Lista de Poemas

A NATUREZA

Olho vislumbrada a natureza através da vidraça!
O pensamento rodopia exuberante,
O vento assobia e sopra… e, as plantas mostram o seu ar de graça,
Fixo as árvores num vacilar dos ramos,
O esvoaçar das aves galantes, elevando o canto,
Na paleta de cores… que cercam o horizonte,
Escorrem as gotas de água, alimento e pranto,
Da chuva intensa que se vai esgotando!

No astro, o arco íris desce à terra como um manto,
E o sol espreita a iluminar as nascentes,
Feitiço emaranhado no campo,
Um despertar de sons místicos de águas correntes!

Viajam seres caminhantes, arquitetos de traços,
Desvirtuados de gosto,
Que ferem a beleza, causam embaraços!
Ao saciar dos olhos… baços

Mas a natureza se incumbe de criar,
E a lente espelhada dos olhos a mirar,
Surpreende os sentidos sempre a divagar!
Maria Antonieta Matos 18-04-2015

456

SOU PEDRA… ROCHEDO!

Cortaram-me as asas,
Deixei de voar,
E o meu ar de graça,
Fechou-se a chorar!
Cortaram-me a raiz,
Deixei de florir,
Sinto-me infeliz,
Incapaz de sorrir!
Cortaram-me o ar,
Sinto uma aflição,
Deixei de respirar,
Ai o meu coração!
Cortaram-me o pensamento,
Deixei de agir,
Sou cabeça de vento,
Não tenho sentir!
Sou pedra… rochedo,
Que ao toque não mexe,
Sou fruto do medo,
Que ainda permanece!
Maria Antonieta Matos, 29-04-2015

393

ALENTEJO

Alentejo da minh’ alma

Muito se fala de ti

Depreciando a calma

Como uma erva ruim


Penso que é a inveja

Que muito, os faz falar

Não conhecem tua grandeza

No pensamento a trovar


Se te vissem com os meus olhos

Ficavam tão deslumbrados

Que eternamente seriam

Do sossego apaixonados


Bem no meio da natureza

De olhos fechados a ouvir

Entranha paz e a leveza

No coração o sentir


Alentejo… luz, perfume,melodia…

Desabrochar da sua gente

Trovas que embalam o dia

Ao ritmo de vozes diferentes


Alentejo veste-se de olhares

Já não passa despercebido

Vai pelo mundo a cantar

Alentejo desmedido


A terra domina o sonho

Transpira o povo d’ emoção

Flui a mente e o ar risonho

Bate mais o coração


06-02-2015 Maria Antonieta Matos

408

MAUS TRATOS

Véu tombando p'la face, na penumbra,

A beleza confunde a silenciosa solidão,

O desprezo consentido, não vislumbra,

O prazer do amor, a cadeado, sem coração.

Trancados no conceito de felicidade

No esfriamento intocável do seu par

Vivem em túmulos, a sonhar, sem liberdade

Na mais estranha forma de gostar

Afugenta-se o desejo, p'lo ciúme

Cai a máscara na cegueira fulminante

Solta-se o ódio desvairado e o azedume.

E na perplexidade inconstante

No meio de estouros e queixumes

Caminha repousante o "inocente".

17-02-2015 Maria Antonieta Matos

422

ALENTEJO A CANTAR

Enquanto as mãos labutam, a sua mente

Entranha os momentos reveladores

Que descrevem 'estórias' de muita gente

Ensinamentos procurados por doutores


Quando o dia amanhece no Alentejo

Tantas agruras se passaram pelo campo

Homens, mulheres corajosos, nesse festejo

Relatam o sentir, a compasso, todo o encanto


Quando a tarde surge em dia quente

O corpo enfadado cai sonolento

Mas quando à noite se reúnem alegremente

Entoam cantigas naturais do pensamento


Quando no inverno o frio aperta e dói

A azáfama fricciona o corpo gelado

O calor transpira os poros… a vida mói

Mas o dia se agiganta num tom bem afinado


No silêncio apaziguador são trovadores

Semeando palavras de amor

Da terra são cientistas sonhadores

Do tempo têm olhar descobridor


05-02-2015 Maria Antonieta Matos

394

AVISTO... O MEU ALENTEJO!

Avisto a grandeza da planície

No meu Alentejo!

A simplicidade... que aos olhos encanta,

A serenidade da gente, a voz que se levanta,

A aspereza das mãos...

o silêncio que tudo movimenta!


Avisto os rios e os lagos,

Os olivais e sobreiros,

Os montes e tanto gado,

Pastando o dia inteiro.


Avisto e ouço o chilrear do passarinho,

A queda das águas descendo,

Vem o sonho devagarinho.


Avisto nos galhos das árvores, o sussurrar,

O dormitar...., o amar,

Traços no céu esvoaçando.


Avisto o solo alagado,

O fumegar do bafo,

O bafo do campo gelado,

a chuva a desabar tão forte,

o telintar... esse toque...,

O tição... a brasa quente,

O amornar que se sente!


Avisto o verão ardente... calado,

O sono tão incontrolado,

O solo dourado,queimado.


Avisto a cor da primavera,

O renascer da quimera,

A luz que brilha na terra.


Avisto o Outono tão belo,

Verde, laranja,amarelo,

espelhos de água a refletir,

pinturas … a emergir,


Avisto alabaças e acelgas,

Os poejos perfumados,

Óregãos e beldroegas,

Os espargos e saramagos.


Saindo na terra gretada,

Os cogumelos discretos,

Por caminhos rudes... dispersos.


Tantos cheios e sabores

povoando a extensa paisagem,

Nas iluminadas e lindas cores

Provocadoras de imagem.


