Lista de Poemas

POR UM DIA...

Do meu amor sinto saudade,

Quando se ausenta por um dia,

Tenho o coração p'la metade,

Sou como um anjo que o guia.


O pensamento a caminhar,

Imaginando os seus passos,

Vamos os dois a levitar,

Aos beijinhos e aos abraços.


Fala mais alto o silêncio,

Incendiando o gelo inseguro,

Libertando o amor puro!


E assim num só raciocínio,

Na ausência e no destino,

Namorar sentir divino!


09-11-2014 Maria Antonieta Matos

414

CEIFEIRA DO ALENTEJO

Oh! Évora do Alentejo!

Sigo-te de longe a pensar,

E neste anseio de desejo,

Não resisto sem te sonhar.


Rodopia o lápis na tela,

Criando tudo o que vejo,

Escrevo-te a pintar a mais bela,

Ceifeira do Alentejo.


Imagino cada encanto,

Vou pincelando a sorrir,

Na sonoridade me espanto,

Sentindo a obra a surgir.


Desenhando a sua Praça,

Sala que abraça a cidade

Sento a ceifeira com graça

No auge da hospitalidade


Maria Antonieta Matos/04-11-2014

404

MÁSCARAS

Diz mal do trato que te faço,

Da sombra, sente ciúme,

Prende-me com um curto laço,

Trata-me com azedume!


Diz que me amas, nessa cegueira,

Alimenta o teu estigma doentio,

Faz-me acreditar que é passageira,

E não mudes esse teu mau feitio!


Zomba de mim, que me aquieto,

Repete!.... - O que faço, nada é prolífico,

Que já nasci sem horizontes e, por aqui fico,

E estagnarei na água podre, como um dejeto!


Muda de face, conforme o plano que te dá jeito,

Que eu moribunda e serena tudo aceito,

Como uma tola, que eternamente deve respeito!


Mede a distância que de mim tem, o teu olhar,

Esfria o afeto que ainda tenho, para te dar,

Que tarde ou nunca,

quando me quiseres,

me vás achar!

396

A DOR

Minha ânsia parte pr' além do meu pulsar,

Meu coração não cabe dentro do peito,

Os olhos são como punhos a chorar,

Dou voltas e mais voltas, na cama onde me deito!


A dor nasce espinhosa, atormentando,

O pensamento incendiado a fervilhar,

A cabeça mais complica todo este estado,

Que mais parece a morte a querer vingar!


Mas como sofre tanta gente na solidão,

Que nem um ai … entoa tanto vazio,

Nem uma alma caridosa lhe estende a mão!


Tanta dor que abarca o medo da insegurança,

Do condenado injustiçado p'lo carrasco frio,

Apavorando a mente até à morte, sem ter esperança!


18-11-2014 Maria Antonieta Matos

523

DESOLADA

Desolada, faltam-me argumentos!

Inquietam-se os nervos, sinto ansiedade,
A memória não chega ao pensamento,
E eis um vazio... um querer sem vontade!


No escuro procuro ... agito os sentidos,
Interiorizo a biblioteca, desorganizada
E acendem-se as luzes, soltam-se fluidos,
Rasgando as fronteiras do nada.


Emerge a escrita nesta invenção,

Sentimentos de alma e coração,

Eternizando o cântico, em tudo ou nada.


Os palcos dão a expressão e entusiasmo,

Com lucidez, humor ou sarcasmo,

Provocadores de tristeza ou risada.


Maria Antonieta Matos 11-10-2014

Pintura do meu amigo Costa Araújo


413

AMANHÃ O DIA ...

Amanhã o dia, já não será igual,

Como tantos outros, por muitos anos já passados,

Muda o pensar, mudo eu e, mudas tu o visual,

Perpetuará a história das cidades e dos estados!

Amanhã o dia, será cheio de emoções,

O tempo muda, nasce uma flor, surge um amor,

Sucumbe e nasce cada ser vivo e as estações,

Sempre na esperança que amanhã seja melhor.

Amanhã o dia, nascerá livre e cantando,

Sem amarras, como um passarinho alegre, voando,

Na estreita paz, os amantes feiticeiros de fulgor.

Amanhã o dia, não mais nascerá rude,

Porque hoje já fiz tudo quando pude,

Para que amanhã seja o dia de esplendor.

20-10-2014 Maria Antonieta Matos

511

SUBI AO ALTO DA MONTANHA

Subi ao alto da montanha

Sucumbindo de tristeza,

Dos meus olhos caíam lágrimas

Falei com a alma mais estranha

E contei-lhe as minhas mágoas


Ignorou o que contei

E eu sentida mais chorava

Tinha o mundo a meus pés

Mas o mundo não enxergava


Cansada da indiferença

Vi um esplendor de beleza

Estava só em mim suspensa

E quis superar toda a tristeza


Mas vi tanto desalento

uma infinita demência

Gente pobre sem sustento

E em delírios a ganância


Atropelos, muita vaidade

Gente que está de partida

desolada desprotegida

Sem nenhuma alternativa

Ouvi que nasçam crianças!

