matheuscardoso

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Outono

Um dia estarei debaixo da terra
abraçado com meus sonhos
enterrado sem amores
e com um ou dois dentes
que me bastam

nada falam,
mas muito já disseram.
as frases desconexas
e os suspiros de genialidade
que tive - os poucos -
tornar-se-ão fotografias

os bêbados do centro
da cidade continuarão
nos bares, fumando e
contando histórias

os boêmios da zona sul
continuarão cantando suas
músicas e declamando seus
poemas em frente ao mar,
que continuará sempre azul

e eu, sob a fria terra,
estarei de castigo eterno,
sendo devorado por vermes
dos quais eu tenho nojo,
sem poder fazer nada.
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Poemas

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Outono

Um dia estarei debaixo da terra
abraçado com meus sonhos
enterrado sem amores
e com um ou dois dentes
que me bastam

nada falam,
mas muito já disseram.
as frases desconexas
e os suspiros de genialidade
que tive - os poucos -
tornar-se-ão fotografias

os bêbados do centro
da cidade continuarão
nos bares, fumando e
contando histórias

os boêmios da zona sul
continuarão cantando suas
músicas e declamando seus
poemas em frente ao mar,
que continuará sempre azul

e eu, sob a fria terra,
estarei de castigo eterno,
sendo devorado por vermes
dos quais eu tenho nojo,
sem poder fazer nada.
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Rosa morta

Masca
Rasga
Corta
Rosa
Morta
Que é
O amor

Pulsa corante
Vermelho vibrante
Avante
Os barcos de sangue
Pelos tabernáculos
Do meu coração.
Tão vasto, tão inútil
Amor sempre sempre fútil

Água mole
Pedra dura
Tanto bate e
Não te fura
Bate tanto o trovador
Em versos e cantigas de amor
Que nada dura

Fura o barco afunda
O barco pega o arco e
Flecha a árvore em que
Os namoradinhos de infância
Talharam seus nomes - tadinhos -

A luz no fim do túnel
Era um trem mesmo,
Com seu vagão soterrando
A poesia do meu coração

Engole e cospe a alma
E perde a calma e bate palma
Pros amantes que nunca foram amantes

E martiriza os poetas
Com seus cabelos escorridos
E com sua obsessão pela lua
(Ah! Mal eles sabem como é
A maldição de conseguir conversar
Com meu coração)

A rosa morta
Que é o amor
Masca
Rasga
E corta.
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