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Sonho

Pela última vez, pelo fim do dia,
Queria deitar-me e, nesse meu leito
de angustia e devaneios, ver se caía 
entre as mãos cabelos de um ser perfeito!

Acariciá-los como se fossem
teus seios, tocar e sentir seu cheiro,
para nunca me esquecer por inteiro
Que as joias de Deus tive mais de cem!

Formar entre eles um redemoinho,
Para entre suas voltas perder-me
até o sonho em que estamos sempre a sós.

De onde só volto a lembrar o caminho
ao ver que, em saudades, você me chame,
Assim como Dorothy voltou de Oz!.
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Poemas

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Sonho

Pela última vez, pelo fim do dia,
Queria deitar-me e, nesse meu leito
de angustia e devaneios, ver se caía 
entre as mãos cabelos de um ser perfeito!

Acariciá-los como se fossem
teus seios, tocar e sentir seu cheiro,
para nunca me esquecer por inteiro
Que as joias de Deus tive mais de cem!

Formar entre eles um redemoinho,
Para entre suas voltas perder-me
até o sonho em que estamos sempre a sós.

De onde só volto a lembrar o caminho
ao ver que, em saudades, você me chame,
Assim como Dorothy voltou de Oz!.
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CORPO E SANGUE

Como algodão a passar no firmamento
Das alturas, em diferentes passos 
Vão andando as nuvens num brilho cinzento;
Caminham sem se importar com atrasos.

Penso que o destino de tal atento
Vagar pela noite esteja esperando,
Paciente, com o idêntico intento
Da cria perdida que aguarda o bando.

Sobre as nuvens, uma tela ao relento;
A base em azul, feita como esboço,
Parece o primeiro passo de um lento
Trabalho em estilo harmonioso.

E o celeste esteta, ao ver no momento 
Da perfeição a beleza de seu apuro,
Une corpo e sangue ao meu olhar sedento
Na hóstia em lua cheia ao vinho em céu escuro.
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Quereres

O QUE QUERO (Ode aos grilhões) 

Seus belos olhos negros
Negros como os cachos de teus cabelos
Negros que libertaram dos grilhões
Meu espírito de cativo ao vê-los

Mas mal ouvi os cantos de alforria
Encontrei-me ali noutra galé
à minha espera, ainda mais cativante:
Teu riso, feitiço encantado de Salomé.

E como em hipnose da esbelta dançarina
a tudo entregaria em seus pedidos,
o único não que lhe daria:
Me ver livre das correntes desses lábios vívidos

Seria com agrado deles cativo;
Em sua homenagem ergueria o altar 
a que diuturno retornaria
cada vez mais feliz por me agrilhoar.

E não haveriam súplicas aos céus
de arrependimento ou temor;
pois minhas espumas flutuantes seriam
Todas dedicadas a te adornar com amor.

O QUE QUERES (parte II)

Do meigo sorriso 
No canto dos lábios
Como canto de atiço
Me trouxe em atalhos
Ao chamado dessa sirena;

Da embarcação dest`alma
Tão logo se apoderou
de meus pensamentos
Todo resto inundou
Com tímida calma

Do meu coração, o batel atormentado
Queres o leme, reinar de lado a lado?
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