Meire Moreira

Meire Moreira

n. 1900 -- --

Jornalista e comedora de paçoca.

n. 1900-05-27, São Paulo

Perfil
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O que somos

E o que somos se não seres ofuscados pelo próprio orgulho
E embriagados pelos próprios desejos?
Bússolas sem nenhum propósito
Verdadeiros receituários de como se alcançar a morte
Não somos nada de novo sob o sol
Ao contrário
Pisamos, esmagamos, oprimimos
Depois jogamos fora
E seguimos.

Meire Moreira
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Poemas

11

De onde?

De onde vem
O amor
A saudade
O silêncio
O vazio
A dor
A falta
O abraço
A luz
O aconchego
A partida
A volta
O adeus
O agora
A pressa
O nunca
A demora
A presença
O calor
Eu
Você
Nós dois
Sem pressa
Nem depois.
918

Vazio

E o que vai nos manter em pé...
As palavras que não dissemos
Ou o amor que não fazemos?
662

A dor é deselegante

A dor é deselegante. Não bate à porta, não pede licença, não espreita se cabe. Entra, senta, se aloja e fica. E quando resolve ir, nos leva junto.
839

Finados

Hoje não é o dia de celebrar os mortos. É dia de celebrar os transformados.
887

Picadeiro

Você me põe de ponta cabeça
Me mostra um horizonte que desconheço
Aquece um sol dentro de mim
E depois todas as estações ao mesmo tempo
Frio, brisa, vento, calor, cores, aromas, sensações
Me pede que eu me atire do último andar
Confiando nas asas que você me deu
E eu pulo
Para te encontrar nas nuvens
Para te levar às nuvens
Para ser tua
E te fazer meu.
786

Cala!

Cala o que te aflige
O que te consome
O que te falta

Cala o teu mal feito
O teu bem feito
O teu vazio

Silencia a tua voz
Sufoca o teu desespero
Arranca o nó do peito

Cala a voz rasteira
A voz certeira
A voz inútil

E fica mudo
E fica ausente
E morre!
461

Receita para ser e fazer feliz

Em cinco palavras se resumem o equilíbrio do Universo:
-Cuida apenas da sua vida!
623

Interferência

Quer dizer aos pais de uma criança como criá-la?
Não diga...
Se quer fazer algo por ela, deixe as palavras de lado.
Corte suas unhas se for preciso, ajude nas lições escolares, abrace com emoção e verdade...
Seja generoso, gentil, paciente e justo na presença dela.
As palavras não podem fazer isso...você pode.
661

Filhos do nada

Dói ver que eles caem feito moscas
Enquanto as balas atravessam seus corpos
Dói porque ninguém é por eles
Estão sós, perdidos, na periferia da cidade
Na periferia da vida
Se têm nome ninguém sabe
Se têm alma ninguém vê
Jazem aqui e ali sem nenhum proveito
A sociedade vira a cara para seus esgares
E eles caem feito moscas
Mas moscas um dia pelo menos voaram...
Eles nem isso.
839

Economia?

Porque você guarda
Todos os seus beijos
Só para a sua boca?
802

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