Avisto o galo a cantar

Por cima do galinheiro,

A ovelha a berrar,

E o autoritário carneiro.


Avisto o restolhar dos seres,

pelo campo a rastejar,

Entre medos e prazeres,

Nas belas noites de luar


Avisto o nascer do sol,

Esse reluzir incandescente

Que replica a poente

E pasma o sentir, da gente


Alentejo com sotaque

Que despertas humoristas

Tanta gente a invejar-te

Pela calma que lhe suscitas

392

SOLIDARIEDADE

O mundo em constante viragem, exige do ser humano uma permanente adaptação, de tal forma que, muitos não conseguem ultrapassar as dificuldades, pelos variados fatores e diferenças!

Muitas famílias vivem sem o mínimo de conforto e subsistência, isoladas da sociedade!
Pela sua insegurança, sem forças para lutar, perante a enorme carga, assiste-se a uma degradação e desinteresse pela vida, que choca e revolta os mais sensíveis!
Atentos a tudo quando nos rodeia, de alma e coração, nas mãos, muitas pessoas partilham com sabedoria, os meios que têm ao seu alcance, para fazer os outros felizes!
A solidariedade surge como uma nova luz de esperança, de confiança e de oportunidade para um novo começo... mais digno!
Solidariedade sente-se como o acordar mágico “Ao encontro de um abraço”.
Bem hajam, os abraços solidários!!!

Maria Antonieta Matos
06-01-2015

500

MÃOS SOLIDÁRIAS

Segredos têm na alma,

Escondidos num escuro, imenso,

A sua boca nada fala,

Sofrendo silêncio, intenso.


Solidão amarga, fome, dor, desprezo,

Um sem fim de almas penadas,

Têm a vida do avesso,

Vivem de portas fechadas.


Tudo dão sem nada em troca,

Do que têm ao seu alcance,

Sorriem para quem os provoca!


Outros, sem sangue nas veias,

Gritando os feitos bem alto,

Escondem em falsas entremeias,

Puros rasgos...do asfalto.


Fugindo à regra existem...!

Pessoas cheias de luz,

Desvendando cada segredo,

Aliviando a sua cruz.


Mãos solidárias, criativas,

despidas de preconceito,

vão à luta derretidas,

Pondo a alma sempre a jeito!

446

EU GOSTO...!

Quando os teus olhos tocam os meus

Soltam-se os rios no meu corpo

Correndo frenéticos rumo aos teus

Desencadeando fantasias, jubilosos piropos


Ah! Como dançam nossos corpos cálidos

Cegos de paixão, sequiosos de desejo

De nuvens cobertos, em concha aninhados

No brilho das estrelas, no céu em festejo


Eu gosto de te sentir tão meigo

quando nós dois caminhamos como um todo

Que tudo à volta é magia e os teus beijos

São perfumes que inalo e sabores que almejo


Eu gosto de ouvir tua voz

de sentir o som dos teus passos

Dos momentos enamorados a sós

Da ternura dos abraços


Eu gosto da tua ousadia ... de expressão

Dos trocadilhos que lhe fazes

Da sensibilidade da emoção

De amares ... e não esqueceres as amizades


04-12-2014 Maria Antonieta Matos

349

FELICIDADE...?

Ah! Felicidade que te afastas,
Pela vida rude... deste mundo,
Que a todo o tempo te mata,
Sem sentir o amor profundo

Fomenta-se a triste calúnia,
Em detrimento da felicidade,
Glorificando mais a injúria,
Sem consciência da verdade!

Ah! Se o amor fosse mais justo?
Nunca haveria atropelos!
Nem o caminho era escuso!

Morra a intriga e a vingança!
E o infame pesadelo!
Nasça de novo a bonança!

23-11-2014 Maria Antonieta Matos
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Comentários (2)

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namastibet

obrigado por me ler

Val
Val

Gostei , escreves bem :)

Maria Antonieta Rosado Mira Valentim de Matos - MARIA ANTONIETA MATOS, nasceu em 1949 em Terena, Concelho de Alandroal e reside em Évora, Alentejo, Portugal Aposentada da Função Pública
Editou o livro “ Visita à Aldeia da Terra” através de Edições Poejo, baseado e inspirado na Aldeia de esculturas em barro e cimento, sita em Arraiolos, livro de quadras e fotografias personalizadas na atividade e profissões da aldeia, apoiada pela junta de freguesia de Arraiolos. Fez apresentação do livro em escolas e Bibliotecas Municipais para crianças do jardim-de-infância, escola básica e séniores. Colabora em vários grupos de poesia e blogs.
Editou o livro "OLHARES RITMADOS - Nada Sou... Mais Do Que Eu", em 2022
Participação em Coletâneas: “Poetizar Monsaraz - Vol I” “Poetizar Monsaraz Vol II” “Nós Poetas Editamos V” “Nós Poetas Editamos VI” “Sentir D’um Poeta” “Eternamente Poeta” “Poesia sem Gavetas Parte III” “Poemário 2015” “Conto de Poetas Parte III” “Amor Eterno” \"Poemário 2016\" \"Apenas Saudade\" \" Fusão de Sentires\" \"Poemário 2017\" \"Mais Mulher\" \"Perdidamente II\" - Autores Edição - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Sopro de Poesia\" - Autores Edição Orquídea Edições - Grupo Múltiplas Histórias \"Poesia a Cores\" - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Dança das Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Poesia com Reticências (...) - Pastelaria Studios Editora \"Poemário 2018\" - Pastelaria Studios \"Cascata de Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Perdidamente Vol. III\" - Poem' Art - Grupo Literário Amigos - " Delírios de Verão"  - Delírios de Outono" "Poesia na Escola"  Verso & Prosa 

https://tradestories.pt/maria-matos/livro/visita-aldeia-da-terra