
Que de ti não quero que não me queiras,
Quem seria eu, meu anjo,
Se a ti não te quisesse?

707

Tirai os meus olhos e o coração

De ti cansada estou,
Cansada estou de esperar por ti,
O meu descaso e cansaço
Vem da mágoa que já senti;

A paixão a ir-se pelas entranhas,
Chorando a minha alma
De servo inexperiente,
Enquanto espero por ti amargamente;

Passei a celeste madrugada
A contemplar aquilo que não é meu,
De jeito nenhum me pertence,
Tal amor que Senhor me deu;+

Rogai a Deus que peço:
Tirai os meus olhos e o coração,
Que para mim só o desprezo chega
Para acabar com esta sansão.

663

Quanto Deus me deu

Quanto Deus me deu,
Olhar para te olhar,
O teu gesto tão singular
Que me tem cativa;

Entre pérolas e esmeraldas,
Entre sorriso e olhos cansados,
Entre ti, meu bem, minha alma,
Entre lágrimas e soluços agoniados;

Face pálida e deleitosa,
Lábios rosados tão belos
Que me perco de tão formosa;

Senhor leva a minha dor sofrida,
Só te peço que não leves os meus olhos
Para contemplar a minha inimiga.

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Comentários (4)

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miguel_damas

Muito prezo as tuas palavras miuda, não tens só beleza exterior, o que sai de ti é bem mais forte e bem notável. 17 anos e muita boa escrita :D Um Abraço

jw2018

Lindos poemas!

aliceholanda9

Suas palavras são verdadeiras e sinceras, consigo sentir quando algo é bom, mas isso é ótimo

Alberto de Castro

Tão jovem, tão bela e tão talentosa. São três ingrediente mágicos e incendiários. Parabens!