Sentimento martelado entre o preto e o branco Num teclado tão banal como as mãos que lhe tocam Reflectindo a alma grandiosa que se senta no banco Que tocando nota a nota liberta sensações que marcam.
Cordas que vibram tornando-se belas melodias Sob a forma de dedos esfuziantes e dançantes Ao comando de compassos e de grande euforia E assim surge aquela magnitude da sinfonia.
Ao de leve martela a corda que vibra livremente Assim como os pensamentos de quem ouve e sente Sons, sentires que impregnam o ar que se respira De quem reflecte calmaria ou uma grande ira.
Piano bem afinado pelo harmónico coração Reflexo de notas bem tocadas e em harmonia É pianista que comanda com grande paixão. Alma e corpo florescendo em sintonia.
de Maria Rosa dos Santos Alves, in "Palavras ao Vento - Oscilação dos Sentimentos"
Fixo o olhar sobre o mar Paraliso. Não há pensar, nem vibrar, Apenas paisagem. Barcos que parecem navegar, Uma imagem. Uma tela pintada, nada mais... Será miragem? Não me cheira a maresia, Não sinto o bater das ondas na areia, Mas o coração bate e anseia Nesta tela navegar.
Por Maria Rosa Santos Alves
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Solidão ao Luar
Invado a noite fria e quieta de andar estreito, Quebro o silêncio nostálgico desta escuridão Onde os sons evasivos são sombras do peito Quebrados por um poema desta dimensão.
Desafio o olhar triste que a lua me oferece Declamando-lhe um verso de amor perdido. Seu rosto encandeia-se à medida que cresce O desgosto da paixão que lhe é agora erguido.
E no silêncio nostálgico da escuridão, de ar melancólico responde baixinho: - Estou só, nunca soube o que é amar, Vivo aprisionada nestas noites vadias. Ouço os teus e mil outros desabafos, Ilumino a alma que me aclama e enlaça Pena é... ser breve o ensejo de quem passa.
de Maria Rosa dos Santos Alves
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Para onde vai o meu País?
Onde está o meu País? Aquele verde, verdejante Em esperança cantante. Onde está o meu País? Erguido num hino sonante, Elevando conquistas e vitórias. Onde está o meu País? Portugal trovado por Camões Já lá vai o tempo e são histórias. Portugal erguido sob canhões Coração de Homens em glória. Onde está o meu País? Agora, poema de desencanto, Saudoso dos mares velejados E gentes com almas desgastadas. Para onde vai o meu País?
Resta-nos o verde verdejante Manto real de esperança de outrora, Terra regada pelo sangue do meu sangue Onde jaz a vitória do povo do meu país. Ergue-se a vontade dos antepassados E a união das gentes que são gente Farão de novo, vitorioso, o meu País.
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Um segundo de paixão
Podia num suspiro teu, ler-te a sina Beijar-te em cada linha da tua mão. Sentir o pulsar do peito e a adrenalina Que escondes no fundo do teu coração.
Podia num suspiro teu, chamar-te minha Prometer-te num abraço terno, amor eterno. Sentir o pulsar do peito e a adrenalina Que ocultas com o gelo de um Inverno.
Podia num suspiro teu, sentir o teu alento Não fosse este jogo de sedução, um tormento Uma falsa chama nesta canção, o teu ardor, Um segundo de paixão, o desígnio do sonhador.
526
Mil Murmúrios de Vidas passadas
Tertúlia de pensamentos vagueia na noite Embriagam-me o escuro de recordações Seres de outrora que em mim são açoite E excitam um flagelo de evocações. Foram vidas de ontem, sepultadas Hoje, inconformadas, almas penadas Devaneiam nas mentes dos poetas Profetas de existências imperfeitas Segredam ao ouvido de quem escuta Mil murmúrios de vidas passadas Silêncios outrora escondidos na gruta Defendidos por guerreiros e espadas. Amores e Desamores controversos Actos meramente incompreendidos Desabafos que em silêncio definharam E em culpa, na escuridão findaram. Almas penadas que brindam no escuro Despejam pejos em cálices espirituais Erguendo-os ao vate de coração puro Ansiando pela remissão dos ancestrais.
Poema do livro "Palavras ao Vento - Oscilação dos Sentimentos" de Maria Rosa dos Santos Alves
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Fénix - Vida para além da morte
Quem me dera uma Fénix ser E a morte que é certa prever Renasceria sob uma chama ardente Num amanhecer cheio de esperança Uma nova vida para quem sente E o passado passa a lembrança. Não temer a morte. Não temer a extinção. Não pensar no além ou na sorte Que a alma sente com o coração. Nasci ontem e vivo no presente Amanhã abrirei a porte à morte E renascerei num novo dia. Serei a Fénix dos meus sonhos E renascer de grande esplendor. Ser livre e voar com asas luminosas Cumprimentar o sol que me ilumina E percorrer mundos, sem destino. De peito bem aberto e ao de leve Soprarei para quem me entende Um sopro de conforto, Um sopro de amizade, Um sopro em forma de beijo E que a paixão acenda o desejo De continuar a viver no presente. A amar quem me compreende Nesta coerência e incoerência De que a imortalidade será eterna De quem alma de Fénix veste Sob a pele nua que nos reveste A humildade de ser quem somos Numa vida para além da morte.
Maria Rosa dos Santos Alves
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Amar Novamente
A terra treme num suspiro imenso Mar sereno de pensamentos vadios Ar renovado com cheiro a incenso Retorno de sonhos até então vazios.
Nada supera o renascer do amar, em Odores florais de jardim proibido, Vaidade despida entre lençóis de cor é Arte de amar no seu crescente libido. Marcos que reforçam a nossa paixão Evitados pelo tempo, rugas do enfado, Norte perdido e reencontrado agora, então, Tentação abandonada, saudada e desejada. Ensejo de amar maltratado, agora revivido.