Confidências
Me dizias que um sentimento
Arrancava-te de teu sono precioso.
As palavras voavam sem direção alguma
Como, se todo sentimento confuso
Não tivesse um verbo auxiliar.
VG
Verbo cambaleante tentando apalpar
as luzes adormecidas,
frias e acrofóbicas.
Sintaxe desconexa
toma licor
em um canto desencarnado;
toda beleza esvaiu-se.
Barba ruiva entre blocos pesados,
olhos aparentes
a verem a translucidez,
enquanto o barro vermelho geme de amor pelo céu descortinado.
Janelas sem cortinas
Pupilas dilatadas pela falta de arco-íris
na janela a observar pernas agitadas,
quanto tempo estaria em meus palácios sem ver pobreza?
Sopros em transparência relutante retumbam em neblinas ,
que em esforço cego encobre a cidade.
Besouro verde-alegre declarando boa notícia,
a senhora besouro pariu centenas de filhotes no oco de uma árvore anciã,
Na primavera eles comem a sopa em casinhas de tijolos enegrecidos;
No inverno eles se contentam em comer em qualquer mão.
Um a um chegam os homens- formigas carregados em mandíbulas emboloradas,
um anjo roubou-lhes seus cérebros-reptilianos e eles não conseguem enxergar a um palmo,
embora executem trabalhos invejáveis !!!!!!
No banheiro um pombo se escondeu no sapateiro para ler Kafka,
seus semelhantes lhe disseram que se ele não deixasse de ouvir colorido e ver sabores o trancariam
em telhados corrosivos.
Um homem sem cor pediu para parar de escrever e você parar de ler,
como ameaça abriu seus lábios e o Pecado em palavras inocentes fez beicinho para beijar !!!!
Caminhar
alguém caminha pela estrada criada a pouco tempo ;
os olhos como sempre procuram o horizonte e a mente acompanha por tudo...
e tenta constantemente por resposta...
...pode existir resposta para tudo ?
infinitas são as perguntas... finita como dias e noites são as nossas conclusões...
em qualquer parte pessoas procuram...por algo !
em um só lugar dormem profundamente, silenciados em seus corações de cobre.
Janelas
Aberta,
Vultos caminham com o mundo em suas costas,
Brisa irritadiça faz balançar a saia estampada
de alguém perfumada e encantada;
Tijolos vermelhos e aparentes
camuflam todo pensamento em ebulição.
Senhoras a pensar no que perderam com o passar do tempo,
enquanto,
lustram seus móveis mudos e envernizados,
como mudo e envernizados são os nossas convenções sociais !!!!
Uma criança corre, de boca avermelhada,
O dia nem começa e o tilintar dos estômagos vazios,
saboreiam um descarte.
Filhos de Adão preso em algum Centro de Educação Infantil,
Esperando...
Taciturno chega das vistas ensolaradas,
ouve sem interesse algum o tradicional : Tudo bem?, Bom dia, Como está ?
Se chega de um final qualquer lhe perguntam : Como foi seu fim de semana ?
Ah !!! Seres febris, vermes pantanosos e indiscreto procuram
uma essência para devorar.
Da porta de vidro,
Ver-se os filhos de Caim,
Alimentando, com devoção, os filhos de Adão.
A morte é amarela
Enquanto sorvia em goles teu enébrio,
ecos infantis em bambolês em movimentos mornos,
apalpavam teus tímpanos;
Os pés pequenos enegrecidos
a levantar poeira,
círculo imperfeitos...
... olhos-castanhos-fantasmas
a fitarem o futuro de ontem...
Amarelinha ( jogo infantil )
A frustração de não segurar o tempo entre os dedos
equivale a falarmos sem enxergar as cores;
O hálito de Deus é azul e a baba dos loucos são bolhinhas que as crianças estouram
rindo, gargalhando e tentando furar os olhos dos amiguinhos,
Nem todos veem o sangue adocicado e tão cheiroso escorrendo nos labirintos endurecido e cimentados.
Estamos doentes pois comemos nossos corações e fígados em banquetes afrodisíacos com outros outrora sadios como nós,
chamamos a prestar conta a nossa majestade, VITAE, desdenhosamente chega e em dentes apertadinhos,
como apertado é a paixão e grita para nos constranger...
- Non exiguum temporis habemus, sed multum perdimus !
A professora nos chama,
guardo meu lenço ensopado de choro e fétido como viúvas anelídeas,
olhos vermelhos e tristes...
... meus coleguinhas imitam seus pais... (seus mundos já são cinzas).
gritos de adultos dilaceram suas próprias artérias
seus olhos lupinos nos engolem e não nos digerem
eles tem medo de ficar sem sustentação.
Chapéu moderno
Um chapéu decolou
de uma cabeça não-pensante;
Fez tremer folhas,
Desestabilizou uma acrobacia
de uma libélula.
Uma cabeça não-pensante
Desestabilizou,
Fez tremer a história
escondida debaixo de um chapéu.
Ninho
Ninho
Amarelo em retorcidos gemidos,
Empoleirados
No marrom enferrujado.
Tocadas de leve pelas folhas
Verdes endiabradas.
Paz ensolarada,
Quieta.
Indiferente é a quietude assombrosa
Que rodeia a consciência das manadas.
Aí, amor!
Foste parido em duras penas
E para sobreviver,
Consome a seiva
Que sustenta o consolo.
Noite que anda sem pressa
Deixe sua saliva nos sustentar,
Enquanto estamos desatinados
Em nossos paraísos artificiais.