Trilhos
Que o seu dia possa ser como os dias das jovens que descobrem o mundo em um trem verde de almofadas cinzas ,
E toda maldade não passe de caretas divertidas batendo como insetos neste trem que assobia alegremente !
Seu rosto em dados geométricos... Lança sorte... Uma gritaria feliz...como crianças em parques ... e a vida cansada de ensinar... fica a contemplar seus lábios entreabertos !!!
Amarelinha ( jogo infantil )
A frustração de não segurar o tempo entre os dedos
equivale a falarmos sem enxergar as cores;
O hálito de Deus é azul e a baba dos loucos são bolhinhas que as crianças estouram
rindo, gargalhando e tentando furar os olhos dos amiguinhos,
Nem todos veem o sangue adocicado e tão cheiroso escorrendo nos labirintos endurecido e cimentados.
Estamos doentes pois comemos nossos corações e fígados em banquetes afrodisíacos com outros outrora sadios como nós,
chamamos a prestar conta a nossa majestade, VITAE, desdenhosamente chega e em dentes apertadinhos,
como apertado é a paixão e grita para nos constranger...
- Non exiguum temporis habemus, sed multum perdimus !
A professora nos chama,
guardo meu lenço ensopado de choro e fétido como viúvas anelídeas,
olhos vermelhos e tristes...
... meus coleguinhas imitam seus pais... (seus mundos já são cinzas).
gritos de adultos dilaceram suas próprias artérias
seus olhos lupinos nos engolem e não nos digerem
eles tem medo de ficar sem sustentação.
A morte é amarela
Enquanto sorvia em goles teu enébrio,
ecos infantis em bambolês em movimentos mornos,
apalpavam teus tímpanos;
Os pés pequenos enegrecidos
a levantar poeira,
círculo imperfeitos...
... olhos-castanhos-fantasmas
a fitarem o futuro de ontem...
Um dia qualquer
Fera cinza
Escondida;
Seus olhos
Castanhos,
à espreita de
Sentimentos .
Pastam em sombras
Frias
As manadas
Elegantes.
A realidade fartou-se,
Regurgita o que não foi digerido,
Seu gemido e risos
Mesclaram-se.
Pertubadas ;
Manadas confusas
Disparam.
União desfarelada.
Fera cinza;
Revelada
Em dentes brancos,
Fluidos bucais vermelho-anteriormente-vivo
à escorrer em sua alegria.
Sombras frias
Ausência de manadas
Realidade trancada
Em corrente de falácia.
Toca na pedra
Criaturas leporinas a roer os seus dias,Nuvens altas no céu trancadas por chaves geométricasDeslizam em suaves tempestades refrigeradas.
íris castanhas em apêndices filamentosos pretos, brancos e marronsIndagam-se como pode as nuvens tomarem diversas formas,Sem serem eternas dia após dia.
Anjos cálidos com mãos nos rostosEscondem mandibulas equinasEnquanto riem de forma fenomenal.
De um granito uma voz reza :" Irmãos de Pinóquio deixem de enganar os desesperadosNão os ensine que a razão sobressai sempre Pois fomos entregues a loucuras produzidas !"
Enquanto isto um arfar humano corre pela florestaChega ao átrio em passos cadentes e charmososUma mulher, de cabelos multicoloridosDizendo que a carta do louco do baralho fala de uma forma diferente,Lapidando em versos transversais os ecos sinfônicos.
Janelas sem cortinas
Pupilas dilatadas pela falta de arco-íris
na janela a observar pernas agitadas,
quanto tempo estaria em meus palácios sem ver pobreza?
Sopros em transparência relutante retumbam em neblinas ,
que em esforço cego encobre a cidade.
Besouro verde-alegre declarando boa notícia,
a senhora besouro pariu centenas de filhotes no oco de uma árvore anciã,
Na primavera eles comem a sopa em casinhas de tijolos enegrecidos;
No inverno eles se contentam em comer em qualquer mão.
Um a um chegam os homens- formigas carregados em mandíbulas emboloradas,
um anjo roubou-lhes seus cérebros-reptilianos e eles não conseguem enxergar a um palmo,
embora executem trabalhos invejáveis !!!!!!
No banheiro um pombo se escondeu no sapateiro para ler Kafka,
seus semelhantes lhe disseram que se ele não deixasse de ouvir colorido e ver sabores o trancariam
em telhados corrosivos.
Um homem sem cor pediu para parar de escrever e você parar de ler,
como ameaça abriu seus lábios e o Pecado em palavras inocentes fez beicinho para beijar !!!!
VG
Verbo cambaleante tentando apalpar
as luzes adormecidas,
frias e acrofóbicas.
Sintaxe desconexa
toma licor
em um canto desencarnado;
toda beleza esvaiu-se.
Barba ruiva entre blocos pesados,
olhos aparentes
a verem a translucidez,
enquanto o barro vermelho geme de amor pelo céu descortinado.
Caminhar
alguém caminha pela estrada criada a pouco tempo ;
os olhos como sempre procuram o horizonte e a mente acompanha por tudo...
e tenta constantemente por resposta...
...pode existir resposta para tudo ?
infinitas são as perguntas... finita como dias e noites são as nossas conclusões...
em qualquer parte pessoas procuram...por algo !
em um só lugar dormem profundamente, silenciados em seus corações de cobre.
Janelas
Aberta,
Vultos caminham com o mundo em suas costas,
Brisa irritadiça faz balançar a saia estampada
de alguém perfumada e encantada;
Tijolos vermelhos e aparentes
camuflam todo pensamento em ebulição.
Senhoras a pensar no que perderam com o passar do tempo,
enquanto,
lustram seus móveis mudos e envernizados,
como mudo e envernizados são os nossas convenções sociais !!!!
Uma criança corre, de boca avermelhada,
O dia nem começa e o tilintar dos estômagos vazios,
saboreiam um descarte.
Filhos de Adão preso em algum Centro de Educação Infantil,
Esperando...
Taciturno chega das vistas ensolaradas,
ouve sem interesse algum o tradicional : Tudo bem?, Bom dia, Como está ?
Se chega de um final qualquer lhe perguntam : Como foi seu fim de semana ?
Ah !!! Seres febris, vermes pantanosos e indiscreto procuram
uma essência para devorar.
Da porta de vidro,
Ver-se os filhos de Caim,
Alimentando, com devoção, os filhos de Adão.