Enquanto açoitam os pais

E vi muitas de mudança

E eram pequenas demais!


Vi quem tinha vida estável

Uma família, um teto

E quem sem dó irreparável

Separa os membros afetos


Subi aoalto da montanha

Sucumbindode tristeza

E vitanta coisa estranha

Só me alegrou a natureza.


Maria Antonieta Matos 05-10-2014

699

MONSARAZ

Monsaraz vila lindíssima

Tudo se vê ao redor,

É arte para o artista

Deslumbramento maior.


Ao olhar aqueles campos

Lá do alto surpreende,

E faz bater o coração

O Alqueva dali distante.


Parece estar ali à mão

Vê-se todo o horizonte,

Como se estivesse no céu.


O olhar descobre as pontes

E admira os lindos montes,

É uma dádiva de Deus.

Maria Antonieta Matos
In 'Poetizar Monsaraz Vol. I'

425

MONSARAZ TEM A SEUS PÉS

Avisto terras de Espanha

Um horizonte sem igual

O Alqueva que abraça e entranha

Belas vilas de Portugal


Fascínio para os artistas

Pintores,poetas, escritores

Um encanto para os turistas

Um recanto para os amores


Monsaraz tem a seus pés

Natureza inspiradora

As cores, os sons e até

Tranquilidade apaziguadora


Maria Antonieta Matos

In 'Poetizar Monsaraz Vol I'


454

O BRILHO DE UM CLIQUE

Briosas flores luminosas, embalando o sonho pairando no ar,

No aconchego, cânticos resvalam esculpindo a paisagem,

A sonoridade e odores embriagam os sentidos a desvairar,

Na grandeza do céu azul que as nuvens o pincelam, de passagem.

Monsaraz feiticeira, retina contempladora de olhares,

Farol, proliferando os tons, os dons e os sentimentos,

Decifrando mistério do encanto, enamorando os pares,

Ficando a saudade de quem por ti passa, íntimos momentos.


No alto, imponente fortaleza mantendo o vigor através do tempo!

Te rodeiam casas branquinhas agarrando a estrutura e graciosidade!

Desejo da gente hospitaleira, embevecida de agrados e generosidade.


Ladeando os muros, desencadeias sublimes pinturas ao sabor do vento!

Os cliques dos retratos sucedem em cada dia para o mundo conhecer!

Na memória guardas o saber e o anseio de quem contigo quer aprender.


Maria Antonieta Matos
In' Poetizar Monsaraz Vol. II'

432

Comentários (2)

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namastibet

obrigado por me ler

Val
Val

Gostei , escreves bem :)

Maria Antonieta Rosado Mira Valentim de Matos - MARIA ANTONIETA MATOS, nasceu em 1949 em Terena, Concelho de Alandroal e reside em Évora, Alentejo, Portugal Aposentada da Função Pública
Editou o livro “ Visita à Aldeia da Terra” através de Edições Poejo, baseado e inspirado na Aldeia de esculturas em barro e cimento, sita em Arraiolos, livro de quadras e fotografias personalizadas na atividade e profissões da aldeia, apoiada pela junta de freguesia de Arraiolos. Fez apresentação do livro em escolas e Bibliotecas Municipais para crianças do jardim-de-infância, escola básica e séniores. Colabora em vários grupos de poesia e blogs.
Editou o livro "OLHARES RITMADOS - Nada Sou... Mais Do Que Eu", em 2022
Participação em Coletâneas: “Poetizar Monsaraz - Vol I” “Poetizar Monsaraz Vol II” “Nós Poetas Editamos V” “Nós Poetas Editamos VI” “Sentir D’um Poeta” “Eternamente Poeta” “Poesia sem Gavetas Parte III” “Poemário 2015” “Conto de Poetas Parte III” “Amor Eterno” \"Poemário 2016\" \"Apenas Saudade\" \" Fusão de Sentires\" \"Poemário 2017\" \"Mais Mulher\" \"Perdidamente II\" - Autores Edição - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Sopro de Poesia\" - Autores Edição Orquídea Edições - Grupo Múltiplas Histórias \"Poesia a Cores\" - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Dança das Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Poesia com Reticências (...) - Pastelaria Studios Editora \"Poemário 2018\" - Pastelaria Studios \"Cascata de Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Perdidamente Vol. III\" - Poem' Art - Grupo Literário Amigos - " Delírios de Verão"  - Delírios de Outono" "Poesia na Escola"  Verso & Prosa 

https://tradestories.pt/maria-matos/livro/visita-aldeia-da-terra