Maria alves

Maria alves

n. 1976 PT PT

n. 1976-10-03, Lisboa

Perfil
38 005 Visualizações

Pensamento I

Hoje, sinto a necessidade de homenagear o pensamento. Que seria do ser humano sem esta característica tão particular como a capacidade de pensar?
...
Que seria de mim sem o pensamento?
Como daria forma ao meu mundo?
Perderia todo e qualquer encantamento.
Afundaria num buraco sem fundo.

Viveria numa tela pintada de branco,
Imóvel...sem vontade...sem desejos
Seria uma só nota num canto.

Que seria de mim sem o pensamento?
Seria uma pedra, sem cor ou feitio,
viveria num sono profundo, que tormento,
seria um mero coração solitário e sombrio.

Que seria de mim sem o pensamento?

de Maria Rosa Santos Alves, 9 de Novembro de 2011
Ler poema completo

Poemas

2

Canto do Lobos

Canto dos lobos que protegem a noite
Uivem no cimo do monte sagrado
Evoquem a fada celeste do universo
Elevem o divino da sua luz solene.
Surge agora, bela e exuberante,
Invadindo os espíritos delicados,
Usurpando os seus desejos mais íntimos
Procurando o amor que lhe é renegado.
Vampira dos sonhos mais castos,
Feiticeira de corações inocentes,
Lança encantamentos efémeros
Em busca de paixões passageiras.
Ergue-se em mitos e é desejada,
Puro feitiço quando crescente.
Amante misteriosa em lua cheia
Incerta modéstia em minguante.
Saciada em desejos mortais
Será por fim uma lua nova,
Renascendo de novos amores,
Sugando de castos corações,
Desejos, ambições e paixões.
596

Silêncio I

O tempo parece alongar-se nesta mudez,

Tornou-se uma rotina que afastou a vontade,

Vontade de encerrar os olhos e o dia,

Proibindo a alma de abalar do seu habitáculo,

O meu corpo.

Não tenho vontade de dormir, tenho sim,

Necessidade de sentir-te, auscultar-me em ti,

Silêncio.

Nesta ausência de frenesim, nesta ausência em tudo,

Hipnotizo-me em sonhos, pensamentos, criações

Que não são nada mais do que vontades,

Necessidade de ouvir-me com quietude.

Iniciou-se, iniciou-se o cansaço que leva à exaustão,

Adormece o corpo, mas não a alma.

São palavras e rodopiam entre si,

Ocupando-te, antes vazio, silêncio,

Agora repleto de sentimentos e juízos,

Embora ainda ausente de imagens.

Mergulhaste neste espaço, de rompante,

Cedendo à minha vontade de tranquilidade

E agora, que fazemos os dois?

Bailamos em segredo, trocamos vontades?

Sim, talvez ...talvez...

Dar-te-ei a visão de um mundo, onde não existes

E em troca ofereces-me a pausa, o descanso, a calma,

E a paz interior... se disso fores capaz.

Na verdade, silêncio, se és ausente de sons,

Porque te ouço com tanta exactidão?

513

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.