Sou um ser humano em constante construção. Me sinto parte da natureza e a ela vinculada no sentido material e imaterial. Gosto de lidar com as palavras construindo e desconstruindo castelos. Portanto, escrevo como um exercício de compreensão de mim e do mundo.
Sou um ser humano em constante construção. Me sinto parte da natureza e a ela vinculada no sentido material e imaterial. Gosto de lidar com as palavras construindo e desconstruindo castelos. Portanto, escrevo como um exercício de compreensão de mim e do mundo. Além de escrever e ler gosto de cinema, de música e de praticar jardinagem. Sou mãe e essa é uma experiência de vida que me fascina e desafia permanentemente. https://www.facebook.com/faatimarodrigues [email protected]
Maria contou uma história tão tristinha ! No enredo da Maria as fadas não viajavam
As fadas habitavam somente os castelos reais
Tereza contou uma história fantasiosa muitos tesouros existiam em sua história
Os tesouros foram deixados num Castelo de Caça no Vale do Loire
Joaquim conta que Severino amava uma princesa linda e misteriosa mas ela não podia ver ninguém
A bela princesa vivia isolada na torre do Castelo de Marfim
As histórias de Maria, Tereza e Joaquim estavam num livro tão gasto nas bordas e tão amarelado que Maria, Tereza e Joaquim ao lê-lo seguravam-no com muito cuidado para não desfolhá-lo
Estórias de livros assim sobrevividos são contadas por muitas marias, terezas e Joaquins, como a do enredo da Donzela Teodora, impressa e divulgada em folhetos e em Folhetins, espalhados nas feiras livres e narradas ao vento pelo mundo afora.
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Círculo amoroso
Os teus abraços são circunferências que me acolhem tão docemente e de tal modo a fazer-me crer que o tempo é só nosso. Ao cruzarmos o olhar atravessas o meu continente percorres trilhas e adentras as madrugadas livres a envolver-me o corpo. Lembrá-lo assim tão amoroso me põe aconchegada a essa força infinda que nos mantém em uníssono nessa travessia. Fátima Rodrigues Em 23 de julho de 2020
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UniVerso e Reverso
Da janela te sigo na cidade mas a tua paisagem se esconde e além do horizonte se esvai
Passam os carros Passam as tropas Passa o clérigo Até os impérios se esvaem Tudo passa Só o universo é infinito e se refaz. 20 de julho de 2020.
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Haicai
Ela saiu na porta E o viu na contramão Uberização ?
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Carta aos desafetos
Soube por terceiros que me vês de um jeito obtuso. Sobre isso nada tenho a dizer. O olhar é teu. Eu também tenho o meu sobre as pessoas e o mundo. Sou um ser humano como tantos outros à deriva de olhares generosos, críticos e, por vezes, tolos assim como o teu. Em mim não há qualquer esforço em parecer a ti nem a ninguém diferente do que sou. O teu jeito de me ver não tem qualquer importância, pois, em razão das nossas incompatibilidades, julgo melhor mantermos o distanciamento. Contudo te asseguro que ao tomar distância de pessoas inconvenientes o faço em respeito ao que sou, e nesse gesto existe um egoísmo que é guiado por uma espécie de intuição, que me sopra aos ouvidos, clamando por precaução e paz. A vida, como a entendo e aprecio, exige partilha. Desconheces esse valor. Demanda também respeito, fraternidade e lealdade, e isso não faz parte do teu cabedal de valores. Não consegues enxergar o essencial, no sentido posto por Saint-Exupéry. Esse atributo é invisível aos olhos das aves de rapina, visto que dirigem o olhar a um só objetivo, a sua satisfação imediata, e para isso guardam toda a sua acuidez visual e auditiva. O essencial exige uma ausculta ao coração. Sem ética não é possível ter essa sensibilidade para o essencial. Sigamos nossas estradas. Elas nos levarão ao nosso próprio encontro, e a constatação do que somos, disso não há como fugirmos. Como bem disse Hamlet: "ser ou não ser, eis a questão". Ficas com teu fardo que dos meus eu já me livrei.
Fátima Rodrigues Em julho de 2014
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Tropeços de nós
Tropeços com as palavras nos assustam e nos compõem O pensamento que nos parece liberto num lapso freia Estarrece bruscamente E eis que aquela eloquência se embaraça na mente O chão move-se As certezas desmoronam Nos reviramos ao avesso para dar conta de algo que nos parece a morte O pensamento aniquilado navega em águas turvas Recolhe-se na escuridão Como salvá-lo de tantas sandices? Pensar, pensar, pensar? Saem faiscas desse hiato situado entre a fala e o silêncio Há em nós algo que nos une e nos separa, em fragmentos Desde a Grécia Antiga O pensar se revela em abstrações e epistemes O todo e a parte o ser e o outro A matéria e as representações E nós? Como juntarmos esses pedaços a nós somados em idealizações? Qual é a verdade? A nossa verdade? O tempo de cada um trará respostas Aos que se permitirem Melhor é não ser !
João pessoa, 22 de maio de 2020.
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Metáforas da porta
Em nova temporada fechada para cidadãos Aberta para o massacre indígena Cerrada para os direitos humanos Escancarada para verbas de bancada Abriu-te oh ! sésamo ! para quantos ladrões ?
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Nudez
. Em pesadelo Andei nua ruas afora Num vexame que só eu vi
Me desconcertei Me envergonhei Me intimidei
Tentei ocultar a despercebida cena que a mim expunha
Posto que ninguém viu preciso contar o que senti?
Tudo em vão! A nudez oculta é minha E a imaginação é sua.
Em 24 de julho de 2020
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Modos de ver o sol
Ultrapassou a visão se pôs no horizonte descansou
Entrou em casa Refletiu Ensolarou A vegetação secou
Ausentou-se todo o dia Nublou A fotossintese tardou
Pousou sobre o mar Brilhou O casal se enamorou
Chegou atrasado Protelou O enlace falhou
Cobriu o asfalto Exalou O carro esquentou
Aqueceu a água Bafejou A criançada festejou
Demorou na Antártida Descongelou O mundo se apavorou!
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Licenças do viver
Na minha bagagem ? Não quero malas, bolsas pesadas nem armário cheios Nenhum fardo! Para que acumular coisas se carrego os sentimentos do mundo? Meu patrimônio ? Coleciono mudas e sementes para doar em tempos de semeadura Guardo paisagens vividas e rememoro-as Leio livros e convivo com os seus temas e personagens Duas pessoas habitaram o meu útero e moram em minha imaginação Celebro cada dia vivido, cada afeto doado e recebido Os sabores que manejo e degusto me reintegram O viver pede passagem Sem pesos! Em 11 de julho de 2020