Maria alves

Maria alves

n. 1976 PT PT

n. 1976-10-03, Lisboa

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Pensamento I

Hoje, sinto a necessidade de homenagear o pensamento. Que seria do ser humano sem esta característica tão particular como a capacidade de pensar?
...
Que seria de mim sem o pensamento?
Como daria forma ao meu mundo?
Perderia todo e qualquer encantamento.
Afundaria num buraco sem fundo.

Viveria numa tela pintada de branco,
Imóvel...sem vontade...sem desejos
Seria uma só nota num canto.

Que seria de mim sem o pensamento?
Seria uma pedra, sem cor ou feitio,
viveria num sono profundo, que tormento,
seria um mero coração solitário e sombrio.

Que seria de mim sem o pensamento?

de Maria Rosa Santos Alves, 9 de Novembro de 2011
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Poemas

18

Tempo

Oh, tempo, que não tem tempo
Dá-me asas para voar
Oh, tempo, que não tem tempo
Deixa-me em ti esvoaçar
O tempo é exuberante
Não há força para o parar
E pelo seu ritmo cantante
Vou deixar-me assim, levar.
Ao tempo e com tempo
Pedi-lhe, então o meu tempo,
Tempo para nascer e viver
Até o meu ser desvanecer
Com as asas que o tempo me deu
Esvoacei ao meu compasso
Nele, aprendi passo a passo
O verdadeiro ser do meu "eu".
E assim no meu tempo e com tempo
Aprendi a ser amado e amar
No meu tempo e com tempo
Tive momentos para saudar.
Obrigado
Ao tempo que não tem tempo
Pelo meu tempo que tem tempo.

de Maria Rosa dos Santos Alves, in "Palavras ao Vento - Oscilação dos Sentimentos"
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Breve Pausa



Fixo o olhar sobre o mar
Paraliso.
Não há pensar, nem vibrar,
Apenas paisagem.
Barcos que parecem navegar,
Uma imagem.
Uma tela pintada, nada mais...
Será miragem?
Não me cheira a maresia,
Não sinto o bater das ondas na areia,
Mas o coração bate e anseia
Nesta tela navegar.

Por Maria Rosa Santos Alves
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Solidão ao Luar


Invado a noite fria e quieta de andar estreito,
Quebro o silêncio nostálgico desta escuridão
Onde os sons evasivos são sombras do peito
Quebrados por um poema desta dimensão.

Desafio o olhar triste que a lua me oferece
Declamando-lhe um verso de amor perdido.
Seu rosto encandeia-se à medida que cresce
O desgosto da paixão que lhe é agora erguido.

E no silêncio nostálgico da escuridão,
de ar melancólico responde baixinho:
- Estou só, nunca soube o que é amar,
Vivo aprisionada nestas noites vadias.
Ouço os teus e mil outros desabafos,
Ilumino a alma que me aclama e enlaça
Pena é... ser breve o ensejo de quem passa.

de Maria Rosa dos Santos Alves
1 678

Para onde vai o meu País?

Onde está o meu País?
Aquele verde, verdejante
Em esperança cantante.
Onde está o meu País?
Erguido num hino sonante,
Elevando conquistas e vitórias.
Onde está o meu País?
Portugal trovado por Camões
Já lá vai o tempo e são histórias.
Portugal erguido sob canhões
Coração de Homens em glória.
Onde está o meu País?
Agora, poema de desencanto,
Saudoso dos mares velejados
E gentes com almas desgastadas.
Para onde vai o meu País?

Resta-nos o verde verdejante
Manto real de esperança de outrora,
Terra regada pelo sangue do meu sangue
Onde jaz a vitória do povo do meu país.
Ergue-se a vontade dos antepassados
E a união das gentes que são gente
Farão de novo, vitorioso, o meu País.
967

Um segundo de paixão

Podia num suspiro teu, ler-te a sina
Beijar-te em cada linha da tua mão.
Sentir o pulsar do peito e a adrenalina
Que escondes no fundo do teu coração.

Podia num suspiro teu, chamar-te minha
Prometer-te num abraço terno, amor eterno.
Sentir o pulsar do peito e a adrenalina
Que ocultas com o gelo de um Inverno.

Podia num suspiro teu, sentir o teu alento
Não fosse este jogo de sedução, um tormento
Uma falsa chama nesta canção, o teu ardor,
Um segundo de paixão, o desígnio do sonhador.
523

Mil Murmúrios de Vidas passadas

Tertúlia de pensamentos vagueia na noite
Embriagam-me o escuro de recordações
Seres de outrora que em mim são açoite
E excitam um flagelo de evocações.
Foram vidas de ontem, sepultadas
Hoje, inconformadas, almas penadas
Devaneiam nas mentes dos poetas
Profetas de existências imperfeitas
Segredam ao ouvido de quem escuta
Mil murmúrios de vidas passadas
Silêncios outrora escondidos na gruta
Defendidos por guerreiros e espadas.
Amores e Desamores controversos
Actos meramente incompreendidos
Desabafos que em silêncio definharam
E em culpa, na escuridão findaram.
Almas penadas que brindam no escuro
Despejam pejos em cálices espirituais
Erguendo-os ao vate de coração puro
Ansiando pela remissão dos ancestrais.

Poema do livro "Palavras ao Vento - Oscilação dos Sentimentos"
de Maria Rosa dos Santos Alves
1 705

Fénix - Vida para além da morte

Quem me dera uma Fénix ser
E a morte que é certa prever
Renasceria sob uma chama ardente
Num amanhecer cheio de esperança
Uma nova vida para quem sente
E o passado passa a lembrança.
Não temer a morte.
Não temer a extinção.
Não pensar no além ou na sorte
Que a alma sente com o coração.
Nasci ontem e vivo no presente
Amanhã abrirei a porte à morte
E renascerei num novo dia.
Serei a Fénix dos meus sonhos
E renascer de grande esplendor.
Ser livre e voar com asas luminosas
Cumprimentar o sol que me ilumina
E percorrer mundos, sem destino.
De peito bem aberto e ao de leve
Soprarei para quem me entende
Um sopro de conforto,
Um sopro de amizade,
Um sopro em forma de beijo
E que a paixão acenda o desejo
De continuar a viver no presente.
A amar quem me compreende
Nesta coerência e incoerência
De que a imortalidade será eterna
De quem alma de Fénix veste
Sob a pele nua que nos reveste
A humildade de ser quem somos
Numa vida para além da morte.

Maria Rosa dos Santos Alves
748

Amar Novamente


A terra treme num suspiro imenso
Mar sereno de pensamentos vadios
Ar renovado com cheiro a incenso
Retorno de sonhos até então vazios.

Nada supera o renascer do amar, em
Odores florais de jardim proibido,
Vaidade despida entre lençóis de cor é
Arte de amar no seu crescente libido.
Marcos que reforçam a nossa paixão
Evitados pelo tempo, rugas do enfado,
Norte perdido e reencontrado agora, então,
Tentação abandonada, saudada e desejada.
Ensejo de amar maltratado, agora revivido.

de Maria Rosa dos Santos Alves
719

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