Maria alves

Maria alves

n. 1976 PT PT

n. 1976-10-03, Lisboa

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Solidão ao Luar


Invado a noite fria e quieta de andar estreito,
Quebro o silêncio nostálgico desta escuridão
Onde os sons evasivos são sombras do peito
Quebrados por um poema desta dimensão.

Desafio o olhar triste que a lua me oferece
Declamando-lhe um verso de amor perdido.
Seu rosto encandeia-se à medida que cresce
O desgosto da paixão que lhe é agora erguido.

E no silêncio nostálgico da escuridão,
de ar melancólico responde baixinho:
- Estou só, nunca soube o que é amar,
Vivo aprisionada nestas noites vadias.
Ouço os teus e mil outros desabafos,
Ilumino a alma que me aclama e enlaça
Pena é... ser breve o ensejo de quem passa.

de Maria Rosa dos Santos Alves
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Poemas

2

Canto do Lobos

Canto dos lobos que protegem a noite
Uivem no cimo do monte sagrado
Evoquem a fada celeste do universo
Elevem o divino da sua luz solene.
Surge agora, bela e exuberante,
Invadindo os espíritos delicados,
Usurpando os seus desejos mais íntimos
Procurando o amor que lhe é renegado.
Vampira dos sonhos mais castos,
Feiticeira de corações inocentes,
Lança encantamentos efémeros
Em busca de paixões passageiras.
Ergue-se em mitos e é desejada,
Puro feitiço quando crescente.
Amante misteriosa em lua cheia
Incerta modéstia em minguante.
Saciada em desejos mortais
Será por fim uma lua nova,
Renascendo de novos amores,
Sugando de castos corações,
Desejos, ambições e paixões.
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Silêncio I

O tempo parece alongar-se nesta mudez,

Tornou-se uma rotina que afastou a vontade,

Vontade de encerrar os olhos e o dia,

Proibindo a alma de abalar do seu habitáculo,

O meu corpo.

Não tenho vontade de dormir, tenho sim,

Necessidade de sentir-te, auscultar-me em ti,

Silêncio.

Nesta ausência de frenesim, nesta ausência em tudo,

Hipnotizo-me em sonhos, pensamentos, criações

Que não são nada mais do que vontades,

Necessidade de ouvir-me com quietude.

Iniciou-se, iniciou-se o cansaço que leva à exaustão,

Adormece o corpo, mas não a alma.

São palavras e rodopiam entre si,

Ocupando-te, antes vazio, silêncio,

Agora repleto de sentimentos e juízos,

Embora ainda ausente de imagens.

Mergulhaste neste espaço, de rompante,

Cedendo à minha vontade de tranquilidade

E agora, que fazemos os dois?

Bailamos em segredo, trocamos vontades?

Sim, talvez ...talvez...

Dar-te-ei a visão de um mundo, onde não existes

E em troca ofereces-me a pausa, o descanso, a calma,

E a paz interior... se disso fores capaz.

Na verdade, silêncio, se és ausente de sons,

Porque te ouço com tanta exactidão?

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