Maria alves

Maria alves

n. 1976 PT PT

n. 1976-10-03, Lisboa

Perfil
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Pianista


Sentimento martelado entre o preto e o branco
Num teclado tão banal como as mãos que lhe tocam
Reflectindo a alma grandiosa que se senta no banco
Que tocando nota a nota liberta sensações que marcam.

Cordas que vibram tornando-se belas melodias
Sob a forma de dedos esfuziantes e dançantes
Ao comando de compassos e de grande euforia
E assim surge aquela magnitude da sinfonia.

Ao de leve martela a corda que vibra livremente
Assim como os pensamentos de quem ouve e sente
Sons, sentires que impregnam o ar que se respira
De quem reflecte calmaria ou uma grande ira.

Piano bem afinado pelo harmónico coração
Reflexo de notas bem tocadas e em harmonia
É pianista que comanda com grande paixão.
Alma e corpo florescendo em sintonia.

de Maria Rosa dos Santos Alves, in "Palavras ao Vento - Oscilação dos Sentimentos"
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Poemas

2

Canto do Lobos

Canto dos lobos que protegem a noite
Uivem no cimo do monte sagrado
Evoquem a fada celeste do universo
Elevem o divino da sua luz solene.
Surge agora, bela e exuberante,
Invadindo os espíritos delicados,
Usurpando os seus desejos mais íntimos
Procurando o amor que lhe é renegado.
Vampira dos sonhos mais castos,
Feiticeira de corações inocentes,
Lança encantamentos efémeros
Em busca de paixões passageiras.
Ergue-se em mitos e é desejada,
Puro feitiço quando crescente.
Amante misteriosa em lua cheia
Incerta modéstia em minguante.
Saciada em desejos mortais
Será por fim uma lua nova,
Renascendo de novos amores,
Sugando de castos corações,
Desejos, ambições e paixões.
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Silêncio I

O tempo parece alongar-se nesta mudez,

Tornou-se uma rotina que afastou a vontade,

Vontade de encerrar os olhos e o dia,

Proibindo a alma de abalar do seu habitáculo,

O meu corpo.

Não tenho vontade de dormir, tenho sim,

Necessidade de sentir-te, auscultar-me em ti,

Silêncio.

Nesta ausência de frenesim, nesta ausência em tudo,

Hipnotizo-me em sonhos, pensamentos, criações

Que não são nada mais do que vontades,

Necessidade de ouvir-me com quietude.

Iniciou-se, iniciou-se o cansaço que leva à exaustão,

Adormece o corpo, mas não a alma.

São palavras e rodopiam entre si,

Ocupando-te, antes vazio, silêncio,

Agora repleto de sentimentos e juízos,

Embora ainda ausente de imagens.

Mergulhaste neste espaço, de rompante,

Cedendo à minha vontade de tranquilidade

E agora, que fazemos os dois?

Bailamos em segredo, trocamos vontades?

Sim, talvez ...talvez...

Dar-te-ei a visão de um mundo, onde não existes

E em troca ofereces-me a pausa, o descanso, a calma,

E a paz interior... se disso fores capaz.

Na verdade, silêncio, se és ausente de sons,

Porque te ouço com tanta exactidão?

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